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sábado, 20 de maio de 2017

Em que momento a pessoa perde a alma?


Esta pergunta pode ter dois sentidos: não sei se o leitor pergunta pela perda ou morte da alma, da vida espiritual, ou se pergunta pelo momento da morte corporal ou biológica.
 
No caso da morte corporal ou biológica, o que se verifica é somente o cessar da atividade cerebral (fundamento da alma racional), causada muitas vezes pela interrupção do funcionamento dos órgãos vitais.
 
Em que momento exato isso acontece? Como verificar os sinais? A morte biológica é uma dissolução. E o momento de tal dissolução não é diretamente perceptível; então, a questão é identificar os sinais.

 
A constatação e interpretação destes sinais não compete à fé nem à moral, mas sim à ciência médica. Corresponde ao médico dar uma definição clara e precisa da morte e do momento em que ela ocorreu.
 
De qualquer maneira, a fé cristã afirma a persistência, para além da morte, do princípio espiritual do ser humano. A fé alimenta no cristão a esperança de "reencontrar" sua integridade pessoal (espírito, alma, corpo) transfigurada e definitivamente possuída em Cristo (cf. 1 Cor 15, 22).

 
No caso da morte da alma, uma coisa é certa: a única maneira pela qual se pode perder a alma é o distanciamento pleno e definitivo de Deus devido ao pecado grave ou mortal, o que se conhece como morte espiritual ou, o que é a mesma coisa, a perda da vida de Deus em nós, a perda da graça santificante.

 
Jesus disse: "Pois que aproveitará ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder a sua vida? Ou que dará o homem em troca da sua vida?" (Mc 8, 36-37). Com estas palavras, o Senhor nos adverte sobre o objetivo central da nossa existência: a salvação.

 
O mundo e os bens materiais nunca são um fim último para o homem, nem sequer o bem temporal – que os cristãos têm a obrigação de buscar.
 
"O pecado mortal é uma possibilidade radical da liberdade humana, tal como o próprio amor. Tem como consequência a perda da caridade e a privação da graça santificante, ou seja, do estado de graça. E se não for resgatado pelo arrependimento e pelo perdão de Deus, originará a exclusão do Reino de Cristo e a morte eterna no inferno, uma vez que a nossa liberdade tem capacidade para fazer escolhas definitivas, irreversíveis." (Catecismo da Igreja Católica, 1861)

 
Recordemos que "Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva" (Ez 18, 23). 
Existe um conto interessante a propósito disso: uma mulher pobre, com seu filho pequeno no colo, passava na frente de uma caverna quando escutou uma voz misteriosa que lhe dizia lá de dentro: "Entre e pegue tudo o que você quiser, mas não se esqueça do principal. Depois que você sair, a porta se fechará para sempre. Portanto, aproveite a oportunidade, mas não se esqueça do mais importante".

 
A mulher entrou toda trêmula na caverna e lá encontrou muito ouro e pedras preciosas. Então, fascinada pelas joias, colocou seu filho no chão por um instante e começou a pegar, ansiosamente, tudo o que coube no seu avental.

 
De repente, a voz falou outra vez: "Restam-lhe apenas cinco minutos". A mulher, apressada, continuou pegando tudo o que podia. Finalmente, carregada de ouro e pedras preciosas, correu e chegou à entrada da caverna, quando a porta já estava se fechando. E então a porta se fechou.

 
Nesse momento, a mulher se lembrou de que seu filho havia ficado dentro da caverna. Mas a porta já estava fechada para sempre! A alegria da riqueza desapareceu imediatamente, e a angústia e o desespero a fizeram chorar amargamente.


Temos alguns anos para viver neste mundo e quase sempre deixamos de lado o principal! O que é essencial nesta vida? Deus, sua vida de graça, seus valores morais e espirituais, a família, os filhos, a harmonia com Deus e com o próximo.
 
É triste ver que muitos arriscam sua salvação eterna e sua própria felicidade aqui na terra por coisas que não têm valor algum. De que adianta viver somente para satisfazer todas as ambições humanas? De que adianta ter tudo e esquecer de Deus, se tudo vai acabar, se tudo vai afundar e pode levar à perda de Deus para sempre?

 
Enquanto peregrinamos nesta vida, temos a esperança de recuperar a vida de Deus em nós. Cada um sabe se perdeu ou não sua vida ou alma espiritual. Se a perdeu, sabe também quando isso aconteceu. Mas é Deus, no juízo final, quem confirmará isso.
 
Recordemos que a vida passa rápido demais e a morte biológica chega de surpresa, inesperadamente. Quando a porta desta vida se fechar para nós, não adiantará nada lamentar-se. Pensemos nisso por um momento e não desperdicemos este convite de Deus.



Pe. Henry Vargas Holguín
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