Adsense Teste

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Homilética: 21º Domingo Comum - Ano A: "A missão de Pedro na Igreja por vontade de Cristo é presidir na caridade".


“Tu és o Cristo” (Mt 16,16), eis a profissão de fé de Pedro. “Tu és Pedro” (Mt 16,18), eis a demonstração de que Deus confia nos homens. Na clausura do Ano Sacerdotal, o então Papa Bento XVI falava da audácia de Deus, que consiste em confiar nos homens a tal ponto de fazer deles instrumentos e canais da graça. Realmente, Deus confia em nós! Não nos necessita, mas quis necessitar de nós. Todos juntos, bem unidos ao Papa, ganharemos o mundo para Cristo: essa é a santa audácia dos cristãos e, de maneira especial, dos fiéis leigos.

O mesmo Senhor foi quem colocou Pedro à frente da sua Igreja. Como resposta a um ato de fé da parte de Pedro, Jesus o louva e lhe anuncia a missão que pensou para ele na primeira comunidade: presidir na caridade. E faz isso com três imagens: a pedra, as chaves, e o ato de atar e desatar.

Pontos da ideia principal

Textos: Is 22, 19-23; Rm 11, 33-36; Mt 16, 13-20

Em primeiro lugar, Pedro será a pedra sobre a qual Jesus quer edificar a sua Igreja. Para isso, Cristo muda o seu nome: de Simão para Kefas, isto é, Pedra em aramaico, que traduzimos Pedro em grego, e que no Novo Testamento ressoa 163 vezes. Só Jesus e este apóstolo no Novo Testamento recebem tal apelativo: pedra. Pedro a rocha sobre a que estamos fundados, quando sabemos que negou a Cristo? Não. A Rocha é Cristo. Mas Pedro, precisamente pela sua profissão de fé que soube formular com tanta decisão, é o sinal visível desse fundamento sólido que é Cristo. O sentido está claro: Pedro tem na história a missão de fazer visível a função de fundamento, de unidade, de estabilidade de Cristo com relação à sua Igreja. Os crentes em Cristo não estarão dispersos ou isolados, mas se encontrarão juntos ao redor da pedra de Pedro, que no nome de Cristo reúne a Igreja de Deus. Não é uma autoridade de privilegio, mas de serviço no amor. Durante vinte e um séculos esta Igreja foi açoitada pelos ventos, tempestades e ondas imensas: perseguições, heresias, cismas, etc. Porém, continua firme, porque esta Igreja é guiada pelo Espírito Santo e tem como pedra angular a Cristo, o Filho do Deus Vivo.

Em segundo lugar, ademais Cristo lhe dará as chaves dessa comunidade que Cristo quer fundar. A chave de uma casa, de um cofre precioso ou da leitura de um texto, é sinal de uma autoridade em sede jurídica, administrativa ou cultural. As chaves são necessárias para manter fechadas ou abrir no momento oportuno as portas de uma casa. Pedro de agora em adiante será aquele que dispensará os tesouros da salvação; será o canal através do qual a palavra de Cristo será comunicada e interpretada; será o caminho através do qual os dons do amor de Deus serão continuamente e visivelmente infundidos na comunidade cristã. Vinte e um séculos têm pretendido tirar uma cópia destas chaves que Cristo concedeu a Pedro nos chaveiros ideológicos do mundo, mas na hora de querer introduzir a chave, não entrava na fechadura desta Igreja una, santa, católica e apostólica.

Finalmente, Jesus concede a Pedro a potestade de atar e desatar, que no judaísmo indicava o ato legal da proibição e da permissão. É a definição de Pedro como guia na moral e, sobretudo, no perdão dos pecados. É uma missão da que participam todos os apóstolos. Missão também de consolar, de admoestar, de exortar, de guiar o povo de Deus. Durante vinte e um séculos alguns quiseram arrogar esta potestade, proclamando que têm linha direta com Deus; outros, de corte liberal e libertino, acreditam que possuem a permissão de fazer o que quiserem, sem necessidade de permissões nem proibições. E assim foi: passarão pelas páginas da história da Igreja como hereges, cismáticos e renegados. 

Para refletir

O Evangelho (Mt 16, 13-20) nos apresenta Jesus com os seus discípulos em Cesareia de Filipe. Enquanto caminham, Jesus pergunta aos Apóstolos: “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?” E depois que eles apresentaram as várias opiniões que as pessoas tinham, Jesus pergunta-lhes diretamente: “E vós, quem dizeis que eu sou?”.

Disse o Papa João Paulo II, em 1980: “Todos nós conhecemos esse momento em que já não basta falar de Jesus repetindo o que os outros disseram, em que já não basta referir uma opinião, mas é preciso dar testemunho, sentir-se comprometido pelo testemunho dado e depois ir até aos extremos das exigências desse compromisso. Os melhores amigos, seguidores, apóstolos de Cristo, foram sempre aqueles que perceberam um dia dentro de si a pergunta definitiva, incontornável, diante da qual todas as outras se tornam secundárias e derivadas: “Para você, quem sou Eu?” Todo o futuro de uma vida “depende da nossa resposta nítida e sincera, sem retórica nem subterfúgios, que se possa dar a essa pergunta”.

Essa pergunta encontra particular ressonância no coração de Pedro, que, movido por uma graça especial, respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Jesus chama-o bem-aventurado (Feliz és tu, Simão…) por essa resposta cheia de verdade, na qual confessou abertamente a divindade dAquele em cuja companhia andava há vários meses. Esse foi o momento escolhido por Cristo para comunicar ao seu Apóstolo que sobre ele recairia o Primado de toda a sua Igreja: “Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la…”.

Pedro confessou sua fé no Cristo, Filho de Deus vivo, graças à escuta de sua palavra e à cotidiana convivência. O Discípulo reconheceu o Messias porque a revelação do Pai encontrou nele abertura e acolhida. Quer dizer, descobre a verdade dos desígnios de Deus quem se deixa iluminar pela luz da fé. Com razão, reconhece o Documento de Aparecida: “A fé em Jesus como o Filho do Pai é a porta de entrada para a Vida.” Como discípulos de Jesus, confessamos nossa fé com as palavras de Pedro: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo” (DAp, 100). A fé é um dom de Deus, é uma adesão pessoal a Ele. Crer só é possível pela graça e pelos auxílios interiores do Espírito Santo.

Para dar uma resposta convincente de fé, os cristãos precisam conhecer a fundo Jesus Cristo, saber sempre mais sobre sua pessoa e obra, pela leitura e meditação dos Evangelhos e pelos encontros com Ele por meio da ação litúrgica, em particular, dos sacramentos.

“Tu és Pedro…”. Pedro será a rocha, o alicerce firme sobre o qual Cristo construirá a sua Igreja, de tal maneira que nenhum poder poderá derrubá-la. E foi o próprio Senhor que quis que ele se sentisse apoiado e protegido pela veneração, amor e oração de todos os cristãos. Se desejamos estar muito unidos a Cristo, devemos estar sim, em primeiro lugar, a quem faz as suas vezes aqui na terra. Ensinava São Josemaria Escrivá: “Que a consideração diária do duro fardo que pesa sobre o Papa e sobre os bispos, te leve a venerá-los, a estimá-los com a tua oração” (Forja, 136).

O nosso amor pelo Papa não é apenas um afeto humano, baseado na sua santidade, simpatia, etc. Quando vamos ver o Papa, escutar a sua palavra, fazemo-lo para ver e ouvir o Vigário de Cristo, o “doce Cristo na terra”, na expressão de Santa Catarina de Sena, seja ele quem for. O Romano Pontífice é o sucessor de Pedro; unidos a ele, estamos unidos a Cristo.


Jesus continua perguntando-nos: “quem dizeis que eu sou?”. Para responder, não basta procurar na memória alguma fórmula que aprendemos no catecismo, ou ouvimos de outros ou lemos nos livros. É preciso procurar no coração, em nossa fé vivida e testemunhada. Assim descobriremos o que Jesus representa, de fato, em nossa vida.