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terça-feira, 6 de junho de 2017

Deus poderia ter perdoado Adão e Eva?


Não deixa de ser interessante, de todo modo, que um “ateu” reconheça que Deus pode perdoar o homem e que há um estado perfeito de vida que antecede o pecado do homem e que em tal estado de perfeição o homem não está fadado às consequências do pecado. 


Encontrei este print no Facebook e resolvi escrever sobre a tese que ele questiona. Todos conhecem as consequências do pecado humano: o fratricídio (Caim matou Abel), a mentira, o roubo, o engano, a fraude, as ilusões, os pecados e os vícios de toda ordem, etc. Todos podem compreender pela via simples da razão que o mundo seria melhor se nele não houvesse o pecado. Por esse motivo, fez-se este post: “Se Deus manda perdoar 70 vezes 7 então por que Ele não perdoou Eva e impediu que tanta tragédia acontecesse?”. 

É impossível neste ponto não olhar para Maria, a Imaculada, concebida sem a mancha original do pecado de Adão e Eva. Ela nascera pura, sem a humana inclinação para o pecado fruto da queda de nossos pais. Sobre ela não pesaram as consequências do pecado: vícios, imoralidades, concupiscência, sentimentos desordenados, ódio e rixas, etc. Ela fora a criatura mais perfeita criada por Deus. Sobre ela não pesou o que pesa sobre todos nós! Se Eva não tivesse pecado, seríamos todos como Maria! 

A resposta à interpelação feita é bem simples: Há maior mérito no homem que vence, por meio da graça santificante, a sua natureza humana decaída do que no homem que nunca pecou. Maria fora preservada do pecado em vista dos méritos de Cristo. Isto nos garante a Igreja quando proclamou o dogma da Imaculada Conceição. Portanto, não por seus próprios méritos, mas, puramente por graça divina – os méritos salvíficos de Cristo – Maria fora preservada do pecado. Os méritos que ela conquistou foram posteriores à sua concepção imaculada e se devem à sua fidelidade a Deus em toda a sua vida. 

Deus quis cumular o ser humano de méritos, coroá-lo de dons proporcionais ao seu esforço e mérito pessoal quando este é capaz de adequar sua vontade rebelde à graça santificante. Assim como os méritos são proporcionais às virtudes adquiridas, também as penas do inferno são proporcionais aos pecados praticados. Ademais, é muito mais nobre e honroso a Deus perdoar a ofensa sofrida do que simplesmente evitar ser ofendido pelo ser criado. Assim, a “segunda criação” ou como chamamos a nossa redenção em Cristo Jesus é muito mais meritória e maior que a primeira criação, ou a criação do mundo. Isto nos garantem os Santos Padres em suas homilias sobre a redenção e a cruz ao compará-la com o Éden. 

São Paulo mesmo já iniciou esta comparação quando afirmou que pela desobediência de um homem (Adão) entrou o pecado e a morte no mundo e pela obediência de um só, Cristo, entrou a graça e a salvação (Mt 5,18-19). Depois, os Santos Padres compararam a Cruz com a Árvore da Vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal. No Éden a árvore do conhecimento do bem e do mal traria a morte por que faria o homem equivaler-se a Deus, na cruz de Cristo que é a Árvore da Vida todos se tornam Filhos de Deus pelo Batismo quando passam pela morte e ressurreição de Jesus que assumiu a nossa morte para nos dar a Vida. Comparam ainda Maria e Eva. Aquela mulher pecou pela desobediência e assim trouxe a morte ao mundo e esta, pela obediência trouxe a vida. Por isso, com razão, Maria é chamada na Igreja de “a nova Eva”, como Cristo é chamado de “o novo Adão”.

Conclusão

Deus poderia ter evitado que Eva pecasse ou poderia tê-la perdoado e assim evitaria todas as consequências do pecado original. Porém, para haver perdão precisa haver arrependimento. Eva e Adão pecaram com a plena advertência de Deus e de sua razão. Foram livres para estender a mão e tomar do fruto do mesmo modo como foram livres para ouvir a sanção categórica de Deus: “dele não comereis, nele não tocareis, porque no dia em que dele comerdes havereis de morrer” (Gn 2,17). Deus deu o justo castigo a Adão e Eva que mereceu seu pecado. Ademais, o perdão de Deus não apaga as consequências do pecado. O que os nossos pais viveram após o pecado foi a consequência de sua escolha feita. Do mesmo modo acontece conosco. Se não nos arrependermos, não fizermos penitência e não buscarmos as vias de reconciliação que a Igreja nos ensina para repararmos a justiça ferida pelos nossos atos de pecado, nós ficaremos – como Adão e Eva – devedores na eternidade das consequências dos pecados, da justiça ferida, e então nós expiaremos as consequências de nossos pecados – que são pessoais, eclesiais e sociais – que fere a justiça divina no purgatório.


Padre Luís Fernando