sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Entenda a diferença entre ecumenismo e diálogo inter-religioso


Muita gente confunde ecumenismo com diálogo inter-religioso. E isso é normal, pois até mesmo alguns veículos de comunicação utilizam esses dois termos de maneira equivocada. Para que você não tenha mais qualquer dúvida, o padre Marcial Maçaneiro, que é pesquisador na área, irá esclarecer alguns pontos importantes.

Segundo ele e sob o ponto de vista teológico, ecumênico é o diálogo entre os cristãos que professam a fé em Jesus, na Trindade, no Mistério Pascal, na Redenção, na Graça, enfim, toda a fé do Novo Testamento. E o CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs) acrescenta: algumas pessoas criticam o ecumenismo afirmando que o objetivo seria "criar uma única igreja que englobe todas as outras". Não é nada disso. A ideia do ecumenismo é tão somente "criar pontes" entre as diferentes igrejas cristãs, de modo que elas possam estabelecer um diálogo fraterno e respeitoso entre seus membros para que, com essa unidade na caminhada, testemunhem que "maior é Aquele que as une do que aquilo que as separa".


No Novo Testamento também consta o desejo de Jesus a respeito da unidade entre aqueles que O seguem, como relata o evangelista João (cf. Jo 17,21-23). A partir deste trecho da Sagrada Escritura, padre Marcial explica que o diálogo ecumênico não é uma invenção dos cristãos, mas uma condição, uma vocação, apresentada por Jesus, para que o mundo creia em Seu Nome.

“Isso é vocação de unidade, vem do Batismo e da Graça do Espírito Santo. A unidade entre os cristãos não é um produto, resultado apenas desse diálogo, mas é uma vocação da Igreja. E a gente que participa desse diálogo, acolhe a Graça e vai promovendo essa vocação de comunhão entre todos os batizados por quem Jesus deu a vida”. 

Diálogo inter-religioso


Já o diálogo inter-religioso, como a própria nomenclatura sugere, acontece entre as diferentes religiões (budismo, islamismo, judaísmo, xintoísmo, cristianismo, etc.).

Segundo padre Marcial, “trata-se de um diálogo para discernir como a Graça de Deus opera no coração destes homens e mulheres de outras tradições; como eles e nós, de algum modo, podemos atuar juntos no testemunho da justiça, da paz, da promoção humana; como nós podemos atuar juntos, como homens e mulheres religiosos, na construção de uma cidadania, de uma sociedade justa, do cuidado ambiental”, esclareceu.
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CONIC/ Canção Nova