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quarta-feira, 7 de junho de 2017

Filipinas: Cristãos e muçulmanos condenam profanação da Catedral


Os terroristas do grupo islamista Maute, que se declara ligado ao autoproclamado Estado Islâmico, atacaram a catedral católica de Marawi City, nas Filipinas, e sequestraram cerca de quinze pessoas, entre fiéis, um sacerdote e algumas religiosas que rezavam na igreja. A notícia divulgada pela Agência Fides tem como fonte o próprio dom Edwin de la Pena, bispo de Marawi City. A localidade fica na ilha de Mindanao, região sul do país.

Aproximadamente cem ativistas do grupo Maute ocuparam a cidade na semana passada. Em resposta, o presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, impôs a lei marcial na ilha de Mindanao.

Dom Edwin explicou à Fides:

“Os fiéis estavam na igreja para rezar a Nossa Senhora no último dia da novena [a Maria Auxiliadora]. Os terroristas invadiram a igreja e fizeram todos reféns. Não sabemos para onde os levaram. Entraram também na residência do bispo e sequestraram o vigário geral, o pe. Teresito Soganub. Depois tocaram fogo na catedral e na casa episcopal. Ficou tudo destruído. Estamos muito abalados”.

O bispo se salvou porque estava em visita pastoral a um povoado nos arredores de Marawi. Mencionando as ameaças que a Igreja vinha recebendo ao longo dos últimos meses, ele prossegue:

“Os terroristas ocuparam a cidade. As pessoas estão aterrorizadas e encerradas em casa. Agora estamos à espera da reação do exército. Por enquanto é questão de retomar a cidade com o menor derramamento de sangue possível. Não se fala dos reféns. Acionamos os nossos canais, a Igreja, os líderes islâmicos, e esperamos começar logo as negociações para que eles sejam libertados sãos e salvos.

Aconteceu precisamente na véspera da festa de Maria. É a ela que pedimos ajuda. A ela, que é o auxílio dos cristãos, pedimos pela salvação dos nossos fiéis. Só ela pode vir em nosso resgate. Também fazemos um apelo ao Papa Francisco para que reze por nós e peça aos terroristas para libertarem os reféns em nome da nossa humanidade comum. A violência e o ódio só trazem destruição. Pedimos também aos fiéis de todo o mundo que rezem conosco pela paz”.

Em resposta ao ataque, o presidente Duterte interrompeu sua visita a Moscou para regressar às Filipinas e enfrentar a crise. O grupo que invadiu Marawi incendiou até a prisão local e duas escolas.

Enquanto a maior parte dos filipinos é católica, o sul do país tem maioria muçulmana. A ilha de Mindanao sofre há décadas com a ação violenta de um movimento separatista islâmico. A cidade de Marawi, ali situada, tem cerca de 200 mil habitantes, na maioria seguidores do islã.

Condenação

Um bispo católico e um clérigo muçulmano condenaram na terça-feira a profanação da Catedral em Marawi e a destruição de suas imagens sagradas.

O sacrilégio aconteceu quando homens armados pertencentes ao grupo terrorista islâmico Maute – que tomaram a cidade por cerca de duas semanas - invadiram o templo, provocando destruição em seu interior e o incêndio na Catedral.

O governador da Região Autônoma Muçulmana  Mindanao muçulmano (ARMM) também denunciou o ataque à Catedral de Santa Maria e instou as pessoas a não permitirem que o incidente cause divisão entre muçulmanos e cristãos na região.

Blasfêmia

O Bispo de Marawi, Edwin de la Peña, criticou o incêndio da catedral e a destruição de imagens do Jesus Crucificado, da Virgem Maria e São José, atribuindo o ato a pistoleiros, que "pisotearam a fé católica".

"Isso é blasfêmia. É inaceitável. É óbvio que suas ações estão realmente fora desse mundo. É demoníaco ", disse Dom De la Peña em uma nota publicada no site da Conferência Episcopal das Filipinas (CBCP).

Um vídeo do ataque na Catedral foi publicado na página do Facebook "Duterte Ang Pagbabago" na segunda-feira.

As imagens mostram homens armados espalhados dentro da Catedral ,quebrando e pisoteando as imagens de Jesus, de Virgem Maria e São José e rasgando cartazes do Papa Francisco e do Papa Bento XVI.

Jovens armados, principalmente adolescentes, foram vistos depois ateando fogo na catedral.
Isso é proibido

Alim Abdulmuhmin Mujahid, Diretor Executivo da Darul Ifta (Câmara de Opinião) no ARMM, disse que seu grupo "condena veementemente a profanação" da Catedral. Um "alim" é um sacerdote muçulmano. A forma plural do termo é "ulama".

"[O] santo Profeta Maomé, que a paz esteja com ele, proíbe a profanação de lugares sagrados, especialmente igrejas e sinagogas", disse Mujahid em uma declaração escrita enviada ao ‘Inquirer’.

Mujahid foi um dos organizadores da Cúpula de Ulama Contra o Terrorismo realizada na cidade de Cotabato nos dias 13 e 15 de maio. Ele é o vice-presidente do Conselho Basilan Ulama.

Ato "não-islâmico"

O governador do ARMM, Mujiv Hataman, classificou o ataque da Catedral "não-islâmica" e exortou todos os muçulmanos em Mindanao a condenar a ação dos terroristas ligados ao grupo do Estado islâmico (IS).

"Exorto todos os muçulmanos a condenar o que o Maute fez no local de adoração de nossos irmãos e irmãs cristãos", disse Hataman na terça-feira, acrescentando que os muçulmanos e os cristãos não devem cair na armadilha Maute.

"A intenção do Maute ao fazer isso, era provocar nossos irmãos e irmãs cristãos para fazerem ações de retaliação extremas", disse ele.

O ataque à Catedral não deve causar uma ruptura entre cristãos e muçulmanos, reiterou. "Neste ponto, temos que ser fortes e unidos na luta contra o terrorismo no país", disse Hataman.

Algo impensável

No comunicado divulgado no site dos bispos, Dom De la Peña disse que tinha informações de que o grupo Maute tinha um plano para atacar e destruir a Catedral, mesmo antes de os terroristas terem sitiado Marawi no dia 23 de maio.

"Mas nós não levamos isso a sério porque para nós era impensável que isso pudesse acontecer na cidade de Marawi", afirmou.

"Estamos irritados com o que aconteceu. Nossa fé realmente foi pisoteada ", disse De la Peña.

Homens armados vieram para a cidade na tarde de 23 de maio, após uma tentativa militar de capturar Isnilon Hapilon, um líder do grupo de bandidos de Abu Sayyaf, que havia prometido fidelidade a IS e é aliado dos Maute.

Eles atacaram a Catedral e levaram o vigário de Marawi, Pe. Teresito Suganob e mais de 200 civis como reféns.

O ataque levou o presidente Duterte a declarar a lei marcial em todo Mindanao e suspender o privilégio do recurso de habeas corpus na ilha por 60 dias.

Uma operação militar para desalojar os terroristas levou à morte de 120 terroristas, 39 soldados e policiais.

As autoridades estimam o número de mortos civis entre 20 e 38, Funcionários dizem que 1.469 civis foram resgatados. (JE)
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Rádio Vaticano (JE/Inquirer)