quinta-feira, 11 de junho de 2020

Vaticano deve renovar acordo com a China por um ou dois anos, diz Arcebispo negociador



O Arcebispo italiano Claudio Maria Celli, diplomata que foi fundamental para a negociação do acordo provisório da Santa Sé - China para a nomeação dos bispos, disse que o Vaticano deve renovar esse tratado por mais um ou dois anos.

"O acordo é provisório, ou seja, expira, como você diz, em setembro deste ano. Temos que encontrar uma fórmula. Temos que ver o que fazer após esse período. Acho que devemos provavelmente reconfirmá-lo por um ano ou dois”, disse o Arcebispo em uma entrevista, em 7 de junho, no programa Stanze Vaticane de Tgcom24.

"No entanto, a Santa Sé ainda não tomou uma decisão a esse respeito, uma decisão que será comunicada depois às autoridades chinesas", acrescentou o Prelado que atuou como presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais entre 2007 e 2016.

Após a assinatura do acordo provisório em setembro de 2018, as autoridades do governo comunista chinês continuaram a perseguição contra os católicos, continuaram demolindo igrejas e cruzes e continuaram com as prisões do clero clandestino ou subterrâneo, que são aqueles que se mantêm fiéis a Roma.

Na China, o regime exige que os membros da Igreja se associem à Associação Patriótica Católica, uma instituição que está sob o controle do Partido Comunista que administra o Governo. Aqueles que não aceitam essa adesão, a Igreja clandestina, subterrânea ou não oficial, frequentemente sofrem perseguição, detenções e prisões.

"É inegável que ainda existem situações que exigem um caminho", disse o Arcebispo Celli na entrevista, destacando a "necessidade de respeito" e "entendimento mútuo" entre a Igreja Católica e a China.

"Não vai ser fácil. A Santa Sé quer continuar com este passo. Queremos avançar e queremos alcançar uma normalidade na qual um católico chinês possa expressar toda a sua fidelidade ao Evangelho e também respeito ao seu ser chinês”, continuou o Prelado.

"Eu sempre digo e sempre uso uma expressão simples: a Igreja Católica na China precisa ser plenamente chinesa, mas também plenamente católica". 

O Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Pietro Parolin, outra figura importante nas negociações com a China, disse em 2019 que a prática missionária da "inculturação" pode se assemelhar ao termo "sinicização" do governo chinês e que ambas podem ser "complementares" e podem “abrir caminhos para o diálogo”.

Desde que chegou ao poder em 2013, o presidente chinês, Xi Jinping, ordenou a "sinicização" de todas as religiões na China, uma medida que a Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional chamou de "uma estratégia de longo alcance para controlar, governar e manipular todos os aspectos da fé em um molde socialista infundido com 'características chinesas'”.

O governo chinês implementa atualmente um "plano de sinicização" para o Islã, uma religião que enfrenta crescente perseguição no país, com pelo menos 800 mil muçulmanos uigures detidos em campos de concentração.

A aceitação católica do programa de "sinicização" tem sido um assunto muito debatido após a formalização do acordo de 2018 entre o Vaticano e a China. Recentemente, uma associação afiliada à Associação Patriótica Católica da província de Zheijang emitiu uma declaração exigindo que o "patriotismo" seja acrescentado à celebração da liturgia como condição para a reabertura de igrejas.

Em seu vídeo anunciando a intenção de oração para março deste ano, o Papa Francisco afirma que “hoje em dia na China, a Igreja olha para frente com esperança. A Igreja quer que os cristãos chineses sejam cristãos de verdade e que sejam bons cidadãos".

Da mesma forma, o Santo Padre nos convida a rezar "juntos, para que a Igreja na China persevere na fidelidade ao Evangelho e cresça na unidade".
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ACI Digital

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