segunda-feira, 12 de junho de 2017

China: “Os comunistas têm medo de Nossa Senhora de Fátima”.


O cardeal Joseph Zen Ze-kiun, bispo emérito de Hong Kong, foi convidado pela ACN (Ajuda à Igreja que Sofre) da Alemanha para falar no Dia dos Encontros que se realizou no santuário de peregrinação alemão de Kevelaer no dia 13 de maio. Ele conversou com Berthold Pelster (ACN Alemanha) sobre o papel da igreja católica na reconstrução da sociedade chinesa e o porquê de os comunistas terem medo de Nossa Senhora de Fátima.

ACN: Durante as últimas quatro décadas, a República Popular da China sofreu uma enorme mudança social – as reformas, especialmente as econômicas, permitiram o seu avanço para um grande poder econômico e tecnológico. Que papel a ideologia comunista ainda desempenha nesse processo hoje?

Cardeal Joseph Zen Ze-kiun: Na verdade, a liderança na China nunca levou a ideologia comunista muito a sério. Em vez disso, o comunismo chinês é uma forma de imperialismo desenfreado. A corrupção desenfreada, também dentro do partido, atesta isso. Tudo é sobre poder. A obediência absoluta à liderança estatal é a única coisa que conta. E através da abertura do setor econômico e da crescente afluência, tudo isso está piorando. A riqueza alimenta a corrupção em níveis cada vez maiores.

Observadores políticos dizem que a situação dos direitos humanos realmente se deteriorou sob o atual presidente, Xi Jinping. Que observações Vossa Eminência faz?

No início, eu tinha grandes esperanças porque o presidente tomou medidas contra a corrupção tanto no governo, quanto na sociedade. Mas, rapidamente ficou evidente que ele também estava interessado apenas no poder. As pessoas que lutam pelos direitos humanos passaram a ser reprimidas, perseguidas, humilhadas e condenadas em julgamentos de propaganda em nome do seu governo.

Pode nos dizer algo sobre o estado atual das negociações entre a liderança chinesa e a Santa Sé?

Infelizmente, pouco se sabe sobre essas conversas. Ainda há muitos outros problemas. Eu calculo que as negociações ainda levem muito tempo. Na minha opinião, a liderança do Estado não aceitará qualquer outro resultado do que a subjugação da igreja à liderança do Partido Comunista. Os bispos da igreja subterrânea, por exemplo, foram forçados a participar de cursos de formação política durante a Semana Santa e, portanto, não puderam celebrar a liturgia com os seus fiéis. O Papa Bento XVI falou da reconciliação em sua carta aos católicos da China em 2007 e para ele, isso significava em grande parte uma reconciliação espiritual. Mas muito ainda precisa ser feito! 

Isso soa muito pessimista. O que Vossa Eminência espera que vai acontecer com o cristianismo na China?

Tudo depende de saber se conseguiremos viver nossa fé de forma autêntica – sem fazer muitos compromissos com o governo. Há cristãos na China que defendem corajosamente uma sociedade melhor. No entanto, muitos deles estão na prisão! Se o comunismo cair um dia, então os católicos devem estar entre aqueles que irão construir uma nova China. No entanto, isso só vai funcionar se os católicos já não desperdiçarem sua credibilidade de antemão, fazendo compromissos vazios com a liderança comunista.

Hoje em dia, nós, católicos, estamos nos lembrando das aparições de Nossa Senhora de Fátima que aconteceram exatamente há 100 anos. As mensagens de Nossa Senhora de Fátima nos advertem contra a ideologia ímpia do comunismo. Os católicos na China estão conscientes dessas mensagens?

Claro! Todos nós ouvimos falar das mensagens de Fátima. Até os comunistas! Elas os deixam muito ansiosos. Os comunistas têm medo de Nossa Senhora de Fátima! Toda a situação está se tornando ridícula: por exemplo, os comunistas nada têm contra as pessoas levarem fotos de “Maria Imaculada” ou representações da imagem milagrosa de “Maria Auxiliadora” para a China vindas do exterior. Porém, fotos de “Nossa Senhora de Fátima”, por outro lado, não são permitidas. Eles consideram os eventos em Fátima como “anticomunistas”. O que é, naturalmente, nada além da verdade!

Então a liderança chinesa faz distinções. No entanto, a veneração a Maria sob o título de “Auxiliadora” também tem um significado especial para a China: na sua festa de 24 de maio, a Igreja Católica realiza um dia de oração mundial para a Igreja na China. O Papa Bento XVI apresentou esse dia em 2007. Qual é o significado desse dia de oração?

A veneração de Nossa Senhora sob o título de “Auxiliadora” está profundamente enraizada em toda a China e tem sido assim por muito tempo. Esse título não se refere apenas à ajuda para os fiéis individuais, mas também para ajudar a igreja como um todo. O principal perigo na China hoje é o ateísmo materialista. Infelizmente, este dia de oração, que é válido para a Igreja Católica em todo o mundo, é muito pouco conhecido. Não é levado a sério o suficiente.
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Aleteia/ ACN

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