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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A abominação desoladora segundo Daniel, Jesus e a Tradição da Igreja.


“Quando virdes estabelecida no lugar santo a abominação da desolação que foi predita pelo profeta Daniel - o leitor entenda bem”. (Mt 24,15).

Jesus descreve uma profecia anteriormente dita pelo profeta Daniel (Dn 9,27; 11,31;12;11), o profeta profetizou a ocupação das tropas do rei Antíoco IV no templo de Jerusalém em levantando falsos deuses no altar de holocaustos, Antíoco IV foi derrotado posteriormente pelos romanos em 164 a.C. 

A manifestação desoladora parece ser atemporal, pois mesmo tendo ocorrido uma primeira antes da era messiânica nosso Senhor Jesus nos fala de uma outra desolação a qual arrasará o templo. No ano 70 d.C o templo foi destruído pelo exercito de Tito Flávio e ainda no século II o imperador Adriano mandou colocar uma estatua de Júpiter sobre as ruínas do templo. O historiador judeu Flávio Josefo falando sobre a invasão de 70 d.C diz haver morrido um milhão e cem mil pessoas (Guerra judaica, VI, 420). No cerco de Jerusalém a cidade estava super povoada com a visita de peregrinos judeus de todo o mundo que vieram para o pesach, o que supõe que o número de mortos citado por Flávio Josefo se aproxima da realidade. 

Se vier a acontecer a derradeira desolação, segundo a interpretação dos pais e santos da Igreja será em solo israelita, disse São Vicente: “os judeus obstinados pensando ser seu Deus o anticristo, repararão o templo de Jerusalém” (tradución del capítulo VII Libro del Anticristo:declaración... del sermón de San Vicente, 1496,Ediciones Universidad de Navarra, 1999, p.25), “restaurará o templo do Senhor em Jerusalém e fará que nele seja colocada a imagem de ouro do anticristo” (Beato de Liébana). Santo Isidoro disse “o anticristo reparará o templo de Jerusalém e tentará restaurar todas as cerimonias” (Etymologies, 3,11).
As mentes férteis ao fazerem montagens hermenêuticas para atacar a Igreja tentam relacionar esses eventos para denegrir a imagem do corpo do Senhor, descaracterizam todas as profecias que mostram as abominações de Jerusalém e as transferem para Roma com versos fraudulentos como “Roma será a sede do anticristo” ou “Roma perderá a Fé”, uns chegaram ao absurdo de utilizar essa passagem para atirar contra o encontro de Assis, segundo L'Osservatore Romano o significado do encontro na cidade do Poverello foi um evento em prol da paz mundial em combate a intolerância religiosa com o lema “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”. O próprio João Paulo II explicou naquele 27 de outubro de 1986: não se trata de “um consenso religioso” nem de “negociar as nossas convicções de fé”, nem que “as religiões se conciliem num projeto terreno comum que ultrapasse a todas”, o encontro procurou especialmente conjurar o perigo da confrontação com o islã.

Outros chegaram num critério até cômico de associar a profecia danielitica ao templo de Edir Macedo, subentendendo que a cidade de São Paulo seria o “lugar santo” citado por Jesus pelo fato da nomenclatura levar o nome de um santo Apóstolo, quando o Apóstolo Paulo diz “ao ponto de ir pessoalmente sentar no templo de Deus” (2Ts 2,4) ele se refere ao antigo templo judaico, assim explica Santo Irineu: o Pai de nosso Senhor, por ordem do qual foi construído o templo de Jerusalém (...) no qual se assentará o adversário querendo passar por Deus, conforme diz também o Senhor: “Quando virdes a abominação da desolação, de que fala o profeta Daniel, instalada no lugar santo...” (S. Ireneu de Lião, Contra as heresias, Livro V, 25,2; ed. Paulus, p. 585).



Paulo Leitão de Gregório