sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Sigamos a vida nova em Cristo, por meio do Espírito




O pecado de Adão tinha passado a todo o gênero humano: Por um homem, diz o Apóstolo, entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte, e assim passou a todos os homens. Portanto é necessário que também a justiça de Cristo passe a todo o género humano; e assim como Adão, pelo seu pecado, foi causa de perdição para toda a sua descendência, assim Cristo, pela sua justiça, seja causa de salvação para todo o seu povo. E o Apóstolo insiste, dizendo: Assim como pela desobediência de um só homem, muitos se tornaram pecadores, assim também, pela obediência de um só, muitos se tornaram justos; e assim como o pecado reinou pela morte, também a graça reinará pela justiça para nos dar a vida eterna.

Dir-me-á alguém: «Com razão o pecado de Adão passou aos seus descendentes, porque dele foram gerados; mas acaso somos nós descendentes de Cristo, para podermos ser salvos por seu intermédio?». Não penseis de modo carnal; já vereis de que modo somos descendentes de Cristo. Na plenitude dos tempos Cristo nasceu de Maria, assumindo uma alma e um corpo. Esta é a carne que Ele veio salvar, porque não queria deixá-la em poder da morte; por isso uniu-a ao seu espírito e tornou-a sua. Estas são as núpcias pelas quais o Senhor Se uniu à natureza humana; assim se realiza aquele grande mistério, segundo o qual Cristo e a Igreja são dois numa só carne.

Destas núpcias nasce o povo cristão pela virtude do Espírito do Senhor que desce do alto. Com o gérmen celeste, que desce às nossas almas e se infunde nelas, vamo-nos formando no seio maternal da Igreja, que nos dá à luz para a vida nova em Cristo. Por isso diz o Apóstolo: O primeiro Adão tornou-se alma vivente, o último Adão é espírito vivificante. Deste modo nos gera Cristo na Igreja por meio dos seus sacerdotes, como diz o mesmo Apóstolo: Eu vos gerei em Cristo. E assim o gérmen de Cristo, isto é, o Espírito de Deus, dá origem, pelo ministério do sacerdote e a virtude da fé, ao homem novo, formado no seio maternal da Igreja e dado à luz na fonte baptismal.

Devemos, por conseguinte, receber a Cristo, para que Ele nos possa regenerar, como diz o apóstolo João: A quantos O receberam deulhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Ora este nascimento não é possível senão pelo sacramento do baptismo, do Crisma e do sacerdote. Pelo baptismo somos purificados dos nossos pecados; pelo Crisma é derramado sobre nós o Espírito Santo; e uma e outra coisa nos é concedida pela imposição das mãos e pela palavra do sacerdote. Deste modo todo o homem renasce e se renova em Cristo, para que assim como Cristo ressuscitou dos mortos, também nós vivamos uma vida nova, isto é, renunciemos aos erros da vida antiga e sigamos a Cristo com uma vida renovada por meio do Espírito.


Do Sermão de São Paciano, bispo, sobre o batismo
(Nn. 5-6: PL 13, 1092-109) (Sec. IV)