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segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pedagogia Litúrgica para Abril de 2017: "Tríduo Pascal e Tempo Pascal".


No calendário do Ano Litúrgico, abril de 2017 conclui o Tempo Quaresmal, celebra a Semana Santa e dá início ao Tempo Pascal. Um mês que propõe uma espiritualidade riquíssima, considerando que a celebração da Páscoa é o centro, o ápice e a fonte de todo o Ano Litúrgico e toda a atividade da Igreja.

Na pedagogia litúrgica do mês de março 2017, fazíamos referência à Quaresma do Ano A e, na oportunidade, incluímos também o 5º Domingo da Quaresma, que é celebrado no início de abril deste ano de 2017. Uma celebração, esta do 5º Domingo da Quaresma – A, que destaca a força e a necessidade da esperança em nossas vidas. A morte torna-se uma ameaça real quando se começa a perder a esperança na vida. A visão de Ezequiel, dos ossos ressequidos, retrata um quadro do desesperado, mas é também profecia esperançosa, uma garantia divina, pois Deus é capaz de ressuscitar a esperança na vida contaminada pelo desespero; na vida sepultada em tantas sepulturas feitas de desânimos e decepções. Esta realidade acontece em Jesus, no ressuscitamento de Lázaro. Jesus refaz a esperança da vida, mesmo que esta esteja sepultada na escuridão de alguma sepultura. Em Lázaro, Jesus deposita novamente o Espírito vivificante, que o faz viver e viver com a veste branca da vida nova.

Concluída a 5ª semana da Quaresma, tem início a Semana Santa. Segue uma breve reflexão da semana mais santa da Igreja, a começar pelos dias feriais e Domingo de Ramos.  

Domingo de Ramos e dias feriais da Semana Santa

O início da Semana Santa acontece com a Procissão de Ramos e com a celebração da Eucaristia, na qual se lê a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o motivo, pelo qual o Domingo de Ramos é também conhecido como Domingo da Paixão. Um Domingo com a característica de ser uma espécie de sala de ingresso para se adentrar na Semana Santa, composta dos seguintes elementos: o acolhimento de Jesus com ramos e palmas, celebrando-o como Cristo Rei; depois a realização da Salvação divina no trono da Cruz e no gesto sacerdotal de ofertar a própria vida para a remissão dos pecados; para a Salvação da humanidade.

Desta forma, o Domingo de Ramos é convite para contemplar a Cruz de Jesus Cristo como trono do amor divino, mas também como local do sofrimento de milhares de pessoas, em toda a terra, violentados nas mais diferentes formas de cruzes, presentes na sociedade atual. Na contemplação da Cruz de Jesus, podemos considerar a figura humana de um abandonado, que é o Filho de Deus, para compreender a grandeza do amor divino para com a humanidade.

As celebrações feriais da Semana Santa, aquelas celebrações que acontecem nos dias da semana, de segunda a quarta-feira, mais especificamente, fazem memória dos últimos dias de Jesus, com destaque especial para a traição de Judas Iscariotes. Na pessoa de Judas se concentra uma humanidade negadora da proposta divina, que se apega ao ídolo do dinheiro, capaz de vender e matar até mesmo o Deus salvador.

Além destas celebrações, inclua-se também a celebração da Quinta-feira Santa, na parte da manhã, na qual se celebra a Missa Crismal. Uma celebração solene — belíssima pela riqueza simbólica que contém — na qual se realiza a bênção dos Santos Óleos — dos Catecúmenos, dos Enfermos — e, preste-se atenção ao termo, a consagração (não apenas uma bênção) do Santo Crisma, Óleo que é sacramento do Espírito Santo. A celebração da Quinta-feira Santa, na parte da manhã, é uma celebração que reúne festivamente toda Igreja particular (diocese), do bispo com seu presbitério, seu diaconato, os religiosos e todos os fiéis leigos. Nesta Missa os sacerdotes renovam suas promessas sacerdotais, uma vez que a Quinta-feira Santa é o verdadeiro “Dia do Padre”. 

TRÍDUO PASCAL

Depois, inicia-se o Tríduo Pascal com a Missa vespertina denominada “In Coena Domini” (Missa da Ceia do Senhor). Uma celebração que faz memória da Instituição da Eucaristia, do serviço de Jesus Cristo, simbolizado no gesto do lava-pés, e na entrega do Mandamento Novo aos discípulos e discípulas do Evangelho.

Do ponto de vista Teológico, a Última Ceia é antecipação do que o Senhor realizaria na Cruz. Por isso, gosto de dizer que em vez de se chamar de “Última Ceia”, bem que poderia ser denominada como “Primeira Ceia”, uma vez que Jesus realiza, pela primeira vez, de modo sacramental, isto é, com os símbolos sacramentais do pão e do vinho, a mesma entrega do seu Corpo e Sangue para nos salvar. Se a Cruz é o altar da entrega definitiva de Jesus, o altar da Eucaristia é, sacramentalmente falando, o próprio Jesus entregando-se na Cruz para remissão dos pecados. Assim, entende-se que a celebração da Quinta-feira Santa é a oferta da vida de Jesus no altar da Eucaristia.

A celebração da Quinta-feira Santa não se conclui com a bênção final, como nas demais celebrações Eucarísticas. Passa, assim, uma mensagem de algo inacabado, necessitado de continuidade. E, de fato a continuidade acontece com a celebração da Sexta-feira Santa, realizada às 15hs00 que, segundo os relatos evangélicos, é a hora da morte de Jesus. Também este horário é simbólico; é sacramental. No meio da tarde, a vida social e vida pessoal param e todos se dirigem à igreja da comunidade para celebrar a Morte e a Paixão de Nosso Senhor.

A celebração da Sexta-feira Santa caracteriza-se como uma celebração totalmente silenciosa. Quase nenhuma canção e total ausência de instrumentos musicais. Quando cantar, não se cantar a plenos pulmões, mas se canta de modo aquietado, não para sofrer, mas para respeitar o momento supremo do Filho de Deus que morre para nos salvar. Uma celebração para silenciar respeitosamente diante do grande Mistério que é a Morte de Jesus, na Cruz. Também esta é uma celebração que se conclui sem a bênção final. Também este final é indicativo de inacabada, porque deverá continuar no dia seguinte, na noite da grande e solene Vigília Pascal.

Vigília Pascal

O Tríduo Pascal é concluído com a Vigília Pascal, a mais importante, a mais solene, a mais rica de todas as Vigílias da Igreja. Riqueza de conteúdo espiritual e riqueza de ritos litúrgicos. É a celebração de chegada, digamos assim, da Igreja, que celebra sua Páscoa em três momentos — na Quinta-feira Santa, na Sexta-feira Santa e no Sábado Santo —. Três celebrações distintas, mas que formam uma única celebração, celebrando um único e grande Mistério: a Páscoa de Jesus Cristo.

Em continuidade à celebração de Sexta-feira Santa, que se conclui no mais profundo silêncio, a Vigília Pascal inicia-se silenciosamente, ao redor do Fogo Novo, fora da igreja. É símbolo de uma comunidade que se reúne à luz da Páscoa de Jesus Cristo que, na escuridão da noite, para iluminar o mundo com uma nova luz. É a Igreja que caminha guiada pela nova luz — a Luz de Cristo — como assembleia para o interior da igreja, onde ouvirá solenemente o grande “Exultet”, a grande proclamação da Páscoa. Na Vigília Pascal, temos uma Igreja que se coloca em escuta da História da Salvação, numa longa e bem organizada Liturgia da Palavra, até explodir de alegria, cantando o solene e tradicional “Allelluia Paschalis”, acompanhado por todos os instrumentos e pelo repicar de sinos e sinetas. Depois, a renovação das promessas batismais e a Eucaristia, onde nos alimentamos com a Vida Nova da Páscoa de Jesus Cristo.

INÍCIO DO TEMPO PASCAL

Oitava da Páscoa

Abril contempla também a celebração do Domingo da Páscoa, com uma Missa festiva e solene, na qual se anuncia a grande e alegre notícia da Ressurreição do Senhor. Inicia-se assim uma celebração com a duração de oito dias, denominada como “Oitava de Páscoa”, no calendário do Ano Litúrgico.

Tempo Pascal 

Nos dois últimos Domingos de Abril 2017, inicia-se o Tempo Pascal. Na celebração do 2º Domingo da Páscoa, a Liturgia apresenta a Igreja como incluída na bem-aventurança de crer sem ver, no conhecido “Domingo de Tomé”. No Domingo seguinte, 3º Domingo da Páscoa, a Igreja é apresentada como caminhante, caminhando ao lado do ressuscitado, representada nos Discípulos de Emaús. Dois Domingos para renovar a fé e para se comprometer com o testemunho da Ressurreição de Jesus. Aleluia! 

CONCLUINDO

Tudo tão solene e tão rico que não pode ser feito de qualquer jeito. Ao contrário, existe como que uma obrigação de fazer do melhor modo possível, modo mais belo, mais digno e mais celebrativo, pois celebramos nestes dias a vitória da vida sobre a morte, a vitória da bondade divina sobre o pecado, a nossa redenção e a glorificação de Jesus Cristo, nosso Salvador, aquele foi constituído por Deus como o Senhor.


Serginho Valle
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Serviço de Animação Litúrgica