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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Homilética: 25º Domingo do Tempo Comum - Ano A: "Trabalhadores na vinha do Senhor".


Sempre que a comunidade cristã se reúne ao domingo para ouvir a Palavra e para celebrar a Eucaristia, aproxima-se do Senhor e nEle encontra luz e força para se orientar na vida. Este contato com Deus confirma-nos no Seu amor e aumenta em nós a esperança.

Mais uma vez, na liturgia da Palavra deste domingo, o Senhor nos convida a procurá-lO empilharmo-nos a sério no trabalho da Sua vinha.

O Senhor preocupa-se conosco, procura-nos em cada instante, convida-nos a trabalhar na nossa santificação. Há momentos na vida que são mais próprios para este encontro com Jesus: um acontecimento que nos impressiona, uma leitura que fazemos, um pensamento que nos assalta repentinamente.

Acontece, porém, que nós, por isto ou aquilo, adiamos estes encontros privilegiados. Cedemos à preguiça, ou tentamos fugir ao sacrifício que nos exige uma decisão tomada no momento próprio.

É o Senhor que passa à nossa porta e não devemos fechá-la indelicadamente. Chegará um dia em que o Senhor passará pela última vez. E, como não sabemos quando será, temos de ir vencendo cada uma das ocasiões que nos apresentam.

Segundo a nossa justiça, quem trabalhou mais horas merece maior retribuição. Por isso admiramo-nos e quase nos escandalizamos com o modo de proceder do feitor que paga a todos com o mesmo salário. Com esta parábola, Jesus quer indicar que a paga do dia do juízo, é, fundamentalmente, fruto a bondade de Deus e não em função das horas que trabalharam. Entramos no Reino, antes de mais, porque o Pai nos convida e nos quer fazer felizes. Por isso não podemos pedir-lhe contas nem podemos fazer comparações com os outros. Todos são salvos porque Deus nos deseja salvar e não porque tenham trabalhado mais que os outros. A iniciativa e a realização do plano de Deus provém essencialmente do amor que Deus nos tem.

A parábola mostra-nos ainda que nunca é tarde para começar. O Senhor chama sempre, em todas as horas. Importa estar atento e corresponder ao apelo. A resposta final, por parte de Deus, superara sempre a nossa expectativa.
  
Pontos da ideia principal

Textos: Isaías 55, 6-9; Filipenses 1, 20-24.27; Mateus 20, 1-16

Em primeiro lugar, os legalistas e fariseus hoje gritam a Deus: “é injusto! Nós merecemos mais do que os que trabalharam menos horas…com gente como tu somos incitados à luta de classes, à expansão universal do marxismo socialista e comunista e a arrebentar o odre que, como o odre do mítico Éolo no Tirreno, contém os ventos de todas as tempestades sociais e políticas”. Jogam na sua cara que foi justo na justiça comutativa e legal, mas não na distributiva nem na social. “Proceder assim, Deus, é o melhor para provocar o pior”. A parábola era para os judeus, que como o povo eleito de Deus pareciam os “titulares” da promessa, enquanto que outros não judeus, os pagãos, que podemos considerar como os “suplentes”, não deveriam ter direito a receber a mesma recompensa que eles. Mas também a nós se pode aplicar a mesma lição. Os sacerdotes, religiosos e gente comprometida com a pastoral diocesana ou paroquial podemos ter a tentação de pensar que somos mais acreditados do prêmio que os leigos.

Em segundo lugar, Cristo também grita hoje aos legalistas e fariseus: “Por que tendes inveja porque eu sou bom, inclusive com aqueles que vós pensais que não merecem?”. Jesus nos dá, não uma lição de justiça salarial- o dono da vinha paga todos o justo- mas uma lição da generosidade que Deus tem, que admite como jornaleiros que se apresentam somente na última hora, sem dar uma excessiva importância a este atraso, e logo paga os últimos mais do que lhes competiria de acordo o rigor. Deus não premia só conforme aos nossos méritos, senhores legalistas, mas segundo a sua bondade. A salvação de Deus é sempre gratuita. Este evangelho não é um evangelho social, porque nem a é a notícia de um conflito laboral nem a negativa a uma reivindicação salarial nem a denúncia ou a defesa de uma arbitrariedade patronal, mas um tratado de soteriologia, ou economia da salvação, em forma de parábola: “Deus salva os homens não tanto pela justiça (você fez tanto, merece tanto), mas da misericórdia (que é amor)”. Que tenta se salvar é o homem, mas quem efetivamente salva é Deus. Se não fosse assim, as relações do homem com Deus seriam mercantis: se salva só quem cumpre. 

Finalmente, e nós, o que gritamos hoje a Cristo? “Senhor, dai-nos um coração como o vosso para que aprendamos a ser bondosos de coração na nossa relação com os demais”. A questão é se temos bom coração ou não. Somos às vezes “mão de vaca”, de coração mesquinho, calculadores na nossa relação com Deus e com os irmãos. Acostumamos levar uma contabilidade das horas que trabalhamos para Deus, como seguindo as pautas do contrato laboral, e depois pedimos contas a Deus e pensamos que temos o direito ao prêmio ou ao pagamento. Não projetemos sobre Deus os nossos cálculos e as nossas medidas. Ao contrário, aprendamos Dele a ser misericordiosos e generosos com aqueles que não merecem, segundo a nossa opinião. Ah, se Deus levasse a contabilidade das nossas faltas, não pensaríamos assim como esses legalistas do evangelho.

Para refletir

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes.” Com essas palavras, Bento XVI iniciava o seu pontificado no dia 19 de abril de 2005. Você se lembra daquele momento? Pois bem, o Evangelho de hoje nos fala exatamente da importância de trabalhar na vinha do Senhor. Deus Pai, todos os dias e a todas as horas deseja empregar um novo trabalhador.

Mas, note-se, Deus quer trabalhadores, isto é, pessoas que estejam interessadas em capinar a terra, lavrá-la, prepará-la bem, semear o campo, cuidar das plantinhas e colher os frutos. Talvez não participemos de todas as etapas, mas uma coisa é certa: somos trabalhadores na vinha do Senhor. Nós agradamos a Deus ao arregaçar as mangas para estender o seu reino de amor e de paz. Nesse trabalho é preciso docilidade, esforço e criatividade.

Docilidade! Dizia S. João Maria Vianney que “os santos foram felizes porque seguiram com fidelidade os movimentos que o Espírito Santo lhes inspirava”. Há momentos em que a nossa soberba poderia dizer que nós temos ideias até mesmo melhores que as de Deus. Imagine só… e se você fosse Deus por um dia? Além da impossibilidade do caso, talvez o sujeito em questão procuraria resolver os grandes problemas da humanidade: evitar todos os desastres naturais, dar comida a todos os que padecem fome, desarmar a todos as nações que têm bombas atômicas, evitar todos os abortos que acontecem no mundo inteiro, etc. Essas coisas são boas, então, pergunta-se, porque, ao parecer, Deus não as faz? Mas, impõe-se outra pergunta à nossa consideração: era um bem que o Pai livrasse o seu Filho Jesus Cristo da morte? Certamente. Mas, não foi um bem maior permitir que o Filho sofresse e nos libertasse de todos os nossos pecados, nos abrisse as portas do céu e nos fizesse felizes por toda a eternidade? Sem dúvida. Sendo assim, temos que ter cuidado para não sentar a Deus no banco dos réus e julgá-lo injustamente. O melhor que podemos fazer quando não entendermos os projetos de Deus é ser-lhe dóceis acreditando que ele sabe mais e faz melhor do que nós. Por mais evidente que seja, é preciso que nos lembremos disso para que, inconscientemente, não tomemos o lugar de Deus.

Esforço! Ainda que tudo esteja nas mãos de Deus, ele pede que também nós coloquemos as nossas mãos ao seu serviço, que arregacemos as mangas e trabalhemos na sua vinha. Tudo é graça! É verdade. Mas também é verdade que as coisas dependem de nós e acontecem na medida em que nós fazemos a nossa parte. No trabalho na vinha do Senhor é muito importante que estejamos dispostos a suar a camisa, a criar calos nas mãos, a subir e descer ladeiras nessa plantação de Deus… Temos que mostrar verdadeiro interesse pelas coisas de Deus, não tanto através das palavras, mas através de uma ação generosa e cheia de amor. Deus merece! Perguntemo-nos: interesso-me verdadeiramente em terminar o meu trabalho profissional, momento importante de apostolado, com perfeição e ofereço-o ao Senhor como oferta agradável? Aproveito as ocasiões que a Providência Divina me concede para evangelizar os meus companheiros de trabalho, tanto pelo exemplo de vida quanto pelas palavras? Penso, na oração, como ser mais eficaz no meu apostolado junto aos meus amigos e conhecidos? Rezo para que na vinha do Senhor haja mais trabalhadores para que, efetivamente, “venha a nós o Reino de Deus”?

Criatividade! Já foi dada uma pequena dica no campo da criatividade apostólica: rezar para encontrar novas maneiras de evangelizar as pessoas que entram em contato conosco. Criatividade é fazer uma ligação a uma pessoa para felicitá-la no dia do aniversário e, aproveitar, e convidá-la para ir à Missa nesse dia. Criatividade apostólica é fazer uma reunião de estudos com amigos da Faculdade e aproveitar para terminar com um momento de oração juntos dando uma pequena palestra sobre algum tema relacionado à vida espiritual. Criatividade evangelizadora é convidar alguém para visitar alguma igreja histórica e falar-lhe de Deus. Enfim, cada um tem que inventar as suas maneiras de ser estratégico com os seus amigos, com a sua família, com os seus conhecidos, para oferecer-lhes – respeitando a liberdade deles – o melhor que nós temos: Deus e a vida eterna. Somos trabalhadores na vinha do Senhor e o mais normal é que nós trabalhemos de verdade.
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ZENIT/ Presbíteros