quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Afeganistão celebra Natal apesar de 40 anos de guerra


No Afeganistão, as celebrações católicas também são vítimas da forte tensão que se vive em um país que está em guerra há 40 anos, mas isso não é um motivo para que durante as festas não sintam a necessidade de estar juntos, de rezar, de compartilhar reflexões, de alimentar as relações fraternas, assim explicou o Pe. Giovanni Scalese, religioso barnabita da Missio sui iuris no país.

Segundo informou a agência Fides, o Pe. Scalese disse que nos dias imediatamente posteriores ao Natal, todos os religiosos do país participarão de um encontro para rezar juntos e compartilhar, porque as festas são uma oportunidade para rezar, inclusive para aqueles que participam menos da vida da Igreja durante o resto do ano.

"Como esta pequena comunidade se prepara para as festas? Com simplicidade. Nós começamos a nossa preparação no final de novembro, com a celebração da novena da Imaculada Conceição. Em 2 de dezembro, abençoamos a coroa de Advento e acendemos a sua primeira vela para começar o momento especial de preparação para a vinda de Cristo. No domingo, 16 de dezembro, acendemos as luzes da árvore de Natal em frente à igreja e começamos outra novena", disse o Pe. Scalese.

E no dia 24 de dezembro, o sacerdote explicou que o Natal é anunciado com o canto tradicional da kalenda e durante a Missa do Galo abençoam o presépio.

"A celebração foi realizada à tarde porque, por motivos de segurança, não podemos celebrar a Missa à noite", assinalou. No dia de Natal, as Missas foram celebradas na base da OTAN e na igreja da missão.

A presença de religiosos cristãos no território afegão está ligada exclusivamente a atividades beneficentes ou militares. E indicou que eles são missionários comprometidos em iniciativas humanitárias que proíbem a evangelização, ou capelães militares. De qualquer maneira, "sempre insuficiente em comparação com as necessidades", assinalou.

A única paróquia católica no Afeganistão está dentro da embaixada italiana na capital Cabul, onde participam cerca de cem pessoas, quase todas são membros da comunidade diplomática internacional.

No Afeganistão, a Constituição de 2004 define o país como uma "República Islâmica". O Artigo 2 garante aos não muçulmanos o direito de professar livremente a sua própria religião, mas com certos limites.

O Afeganistão continua submerso na violência e na instabilidade. As últimas eleições presidenciais de outubro ocorreram entre ataques e ameaças de morte contra candidatos e eleitores, provocando a morte de aproximadamente 30 pessoas e dezenas de feridas.
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ACI Digital