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sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Homilética: 3º Domingo do Tempo do Advento - Ano A: "Um convite à alegria".


A Igreja chama este domingo “Domingo gaudete”, isto é, domingo do “Alegrai-vos”. Recebe este nome pela primeira palavra em latim da antífona de entrada, que diz: Gaudéte in Domino semper: íterum dico, gaudéte (“Estai sempre alegres no Senhor, repito, estai sempre alegres” Flp 4, 4.5). As trevas que cobriam o Antigo Testamento começaram a dissipar-se com a luz- tênue ainda- dos profetas. Depois brilhou a tocha precursora- João-. Até que finalmente amanheceu Cristo, Sol nascido do alto para iluminar os que estavam sentados nas trevas da morte. A primitiva Igreja nutriu a sua piedade nesta ideia de Cristo- Luz. E tal piedade cristalizou numa fórmula do Concílio de Nicéia insertada no Credo: “Creio em um só Senhor Jesus Cristo…, Deus de Deus, Luz da Luz”. E com a sua Luz veio a alegria (segunda leitura, evangelho).

Pontos da ideia principal

Textos: Is 61, 1-2.10-11; 1 Tes 5, 16-24; Jo 1, 6-8.19-28

Em primeiro lugar, alegremo-nos, porque se aproxima o nosso Salvador e Libertador. Do que nos salva? (1 leitura). Das correntes e dos grilhões que, quem sabe, atam a nossa alma e por isso não é livre para se relacionar na oração humilde com esse Deus da Salvação. Dos medos que nos paralisam e não nos deixam descobrir que esse Salvador é Pai e Amigo e Companheiro de caminho à eternidade. Das tristezas que nos afogam que nos impedem de sorrir ao experimentar a ternura deste Deus Libertador que vem com os despojos da sua vitória na mão depois de uma luta terrível contra o inimigo da nossa alma. Das falsas expectativas, utopias e piscares de olhos que nos faz este mundo e os nossos sonhos fátuos, que nos apresentam o seguimento de Cristo como um caminho de rosas, de êxitos e reconhecimentos, quando na realidade sabemos que devemos segui-lo pelo caminho da cruz, do esforço, mas com Ele do nosso lado. Vem para nos salvar de tudo isso: das falsas ideologias, de esperanças disfarçadas, dos sistemas socioeconômicos escravizadores e desumanos, dos nossos ridículos e devoradores egoísmos, vaidades e ambições. Salvação completa, de corpo e alma e espirito (segunda leitura).

Em segundo lugar, alegremo-nos porque volta a nascer o Sol de justiça que lança a sua luz sobre o nosso mundo. Aonde quer chegar com a sua luz? Quer chegar até a nossa Igrejanesta hora fatídica, mas ao mesmo tempo entusiasmante e desafiadora, da sua historia para que continue guardando com zelo e carinho o depósito da fé sem permitir elixires doces ou misturas esquisitas. Chegar neste mundo que se ufana das suas conquistas cientificas, à margem de Deus e inclusive em contra de Deus; e a única coisa que pretende é ser vagalume para si mesmo. Chegar às nossas famílias hoje bombardeadas e cujos escombros não nos permitem ver a beleza desta igreja domestica. Chegar aos nossos jovens que se preparam para um matrimônio fiel e feliz, para que tenham a luz e o discernimento para dar esse nobre passo no projeto de vida matrimonial segundo os desígnios de Deus. Chegar aos nossos seminaristas e sacerdotes para que descubram ou redescubram a beleza da vocação de entrega alegre e gozosa ao Senhor no celibato pelo Reino dos céus, e não busquem outras compensações mundanas e álibis, que nunca os farão felizes por levar uma vida de duas caras e não acorde com a sua consagração a Deus em santidade de vida. Chegar aos nossos anciãos, para que a Luz de Cristo lhes encha de esperança e consolo nesta etapa dourada da sua existência e possam vislumbrar a eternidade no ocaso da sua vida. Chegar aos nossos irmãos mais pobres e desfavorecidos, para que essa Luz de Cristo entre nos corações de todos os que podem socorrê-los material, espiritual, moral e psicologicamente. E, enfim, a luz de Cristo quer chegar a todos: crianças, artistas, comunicadores, literatos; da mesma maneira com que o sol manda os seus raios a todos, assim Cristo. Só que quem não abrir a janela ficará na escuridão.

Finalmente, alegremo-nos porque a Palavra de Deus se encarna e acampará entre nós. O que nos dirá essa Palavra? Deus é Amor e é Pai. Bem-aventurados os pobres, os mansos, os sofridos, os que têm fome e sede da Vontade de Deus, os puros, os misericordiosos, os pacificadores, os perseguidos. “Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado”, repartindo o pão com o necessitado, enxugando as lágrimas daquele que chora, consolando o que está triste, animando o que está desanimado e perdoando o inimigo.
Para refletir

Este terceiro domingo do Advento tem um tema predominante: a alegria provocada pela vinda do Senhor. Por isso, a cor rosa, que pode ser usada como um roxo atenuado. Alegrai-vos (Gaudete!) – convida-nos a liturgia, inspirando-se nas palavras do Apóstolo: “Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo: alegrai-vos! O Senhor está perto!” (Fl 4,4s).

Mas, pensando bem: há motivos para alegria verdadeira, profunda, responsável? Ante as lutas e fardos da vida, podemos realmente alegrar-nos? Antes as feridas e machucaduras do nosso coração, é possível uma alegria duradoura e verdadeira? Ante as desacertos e desvios do mundo, é realmente possível este gáudio a que nos convida a Igreja, com as palavras de São Paulo? E, no entanto, o convite é insistente: Alegrai-vos!

Contudo, antes do convite à alegria, ao júbilo, à exultação, permiti-me um outro convite: pensemos na vida de frente, como ela é, para cada um de nós e para os outros. Faço este convite porque somente assim nossa alegria poderá ser realista e verdadeira. Não esqueçamos que há também uma alegria boba, tola, tonta, irresponsável, que brota da superficialidade ou da ilusão… Não é dessa que falamos aqui…

Pois bem! A nossa vida – a minha, a sua! – gostaríamos que ela fosse como quiséramos, gostaríamos de controlá-la, de garantir que tudo saísse bem para nós e para os nossos, para os nossos e para todos… E, no entanto, constatamos com pesar que não temos em nossas mãos a nossa existência. Que duras as palavras de Jeremias profeta: “Eu sei, Senhor, que não pertence ao homem o seu caminho, que não é dado ao homem, que caminha, dirigir os seus passos” (10,23). O mundo não é como gostaríamos, os nossos caros não são e não vivem como esperávamos e nós mesmos tampouco vivemos a vida que sonhamos… Nosso mundo anda estressado, as pessoas sentem-se sozinhas, meio como que perdidas, ante uma crise generalizada de valores e de sentido… Que caminho seguir? Que rumo tomar? Que valores são valores realmente ou, ao invés, mera ilusão? Conservamos ou destruímos o sentido sagrado do matrimônio e da família? O Governo Lula começa a dar os primeiros passos para legalizar o assassinato de crianças no útero materno – vamos concordar? Vamos ainda votar nos deputados e senadores de Alagoas que votarem a favor desse crime pagão? Vamos reeleger esse presidente, caso ele aprove esse crime hediondo? Castidade, honestidade, respeito pela vida, moralidade, são ainda valores? A vida é, deveras, estressante… E o Senhor nos exorta: Alegrai-vos! E neste Domingo de Advento, a Igreja insiste: Alegrai-vos! Alegrai-vos no Senhor! O cristão não tem direito ao desânimo, ao desespero, ao derrotismo… Alegrai-vos! E alegrai-vos sempre! Mas, alegrai-vos no Senhor! E por quê? Porque ele está perto! Não nos deixa nunca: ele vem sempre como Emanuel – Deus conosco!

Pensemos nas palavras tão consoladoras das leituras deste hoje! São para a terra deserta do coração do mundo e para o nosso: “Alegre-se a terra que era deserta e intransitável, exulte a solidão e cresça como um lírio. Germine e exulte de alegria e louvores! Seus habitantes verão a glória do Senhor, a majestade do nosso Deus!” Que cristão, que homem ou mulher de boa vontade não lamentam a situação atual da humanidade? Quem não sente na vida a tentação de fraquejar, e a mordida do desencanto? Quem, às vezes, não pergunta onde Deus está, que parece tão distante e ausente? Escutai: “Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: ‘Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é o vosso Deus: ele vem para vos salvar!’” É esta a esperança do santo Advento: a esperança num Deus que não nos esquece, não nos desilude, não nos deixa sozinhos… um Deus que vem ao nosso encontro no Santo Messias esperado! O profeta Isaías promete: “Então se abrirão os olhos dos cegos e se descerrarão os ouvidos dos surdos. O coxo saltará como um cervo e se desatará a língua dos mudos”. E o que o profeta promete, o Senhor Jesus vem realizar: “Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobre são evangelizados!” Eis aqui o motivo da nossa alegria: a certeza da fé em Jesus Cristo: ele é a presença pessoal de Deus entre nós, ele é aquele que cura nossas feridas, sustenta-nos na fraqueza, enche de doce presença o nosso coração solitário! Confiemos ao Senhor o mundo, a nossa vida, os nossos problemas, as coisas que nos preocupam. Lutemos e confiemos; lutemos e enchamos o coração de esperança no Senhor! A salvação que ele trouxe haverá de se manifestar um dia: “A Vinda do Senhor esta próxima” – diz-nos São Tiago!

As grandes tentações para o cristão de hoje são a falta de entusiasmo e de esperança, um cansaço ante a paganização do mundo e a teimosia humana… A conseqüência, é a falta de uma alegria verdadeira. Procuram-se cristãos alegres, cristãos convictos, cristãos radicais! Precisam-se urgentemente de cristãos apaixonados, cristãos de verdade, cristãos que creiam no que acreditam! Afinal, somente há alegria duradoura e profunda somente quando se encontra o sentido da existência, e este sentido nos é oferecido pelo Cristo; unicamente em Cristo!

Esperemos nele: na sua palavra, no seu juízo, na sua graça! Ele não nos esqueceu, ele não está ausente do mundo e da nossa vida! Recordemos a forte exortação de São Tiago: “Ficai firmes até à Vinda do Senhor! Ficai firmes e fortalecei vossos corações, porque a Vinda do Senhor está próxima! Irmãos, tomai como modelo de sofrimento e firmeza os profetas que falaram em nome do Senhor!”

O Advento não somente nos prepara para a celebração da primeira vinda do Senhor no Natal, mas nos convida a reconhecer suas vindas na nossa vida e a esperar com ânsia e compromisso sua Vinda final! Caminhemos, caríssimos, na alegria de quem espera com certeza: “Alegrai-vos sempre no Senhor! O Senhor está perto!”