sábado, 16 de fevereiro de 2019

Paquistão: Mais de 200 cristãos estão na prisão acusados pela lei da blasfêmia



Embora o caso de Asia Bibi seja o mais emblemático, atualmente mais de 220 cristãos no Paquistão estão na prisão acusados de crimes de blasfêmia contra o profeta Maomé, alertou a Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre Itália (ACS-Itália).

ACS-Italia visitou recentemente o país e, com a Comissão Nacional de Justiça e Paz da Conferência Episcopal do Paquistão, certificou a existência de pelo menos duas centenas de cristãos nesta situação, a mesma enfrentada por Asia Bibi, mãe católica absolvida após 9 anos de prisão acusada falsamente de blasfêmia.

Cecil Chaudhry, diretor da Comissão Nacional de Justiça e Paz, disse que as decisões dos juízes atrasam cada vez mais porque "têm medo de errar e também de serem atacados por fundamentalistas” muçulmanos.

A libertação de Bibi desencadeou importantes protestos por parte dos muçulmanos mais radicais que bloquearam o país durante três dias e cerca de 2 mil pessoas foram presas. A lei da blasfêmia no Paquistão considera o insulto à religião islâmica ou ao profeta Maomé como um crime, embora em muitas ocasiões seja uma maneira de pressionar a minoria cristã.

Pe. Emmanuel Yousaf, presidente da Comissão, citou como exemplo o atentado de 2013 no bairro San John, um dos bairros cristãos de Lahore, onde 200 casas e duas igrejas foram incendiadas. Este ataque ocorreu depois que um muçulmano acusou o cristão Sawan Masif de blasfemar contra Maomé.

"A realidade era que (o muçulmano) queria se apropriar do terreno de San John, já que era muito próximo a uma fábrica", afirma ACS-Itália depois de visitar a área.

Então, 83 pessoas foram presas por este ataque, todas foram soltas apesar de terem sido consideradas culpadas, mas atualmente Sawan permanece preso aguardando julgamento. O tribunal adiou várias vezes a sua decisão, mas agora parece que a próxima audiência será no dia 27 de fevereiro.

A Fundação Ajuda à Igreja que Sofre Itália também recolheu as declarações de um Bispo paquistanês que assegurou que "basta um pequeno problema, ainda que seja sobre algo sem importância, para ser acusado de ter profanado o Corão ou o nome de Maomé. Agora, Asia Bibi é livre, no seu caso também se demonstrou internacionalmente que quase sempre as acusações são infundadas. Mas ainda há muitos outros casos pelos quais lutar".

A Comissão de Justiça e Paz também se ocupa do sustento das pessoas que se convertem do islamismo ao cristianismo. A lei não proíbe a conversão ao cristianismo, mas os deixa à mercê de suas famílias, que não aceitam essa decisão.

Esse é o caso de Ângela (nome fictício), que se converteu ao cristianismo e atualmente é ameaçada por seu irmão.

"Qualquer um pode assassinar uma pessoa que se converteu, é por isso que minha casa é uma prisão há anos, da qual não posso sair livremente. Nós não temos amigos. Não tenho dúvidas sobre a minha conversão, sobre a minha fé em Cristo, mas busco a segurança para os meus filhos", afirmou a cristã paquistanesa, que aguarda um visto para reconstruir a sua vida no exterior.

Por sua vez, o diretor da ACS-Italia, Alessandro Monteduro, assegurou que sua visita ao Paquistão quis levar a "solidariedade a uma comunidade cristã que, especialmente nos últimos meses, sofreu uma série de ataques que podemos definir como anticristãos".

"Viemos lhes mostrar nossa proximidade. Geralmente fazemos isso com nossos projetos, mas algumas vezes é preciso dar a mão e abraçar aqueles que, por causa de sua fé, são obrigados a sofrer uma forma de opressão totalmente inaceitável”, expressou.
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ACI Digital

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