sábado, 13 de janeiro de 2018

Chile: Arcebispado de Santiago condena ataques contra igrejas

Os muros da Igreja Cristo Pobre foram pichados com mensagens contra a visita do papa Francisco 

Por meio de uma nota, o Arcebispado de Santiago lamentou os ataques com bombas incendiárias ocorridos na madrugada desta sexta-feira contra a Paróquia “Santa Isabel de Hungría”, próxima à Estação Central e as Capelas Emmanuel de Recoleta e Cristo Vencedor, além do frustrado ataque contra o Santuário Cristo Pobre de Matucana.

“Estes atos, que contradizem o espírito de paz que anima a visita do Papa ao país, nos doem profundamente, diz a nota. Com humildade e serenidade pedimos a quem realizou estes atos – que consideramos não representam em absoluto o sentimento da imensa maioria da população -  para refletir sobre a necessidade de existir respeito e tolerância entre todos, para construir uma pátria de irmãos”.

“O Chile – continua o comunicado – necessita maior diálogo, por isto reafirmamos a mensagem de Jesus que o Papa nos traz: “Mi Paz les Doy””.

Por fim, são convidados “todos os católicos, os crentes de diversas religiões, homens e mulheres de boa vontade, a renovarem sua alegria e a participar nas celebrações da próxima semana junto ao Santo Padre, que traz uma mensagem de fé, esperança e amor para todos.”

Entrevistado pelo Vatican News, o arcebispo de Santiago, cardeal Ricardo Ezzati, afirmou que “estes gestos, ao invés de criar desconforto, criam em nosso coração um estado de expectativa ainda maior. Nós sabemos que o amor de Cristo supera tudo. O povo chileno espera a voz do Papa que vem nos trazer a paz de Cristo. Esperamos que o Papa nos confirme como Igreja missionária, no caminho de solidariedade e acolhida, aberta à caridade e à pobreza geográfica e espiritual do Chile”. 

Os ataques

Os ataques ocorridos em diferentes áreas de Santiago são um protesto contra a visita do Papa Francisco ao país. As igrejas e capelas sofreram danos nas portas e fachadas, informaram fontes policiais.

Os autores deixaram panfletos com frases contra a presença de Francisco no país.

A presidente Bachelet afirmou a uma emissora local que “sabemos que sempre haverá um ou outro grupo, porém é muito estranho, porque não é algo que pode ser atribuído a um grupo específico, pois se chamavam algo como ‘por los cuerpos libres’”.

Na Paróquia Santa Isabel da Hungria, localizada na região da Estação Central, desconhecidos lançaram contra a entrada um pano banhado com combustível, ateando fogo imediatamente provocando um incêndio que foi controlado pelos bombeiros.

“Liberdade para todos os presos políticos do mundo, Wallmapu (território mapuche) livre, autonomia e resistência. Papa Francisco, as próximas bombas serão em tua batina”, dizia um dos panfletos deixados no local.

O sacerdote que mora na paróquia, padre Ibánez, declarou à Rádio Cooperativa, que horas antes do ataque um grupo de jovens passou pelo local proferindo insultos.

Em Recoleta, outro ataque atingiu a Capela Emanuel, onde pouco depois das 3 horas da manhã desconhecidos lançaram uma bomba que ao explodir arrancou a porta de entrada, quebrando também as janelas.

Na Capela Cristo Vencedor, desconhecidos explodiram uma bomba que provocou poucos danos.

Por fim, no Santuário de Cristo Pobre, localizado próximo à estação de metrô “Quinta Normal”, a polícia desarmou um artefato.
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Rádio Vaticano