segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A Teologia do Tempo do Advento


A teologia do tempo do advento revela os dois eixos centrais da história da salvação. Primeiro, o cumprimento das profecias do Antigo Testamento, pois o Messias nasce no meio de nós como havia sido prometido (Gen 3,15;49,8-11;Deut 18,15.19;Is 7,14;11,1-5), e o advento aponta para esse cumprimento. Ou seja, Deus mesmo se faz um de nós, nasce em nosso meio do seio da Virgem Maria, conforme profetizado pelo profeta Isaías (cf. Is 7,14), para nos salvar pessoalmente como determinou em seu desígnio redentor (cf. Ez 36). Segundo, com a sua vinda, anuncia a vinda escatológica do Reino de Deus, reino de justiça e de verdade, reino de paz e da felicidade dos justos. Por fim, anuncia ainda a sua segunda parusia, no fim dos tempos.

Por isso, esse tempo é de suma importância não somente pelas revelações que traz em si, mas principalmente pelo anúncio do devir, ou seja, do desfecho definitivo da história da salvação; pois Deus entra na história humana fazendo acontecer nela a história de nossa salvação, deste modo, o tempo e tudo nele passa a ser contado antes de Cristo e depois de Cristo. Assim, Jesus Cristo é não somente o Senhor da Criação, mas o marco central dela e da história humana, pois Deus se fez homem para que o homem participasse de sua natureza divina na nova criação, porque, como disse Jesus: “Eis que eu faço nova todas as coisas”. 


Podemos ver ainda nesse tempo do advento a expressão missionária de que ele se reveste, pois Deus se torna missionário em nosso meio e em nossa história, mostrando com isso, que também a Igreja assume essa função evangelizadora, de anunciar sua presença santa no meio da humanidade. Pois nosso caminho para o reino dos céus é um caminho missionário, desse modo, temos a missão de revelarmos Jesus, o salvador da humanidade, invisível aos olhos do mundo, mas presente em sua Igreja por meio dos sacramentos que nos comunicam todas as graças para a santificação de nossas almas, assim é ele mesmo que nos conduz à plenitude de sua glória.

Por fim, a teologia desse tempo do advento alimenta em nós a esperança da libertação total, como o Senhor revelou em uma de suas promessas, ao dizer: “Então verão o Filho do Homem vir sobre uma nuvem com grande glória e majestade. Quando começarem a acontecer estas coisas, reanimai-vos e levantai as vossas cabeças; porque se aproxima a vossa libertação”. (Lc 21,27-28). São Paulo, ao crer firmemente nessa promessa de Jesus, afirmou: “Tenho para mim que os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada. Por isso, a criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia. Não só ela, mas também nós, que temos as primícias do Espírito, gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo. Porque pela esperança é que fomos salvos. Ora, ver o objeto da esperança já não é esperança; porque o que alguém vê, como é que ainda o espera? Nós que esperamos o que não vemos, é em paciência que o aguardamos”. (Rom 8,18-25).

Portanto, vivamos esse tempo de expectativa, de espera com fé renovada, na certeza de que, por permanecermos no Senhor e em seu santo modo de agir, teremos todas as graças necessárias para nos mantermos fiéis até o fim, como o Ele nos exortou: “Reanimai-vos e levantai vossas cabeças, porque a vossa libertação está próxima”. (Lc 21,28). “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós!” (2Cor 13,13). “Aquele que atesta estas coisas diz: Sim! Eu venho depressa! Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Apo 22,20).

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

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