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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Perda de Fiéis


Disse o Papa Francisco: “Perda de fiéis da  Igreja no Brasil é uma verdade. As estatísticas mostram. E isso é um problema que incomoda os bispos brasileiros” (O Globo-Rio, 30/07/2013, p. 8).

Tenho estudado esse assunto há mais de duas décadas. Em nossa pós-modernidade o problema é prolixo, complexo e de tamanho descomunal. Os movimentos religiosos, pentecostalismo, neopentecostalismo, os sem igrejas (desigrejados), sem religião (mas crentes) e indiferentes ideológicos (agnósticos e ateus). Sociedades secretas e seus esquemas maquiavélicos. Os membros de tais sociedades têm crenças duvidosas. Tenho me ocupado e preocupado com o sectarismo e seus congêneres devido a sua ação oculta e revelada de modo enlouquecedor e mortal. Sociedades secretas e seitas não só dizem respeito ao campo da teologia, da filosofia, da psicologia e da sociologia da religião, mas também do Poder Jurídico. O Estado de Direito deveria investigar esses movimentos com rigor.

O movimento pentecostal é gigantesco devido a suas crias constantes: avivamentos, renovação, “carismáticos” e o famigerado neopentecostalismo. Este tem como fundamento a teologia da prosperidade e a espetacularização do show gospel. É na onda das seitas neopentecostais que se encontram o G12 (igrejas em células, os ditos apóstolos, pastores milionários, políticos com suas catedrais e empresas religiosas). Os desigrejados continuam – que na maioria são dos dois movimentos – pentecostais sem filiação denominacional. Os sem religião são descontentes com as religiões tradicionais, no entanto têm uma crença livre e holística. Agnósticos e ateus são militantes organizados contra os portadores de fé e apologistas crentes. O movimento New Age (Nova Era) de filosofia hinduísta e com práticas ocultistas tem arrebanhado fiéis no mundo inteiro. Principalmente ricos e famosos.

É de suma importância ressaltar que esses movimentos propagam suas crenças em línguas estranhas, dons espirituais, profecias, visões, revelações, curas divinas, milagres, exorcismos (libertação), arrebatamento espiritual (repouso no espírito, viagem astral e regressão), autoajuda, prosperidade, meditação transcendental, yoga, ADORAÇÃO aos anjos, astrologia e espiritualismo eclético. A psicologia desses movimentos alcança as necessidades profundas da carência humana. O objetivo é vender a felicidade a qualquer custo.

Em todas as eras, quando a teologia paraclitólogica tem sua primazia, a Igreja torna-se crescente e poderosa em sua missão de ganhadora de almas salvas e evangelizadoras. Belo exemplo é a grande obra realizada por São Basílio Magno, autor do primeiro tratado sobre o Espírito Santo. São Basílio, Doutor da Igreja, Bispo místico e com visão no social. Escreve São João Apóstolo: “Quando vier o Espírito Santo, ele vos conduzirá à verdade plena”(Jo 16, 13). Se essa verdade plena fosse por mais propagada eliminaria muito o espaço para as mentiras religiosas e as heresias no cristianismo. Cismas, heresias e seitas provêm do relaxamento e da infidelidade ao Espírito Santo (cf. Atos 5,32; Ef 5,18; 1 Ts 5,19-23). Para proclamar a Boa Nova e ser ser fiel à vontade de Deus é fundamental o cristão viver sempre cheio do poder do Espírito Santo (ler Atos 1,8; 2, 1-4).

O que está faltando? Uma emergente tomada de posse para viver ardentemente o patrimônio do Divino Espírito Santo. Dentro desse contexto tudo que é palha, sujeira, liturgia congelada, contendas, fraqueza, falta de temor a Deus, descaso com a Igreja e a triste perda de fiéis será fulminado pelo fogo do Espírito Santo. Sem ardor, sem motivação, sem poder para testemunhar e sem amor pela salvação das almas não existe cristão verdadeiro e nem futuro para a Igreja, a família e a sociedade. 

Deve-se meditar profundamente em tais afirmações: sem a atuação do  Espírito Santo não existe conversão (Jo 16, 8-11; Atos 2,38); sem Ele não pode haver o poderoso batismo de plenitude (Atos 1, 5; 2,1-4); sem Ele não existe força para orar, proclamar o Evangelho e realizar sinais, prodígios e maravilhas (Atos 4, 24-31; 1 Cor 12, 1-13); sem Ele jamais o amor de Deus será derramado em nossos corações (Rm 5,4); sem Ele ficamos totalmente surdos para as coisas da Santa Igreja (Ap 2,7; 3,6). Disse o célebre Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho de Hipona: “O Espírito Santo nos foi enviado, não para informar sobre a órbita do Sol, da Lua e das estrelas, mas para que possamos ser discípulos de Jesus”. Realmente, ser discípulo do Divino Mestre é ser tomado pelo Paráclito (cf. Atos 6, 1-7).

Só com absoluta submissão ao Espírito Santo pode-se desfazer toda incompatibilidade eclesiológica, liturgia fria, ambição por cargos eclesiásticos, corrupção, imoralidade, inveja e perseguição. O Espírito Santo é a chave que abre todas as portas para a comunhão e o ecumenismo. Mais do que nunca, precisamos entender o mover do Paráclito para os dias atuais e se envolver com Ele em constante renovação e dons carismáticos! (Cf. 1 Pd 4, 10.11). A nossa radical missão é ganhar as almas para o Reino de Deus pela força do Espírito Santo!


Pe. Inácio José do Vale
Pesquisador de Seitas -  Professor de História da Igreja - Instituto de Teologia Bento XVI - Sociólogo em Ciência da Religião

E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com