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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Papa: "Horóscopos, ideologias, modas e slogans, as barcas que se afundam!"


Papa Francisco

ANGELUS
Praça de São Pedro 
domingo, agosto 13, 2017



Caros irmãos e irmãs, as minhas saudações!

A página do evangelho de hoje (Mt 14, 22-33) descreve o episódio em que Jesus, depois de ter rezado toda a noite na margem do lago da Galileia, se dirige para a barca dos seus discípulos, caminhando sobre as águas.

A barca encontra-se no meio do lago, bloqueada por um vento contrário. Logo que veem Jesus a caminhar sobre as águas, os discípulos pensam que é um fantasma e têm medo. Mas ele dá-lhes confiança: «coragem, sou eu, não tenhais medo!» (v. 27) Pedro, com a sua habitual impetuosidade diz-lhe : «Senhor, se és tu, manda-me caminhar até ti sobre as águas!» E Jesus chama-o: «Vem!» (vv. 28-29). Pedro desce da barca e mete-se a caminhar sobre a água em direção a Jesus. Mas por causa do vento, tem medo e começa a afundar-se. Então grita: «Senhor, salva-me!» E Jesus estende-lhe a mão e agarra-o (vv.30-31).

Este relato do evangelho contém um rico simbolismo e faz-nos refletir sobre a nossa fé, enquanto indivíduos e enquanto comunidade eclesial, e também sobre a fé de cada um de nós aqui presentes nesta Praça de S. Pedro.

A comunidade, esta comunidade eclesial, tem fé? Como é a fé de cada um de nós e a fé da nossa comunidade?

A barca é a vida de cada um de nós, mas é também a vida da Igreja; o vento contrário representam as dificuldades e as provações. A invocação de Pedro: “ Senhor, ordena que venha até ti!” e o seu grito “salva-me” parecem-se com o nosso desejo de sentir a proximidade do Senhor, mas também o medo e a angústia que acompanham os momentos mais duros da nossa vida e da vida das nossas comunidades, marcada por fragilidades internas e por dificuldades externas.

Para Pedro, não foram suficientes as palavras de Jesus, que eram como a corda que Jesus lhe estendia para se agarrar e enfrentar as águas hostis e turbulentas. É o que nos pode acontecer também. Quando não nos agarramos à Palavra de Deus, mas consultamos os horóscopos e as cartomantes, começamos a afundar-nos. Isto mostra que a fé não é muito forte. O evangelho de hoje lembra-nos que a fé no Senhor e na sua palavra não nos abre um caminho onde tudo é fácil e tranquilo; ela não nos tira das tempestades da vida. A fé nos dá a segurança de uma Presença, não se esqueçam disso. A fé nos dá a segurança de uma Presença; a presença de Jesus que nos impulsiona para ultrapassar as tempestades existenciais, a certeza de uma mão que nos agarra, mesmo quando está escuro. A fé, em resumo, não é uma fuga dos problemas da vida, mas ela é um sustentáculo no caminho e dá um sentido à vida. 

Este episódio é uma magnífica imagem da realidade da Igreja de todos os tempos: uma barca, que ao longo da travessia, deve enfrentar também os ventos contrários e as tempestades, que ameaçam afundá-la. O que a salva, não são a coragem nem as qualidades dos seus homens; a garantia contra o naufrágio é a fé em Jesus e na sua palavra. Eis a garantia.

Nesta barca estamos em segurança, apesar das nossas misérias e das nossas fraquezas, sobretudo quando nos ajoelhamos e adoramos o Senhor, como os discípulos que no fim, se prostraram diante dele e disseram: «verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» (v.33). Que belo é dizer a Jesus: «verdadeiramente tu és o Filho de Deus». Digamo-lo juntos: «verdadeiramente, tu és o Filho de Deus!» Mais uma vez! «Verdadeiramente tu és o Filho de Deus!»


Que a Virgem Maria nos ajude a perseverar bem firmes na fé para resistir nas tempestades da vida, a permanecer na barca da Igreja, e rejeitando a tentação de subir para as barcas encantadas mas pouco seguras das ideologias, das modas e dos slogans.
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ZENIT