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domingo, 4 de junho de 2017

Um Bispo escreve aos jovens de Manchester: "Pobres filhos da sociedade que não reconhece o Mal".


Caríssimos filhos – sinto-me inclinado a chamar-vos assim, ainda que não vos conheça, pois 
nas longas horas de insônia depois de saber deste terrível atentado em que muitos de vós perderam a vida e muitos outros ficaram feridos, senti-me ligado a vós de uma maneira especial.

Viestes a este mundo - muitas vezes sem ser sequer desejados - e ninguém vos deu as “razões adequadas para viver”, como nos dizia o grande Bernanos à sua geração de adultos. Puseram-vos na sociedade dando-vos dois grandes princípios: que podem fazer aquilo que quiserem porque todo o vosso desejo é um direito e que é importante ter o maior número de bens de consumo.
  
Crescestes assim, assumindo como óbvio que tínheis tudo, e quando tínheis algum problema existencial – antes dizia-se assim – e o dizíeis aos vossos pais - aos vossos adultos – estava já pronta a sessão de psicanálise para resolver esse problema. Eles esqueceram-se só de dizer-vos que existe o Mal. E o Mal é uma pessoa, não é uma série de forças ou de energias. É uma pessoa. Esta pessoa escondeu-se ali, durante o vosso concerto, e a asa terrível da morte, que traz consigo, apanhou-vos.
  
Meus filhos, vós morrestes assim, quase sem razões, da mesma maneira que vivestes. Não vos preocupeis, não vos ajudaram a viver mas far-vos-ão um “óptimo” funeral, no qual se exprimirá ao máximo este pacote retórico laicista e onde estarão todas as autoridades presentes – infelizmente também as religiosas – de pé, silenciosas. É claro que os vossos funerais serão ao ar livre, também para os crentes, porque agora o único templo é a natureza.

Robespierre com certeza que iria rir, porque nem ele chegou a fantasiar isto. Aliás, nas igrejas já não se fazem mais funerais porque, como diz nos dias de hoje o Cardeal Sarah, nas igrejas católicas já se celebram os funerais de Deus. Não se esquecerão de colocar os vossos peluches, as vossas memórias de infância e dos primeiros anos da vossa juventude. Depois, tudo acabará com a retórica de quem não tem nada a dizer perante as tragédias, porque nada tem a dizer sobre a vida.

Espero que ao menos um destes gurus – culturais, políticos e religiosos – guarde a sua língua e não nos venha com os habituais discursos a dizer que “não é uma guerra de religiões” e que “a religião é por sua natureza aberta ao diálogo e à compreensão”. Alegrar-me-ei com isso, se houver simplesmente um momento silencioso e de respeito, sobretudo pelas vossas vidas mutiladas do ódio do demônio, mas também pela verdade. Isto porque os adultos deviam de ter, antes de mais, respeito pela verdade. Até podem não a servir, mas devem-lhe respeito.
  
Eu, no entanto, que sou um bispo velho que ainda acredita em Deus, em Cristo e na Igreja, celebrarei a Missa por todos vós no dia do vosso funeral, para que do outro lado – qualquer que sejam as vossas práticas religiosas – encontreis o querido rosto de Nossa Senhora que, mantendo-vos abraçados, vos consolará desta vida desperdiçada, fugida não por vossa culpa mas por culpa dos vossos adultos.


Mons. Luigi Negri, 
Arcebispo de Ferrara-Comacchio in La Nuova Bussola Quotidiana
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Tradução: Senza Pagare