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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Pedagogia Litúrgica para Maio de 2017: "Catequese litúrgica - Tempo Pascal".


O Tempo Pascal inicia-se na segunda-feira da Oitava da Páscoa e conclui-se no Domingo de Pentecostes. Alguns autores consideram o início do Tempo Pascal na conclusão da Oitava da Páscoa. De minha parte, proponho o período do Tempo Pascal a partir da segunda-feira da Oitava da Páscoa.

Oitava da Páscoa 

A Oitava da Páscoa é um período de oito dias, como sugerido pela terminologia, que, liturgicamente, é celebrado como um único dia de festa. Do ponto de vista celebrativo, a Oitava da Páscoa tem a finalidade de prolongar a alegria pascal por oito dias, um significado indicativo da alegria espiritual que invade a Igreja com a vitória da vida sobre a morte, na Ressurreição de Jesus. 

Segundo e terceiro Domingos do Tempo Pascal – A

Os dois primeiros Domingos do Tempo Pascal, no Ano A, depois da Oitava da Páscoa, proclamam o Evangelho que anuncia quatro dons pascais: o Espírito Santo, a fé, a Eucaristia e o anuncio evangelizador. Sobre as demais leituras e, igualmente, sobre os demais Domingos pascais, dos Anos B e C, tratarei em outra oportunidade.

No 2º Domingo da Páscoa - A, o inicio do Evangelho relata o dom do Espírito Santo, indicativo de que de ora em diante eles seriam guiados e orientados pelo Espírito do Ressuscitado. Na segunda parte, o Evangelho propõe o encontro de Jesus com Tomé e a bem-aventurança de crer sem ver. Uma catequese que coloca as condições existenciais para abrir-se à condução do Espírito Santo, que perdoa e reconcilia, que faz viver de modo novo com a luz da fé.  

Indo para o 3º Domingo da Páscoa – A, o dom pascal é a Eucaristia, relatada no belo episódio dos Discípulos de Emaús. No caminho até Emaús, Jesus fala das Escrituras; é a Liturgia da Palavra. Na chegada em Emaús, Jesus reparte o pão e toma o vinho; é a Ceia Eucarística, o local onde nos encontramos com o Ressuscitado. Desta ceia, decorre um quarto dom pascal: a missão evangelizadora, representada na volta dos discípulos a Jerusalém para testemunhar: “Jesus ressuscitou e partilhou a Palavra e o pão conosco”.

Quarto e quinto Domingos do Tempo Pascal – A

O 4º Domingo da Páscoa – A é denominado de “Domingo do Bom Pastor”. Em todos os Anos A – B – C, o Evangelho relata a figura do Bom Pastor com matizes diferentes. No nosso caso específico, do Tempo Pascal – A, o Bom Pastor é Jesus ressuscitado, aquele que se faz condutor por um caminho seguro, que é o caminho da vida nova, proposto pelo Evangelho. Não apenas conhece o caminho, mas conhece também o destino, o local para onde as ovelhas são conduzidas: um banquete de vida plena com mesa farta, preparada para banquetear a vida humana com a plenitude da vida divina, cantado no salmo responsorial, o Sl 22.

No 5º Domingo da Páscoa volta o tema do caminho, mas com dois acréscimos de Jesus: a Verdade e a Vida. Jesus se apresenta como “Caminho, Verdade e Vida”. O Evangelho da Ressurreição, portanto, não apenas tem em Jesus o condutor seguro de um Bom Pastor, mas o próprio Caminho por onde caminhar com a vida pessoal, a Verdade como segurança existencial inabalável e o dom da Vida plena, derramada por Jesus no seu lado aberto. 

Promessa do Espírito Santo

Os últimos Domingos do Tempo Pascal – A, a partir do 6º Domingo, ressalta a promessa do Espírito Santo — no 6º Domingo da Páscoa – A —, a glorificação de Jesus e o envio evangelizador, na Ascensão, e a realização da grande promessa com a vinda do Espírito Santo, em Pentecostes.

A promessa do Espírito Santo, — chamado de Consolador ou Defensor (Paráclito) — sustenta a comunidade cristã, presente no 6º Domingo da Páscoa – A, e tem uma finalidade bem precisa para a Igreja e no seio da Igreja: a evangelização. Para que o Evangelho seja semeado em toda a terra é necessário contar com a ação divina, e esta acontece e se realiza pelo e com o Espírito Santo.

Evangelização que é celebrada no Domingo da Ascensão, uma solenidade pascal para proclamar a glória e a vitória de Jesus, uma vez que o Pai o recompensa elevando-o para estar à sua direita. Se a elevação da Cruz mostrava uma humilhação extrema de Jesus, a Ascensão mostra a sua glória e a sua glorificação. Na Ascensão e pela Ascensão, Jesus realiza sua missão e alcança sua meta: voltar para o Pai, viver com o Pai, sentar-se à direita do Pai, símbolo do poder divino que lhe é concedido.

Por fim, a conclusão do Tempo Pascal, que acontece na solenidade de Pentecostes. A palavra “Pentecostes” não é sinônimo de Espírito Santo, mas sinônimo de 50º dia, o grande dia da Liturgia judaica, no qual celebra-se a ação de graças pelos dons da terra recebidos por Deus. É neste dia, de festa festivamente alegre, marcada pela ação de graças, que a Igreja e toda a terra recebem o grande dom divino, fruto da Ressurreição de Jesus: o derramamento do Espírito Santo.

Serginho Valle

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Serviço de Animação Litúrgica