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sexta-feira, 26 de maio de 2017

Egito: ataque a ônibus mata 28 cristãos coptas


Crianças também estão entre as vítimas do ataque perpetrado esta manhã contra um ônibus que transportava cristãos coptas ao Mosteiro de São Samuel, nas proximidades da cidade de Minya, região central do Egito.

O balanço oficial das vítimas é de 28 mortos, entre os quais duas crianças de 2 e 4 anos. Os feridos são 22.

Dinâmica do ataque

Segundo uma testemunha, um comando formado por dez terroristas mascarados vestindo uniformes militares bloqueou o ônibus. Os atacantes entraram no veículo disparando com armas automáticas, enquanto um deles filmava o massacre.

“No ônibus estavam também crianças. Roubaram deles dinheiro e ouro. Também pediram a eles para que renunciassem a Cristo e se tornassem muçulmanos. Caso tivessem aceitado teriam se salvado, mas os peregrinos se recusaram a abjurar sua fé e foram mortos. Colocaram pistolas em suas cabeças e na nuca e dispararam”, afirmou o Pároco da Igreja copta de São Mina em Roma, padre Antonio Gabriel, ao comentar ao canal TG 2000 o ataque desta manhã.

Solidariedade

A condenação ao ataque veio de todo o mundo. E manifestações de solidariedade também.

O Papa Francisco afirmou quer ficado “profundamente chocado pelo bárbaro ataque” contra os cristãos coptas egípcios, que provocou mortos e feridos, vítimas de um “ato de ódio insensato”.

O Santo Padre, por meio de um telegrama enviado pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, nesta sexta-feira, 26, ao Presidente egípcio Al-Sisi, expressou sua profunda solidariedade a todas as pessoas atingidas por este “violento ultraje”, em modo particular “as crianças que perderam a vida”.

Assegurando sua oração às famílias enlutadas, o Pontífice confirma sua “contínua intercessão pela paz e a reconciliação em todas as nações”.

A Torre Eiffel permanecerá apagada em sinal de luto pelo ataque. A informação foi dada pela Prefeita de Paris, Anne Hidalgo, em sua conta Twitter.

A União Europeia e Chefes de governo de diversos países condenaram o ataque, manifestando solidariedade aos cristãos e ao povo egípcio, e defendendo união no combate ao terrorismo.

O Conselho de Segurança da ONU observou um minuto de silêncio em memória às vítimas do ataque terrorista.

Para o Conselho, foi um “ataque terrorista abominável e covarde”. O presidente do órgão neste mês é o embaixador do Uruguai junto às Nações Unidas, Elbio Rosselli, que fez um pronunciamento sobre o caso.

O diplomata condenou da “forma mais enérgica o atentado terrorista atroz” contra civis inocentes. Em nome dos 15 Estados-membros do Conselho, ele expressou condolências às famílias das vítimas e ao governo egípcio.

O Conselho de Segurança reafirma que “o terrorismo em todas as suas formas e manifestações é uma das ameaças mais sérias à paz e à segurança” e pede que os autores do atentado sejam levados à Justiça. 

Condenação do Mundo islâmico

O Secretário Geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul-Gheit, condenou “nos termos mais fortes” o ataque contra os cristãos. “A Liga Árabe sublinha a necessidade de uma cooperação conjunta no combate ao terrorismo”. Aboul-Gheit também manifestou total solidariedade ao cristãos egípcios.

Devido ao ataque, a Dar al Iftaa – autoridade egípcia que emite as fatwas – cancelou as celebrações previstas para hoje, véspera do início do Ramadã, o mês sagrado dos muçulmanos. O Grão Mufti Shawqi Allam condenou com veemência o ataque.

O Presidente palestino Abu Mazen, estreito aliado do Presidente egípcio, também expressou sua firme condenação ao ataque.

Já o porta-voz do Hamas em Gaza, Fawzi Barhoum, disse a jornalistas que o atentado trata-se de um “crime odioso”. Os autores do atentado são “inimigos do Egito”, enfatizou.

Já o Irã, por meio do Ministério do Exterior Bahram Qasemi, expressou as “condolências às famílias das vítimas do ataque contra os cristãos coptas no Egito, ao povo e ao governo egípcio”, ao mesmo tempo em que expressa “uma firme condenação” ao grave atentado.

Alvos constantes

Os cristãos coptas, que representam 10% da população egípcia, são alvo constante de ataques de jihadistas. No Domingo de Ramos, kamikazes atacaram igrejas em Tanta e Alexandria provocando 45 mortes, sendo os ataques reivindicados pelo autoproclamado Estado Islâmico.

Desde a Primavera Árabe de 2011 que tirou do poder Hosni Mubarack – que tinha o apoio do Patriarca Shenouda III – os coptas passaram a viver uma tensão crescente que teve seu ápice com a subida ao poder da Irmandade Muçulmana, com o Presidente Mohamed Morsi.

Desde 2013, foram pelo menos 40 os ataques contra igrejas e agressões aos cristãos, o que provocou dezenas de mortes.

O epicentro da violência é o Egito rural, em particular a região de Minya, onde 35% da população é cristã e a presença jihadista é sempre maior. Justamente nesta região – a 250 km do Cairo - ocorreu o ataque desta manhã.
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