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terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Sou muçulmano, mas eis aqui porque admiro a Igreja Católica


Permitam-me começar este breve artigo confessando algo surpreendente: não sou católico e nem mesmo cristão. Em verdade sou um muçulmano secular e ávido leitor de filosofia e história, tendo um firme compromisso com a verdade sem mitigações, não importa onde ela esteja, e mais ainda se ela vai contra as crenças comuns.

Passei os últimos recentes anos pesquisando a história do Cristianismo, especialmente a Igreja Católica durante o Medievo, e fiquei chocado ao descobrir que praticamente tudo que eu tinha aprendido sobre o Catolicismo estava errado além de, aparentemente, contaminado por preconceitos. Contrariando o pensamento da maioria das pessoas no Ocidente e no Meio Oriente, a Igreja Católica e os Padres da Igreja não suprimiram a ciência, a razão e o conhecimento. Muito pelo contrário, em muitos casos eles mesmos encorajaram o avanço no estudo de matérias não religiosas e o desenvolvimento científico, estimando com generosidade a capacidade de compreensão da razão humana. Também fiquei pasmo ao descobrir que a “obscura” Idade Média não foi de modo nenhum um período intelectualmente estéril, nem uma era de profunda estagnação, superstição ou mesmo perseguição sistemática dos filósofos naturais. De fato, as universidades – sedes de debates intelectuais cultos num clima de ampla liberdade de expressão – foram fundadas na Europa durante a assim chamada Alta Idade Média. Além disso, foram cientistas católicos dos séculos XII e XIII, comprometidos com sua fé e o método empírico, que lançaram os fundamentos da Revolução Científica. Torna-se cada vez mais evidente que esta revolução, iniciada com a publicação dos livros de Copérnico, “Da Revolução dos Orbes Celestes”, e de André Vesálio, “Da Organização do Corpo Humano”, não foi uma súbita explosão de criatividade, mas a continuação de uma marcha de progresso intelectual que já vinha sendo percorrida desde o século XI. Também é igualmente causa de estupefação a importância que os teólogos e filósofos católicos medievais atribuíam às capacidades intelectuais humanas, e seu infatigável trabalho para criar uma síntese entre a fé e a razão. Em poucas palavras, anos de intense pesquisa me fizeram respeitar e mesmo admirar a Igreja Católica, muito embora, como já expliquei antes, eu descenda de uma família árabe secular que me ensinou a investigar todas as questões sem dogmatismos e a aceitar a verdade mesmo quando incongruente com o credo da maioria das pessoas.

Tenho grande respeito pelo trabalho dos monges católicos e seus mosteiros na Idade Média. Suas atividades intelectuais situam-se entre os capítulos mais luminosos na história da Igreja. Os mosteiros desempenharam um papel positivo como centros de ensino, aprendizado e cultura, e eles podem ser descritos de modo bastante exato como “proto-universidades” (Trombley, 58), transmitindo conhecimentos de gramática, lógica, retórica e, posteriormente, matemática, música e astronomia, e situando-se “entre as mais importantes bibliotecas na história do pensamento ocidental” pelos trabalhos de cópia, transcrição e armazenamento de textos de alto valor (58). Enquanto a Igreja Católica é constantemente acusada de destruir a cultura clássica ou greco-romana, o fato é que os mosteiros merecem todo o crédito pela “cuidadosa preservação dos trabalhos do mundo clássico e dos Padres da Igreja, ambos centrais para a civilização do Ocidente” (Woods 42).

Por terem emergido em um meio greco-romano, assimilando em consequência noções filosóficas, tais como as idéias de logos, sindérese, o conceito de um universo mecânico ordenado racionalmente por leis estáveis e consistentes, etc, o Cristianismo em geral e a Igreja Católica em particular não podiam suprimir ou destruir a tradição clássica, possibilitando um convívio pacífico com a filosofia grega pagã e o racionalismo – uma realização crucial que o Islam ortodoxo sunita foi incapaz de emular ao suprimir o pensamento mutazilita (assunto que, decerto, exige um longo e detalhado estudo). 

Por vezes penso em voz alta: se a Igreja Católica tivesse extinguido a tradição clássica, como vários estudiosos alegam, então de que maneira se explica que muitos homens da Igreja antiga e medieval dialogavam com os escritos clássicos? Deveras, muitos monges e clérigos demonstravam grande conhecimento dos textos antigos, particularmente os de Virgílio, Cícero, Plínio, Ovídio, Horácio e Platão, entre outros. Esses clérigos incluem, para citar um ou outro exemplo, Alcuíno (um dos arquitetos do projeto intelectual do imperador Carlos Magno), Lupo Servato (805-862), Abão de Fleury (950-1004), Dauferio de Fausi (um dos maiores sucessores de São Bento como abade no mosteiro de Monte Cassino e que depois se tornou o Papa Vítor III), o arcebispo Alfano de Salerno (monge em Monte Cassino), Gerberto de Aurillac e Santo Hildeberto (Woods 40-41). Clemente de Alexandria (150-215), descrito pelo Papa Bento XVI como “um dos pioneiros do diálogo entre fé e razão na tradição cristã " (16), enfatizava que o estudo da filosofia grega não era apenas permitido mas também necessário para os crentes (Kenny 95). Além de considerá-lo uma “instrução que prepara para a fé crista”, Clemente de Alexandria elevava a filosofia grega ao nível da revelação, comparando-a ao Antigo Testamento (Papa Bento XVI 18). Deus, na verdade, tinha dado a filosofia aos gregos para assegurar que a humanidade alcançasse a madureza intelectual na época da chegada de Cristo (Kenny 95). Justino Mártir (100 – 165) tinha a tradição filosófica grega em alta consideração do mesmo modo, tomando-a por direito como propriedade dos cristãos. Tanto o Antigo Testamento quanto a filosofia grega eram percebidos como dois caminhos que levavam a Cristo e, portanto, não poderia haver contradição entre as idéias filosóficas gregas e os evangelhos (Papa Bento XVI 9-10).

Voltando às inestimáveis atividades monásticas que eu comentava no início, gostaria de acrescentar que, além de copiar e preservar textos, os monges, especialmente os cistercienses, eram reconhecidos por seu talento técnico e genialidade, empregando a força da água para todos os tipos de atividade (incluindo moagem de trigo e curtimento de couro), criando e transmitindo conhecimentos metalúrgicos e fabricando sofisticados relógios. Acredita-se, deveras, que Gerberto de Aurillac, depois Papa Silvestre II, construiu o primeiro relógio para a cidade alemã de Magdeburgo em 996. Já o abade beneditino Ricardo de Wallingford desenhou no século XIV um relógio astronômico que permaneceu o mais avançado pelos dois séculos seguintes. Os monges também desempenhavam trabalhos manuais que beneficiavam seus vizinhos leigos. Por exemplo, o cultivo de terras, a drenagem de pântanos, o desmatamento – e às vezes a preservação – de florestas, a plantação de árvores e vinhedos, a criação de animais, a introdução de novas lavouras, etc. Também produziam vinho, cerveja, champanhe e queijo, além de armazenar água para distribuir nos períodos de seca. Os camponeses aprendiam com eles métodos de irrigação na Lombardia, por exemplo. Além disso, monges foram “pioneiros em trabalhar no melhoramento dos rebanhos, superando o processo de reprodução de animais ao acaso” (Woods 31).

A Idade Média “abriu alguns precedentes importantes para o Renascimento Italiano”, incluindo o Renascimento Carolíngio dos séculos VIII e IX, o Renascimento Otoniano do século X, e o Renascimento dos séculos XII e XIII (Trombley 85-86). Uma das mais relevantes figuras intelectuais do Renascimento Carolíngio foi o pensador neoplatônico irlandês João Scoto Erígena (810-877), pelo qual nutro grande admiração. Erígena era bom conhecedor do grego e dialogava com os escritos de teólogos do Ocidente e do Oriente, especialmente Santo Agostinho, Máximo o Confessor e Dionísio Areopagita, sendo tradutor dos trabalhos de Dionísio para o latim, o que permitiu a teólogos medievais posteriores, como São Boaventura, familiarizar-se com a obra desse ilustre filósofo grego.

O que é realmente notável sobre Erígena é a alta conta em que este tinha a razão humana, enfatizando a harmonia entre fé e racionalidade em virtude de sua fonte comum, Deus, e encorajando o seu uso para compreender as Escrituras e os escritos dos Padres da Igreja. De fato, ele parece ter atribuído à razão o status de juiz sobre a validade de qualquer autoridade, mesmo aquela que fosse sagrada: “Qualquer tipo de autoridade que não seja confirmada pela verdadeira razão deve ser considerada fraca... Em verdade, não há autoridade verdadeira além da que coincide com a verdade, descoberta pelo poder da razão, ainda que se esteja considerando uma autoridade recomendada e transmitida para o uso dos sucessores dos Santos Padres” (Papa Bento XVI). Acrescenta Erígena: “Que nenhuma autoridade o intimide ou distraia do que daquilo que o faz entender a convicção formada através da contemplação racional correta. De fato, a autoridade autêntica nunca contradiz a reta razão, nem esta pode contradizer uma autoridade verdadeira. Tanto uma como outra se originam indisputavelmente da mesma origem, que é a sabedoria divina” (187). Comentando sobre essas luminosas passagens, afirma o Papa Bento: “Aqui vemos uma corajosa afirmação do valor da razão, fundada na certeza de que a verdadeira autoridade é razoável porque Deus é razão criativa" (187). A ênfase de Erígena na harmonia entre fé e razão antecipa a filosofia dos teólogos dos séculos XI, XII, e XIII, como Santo Anselmo, Santo Tomás de Aquino, Pedro Abelardo, entre outros.

Preciso dizer agora algumas palavras sobre Gerberto de Aurillac, mencionado anteriormente como o fabricante de um sofisticado relógio. Ele é uma das figuras chave do Renascimento Otoniano e o maior erudito europeu de seu tempo. O conhecimento enciclopédico que demonstrava abrangia os mais diversos tópicos, incluindo matemática, astronomia, filosofia, lógica, literatura latina, música e teologia. Ele assegurou seu lugar na história do desenvolvimento científico ocidental introduzindo o ábaco e os numerais indo-arábicos (Huff, The Rise of Early Modern Science 50), além de ter recebido o crédito por ter sido “o primeiro estudioso a introduzir a ciência árabica no Ocidente” provavelmente após passar três anos estudando-a na Espanha, com claros “traços de influência árabe” (Zuccato 192-93) em seus textos matemáticos e astronômicos. Dois anos antes de se tornar Papa, Gerberto recebeu uma carta do imperador alemão Otão III solicitando seus serviços e pedindo que lhe ensinasse e explicasse um livro de aritmética. Gerberto atendeu o pedido e explicou ao imperador que o Sacro Império Romano tinha o direito de reivindicar a sabedoria dos gregos e romanos como sendo também sua (Woods 23).

Assim como Erígena antes dele e muitas outras figuras eclesiásticas posteriores, Gerberto de Aurillac reforçava a necessidade de combinar a fé com o estudo, o conhecimento e a ciência. A ele se atribui esta frase: “o homem justo vive pela fé, mas é bom que ele combine a ciência com a fé” e “a divindade conferiu um grande dom ao homem ao dar-lhe a fé sem lhe negar o conhecimento”, acrescentando que “os que não possuem o conhecimento são chamados de tolos” (23). É este profundo compromisso com a razão que me faz admirar os filósofos e teólogos católicos.

Outro pensador e filósofo cristão que muito respeito é Santo Anselmo (1033-1109), arcebispo de Cantuária. Anselmo já foi descrito como “pai da tradição escolástica” (Stokes 48) e “o mais importante filósofo do século onze” (Kenny 119). Seu equilíbrio entre fé e razão é evidente nesse dito que se lhe atribui: “Parece-me ser um caso de negligência acontecer de, após alcançarmos a firmeza na nossa fé, não nos esforçarmos para compreender o que acreditamos” (Watson 330). No lugar de aceitar a existência de Deus apenas com base na fé, Anselmo buscou argumentos racionais para prova-la, um dos quais tornou-se célebre: o argumento ontológico. Ele também desenvolveu uma fundamentação racional para a doutrina cristã da Encarnação. Como Santo Tomás posteriormente, Anselmo enxergava na razão uma ferramenta legítima para defender e justificar o credo.

A definição básica de Deus, segundo Anselmo compartilhada tanto pelo crente como pelo não-crente, é o fundamento sobre o qual ele constrói sua prova ontológica. Define-se Deus como “o ser do qual nada maior pode ser pensado”. Deus é um ser perfeito e a maior entidade imaginável ou concebível. Segue-se que tal ser deve necessariamente existir porque a existência é um atributo necessário à perfeição. Se Deus não existisse, Ele não seria “o ser do qual nada maior pode ser pensado”, pois lhe faltaria a existência, contradizendo sua premissa. Algo que existe é certamente maior do que algo que não existe. Se Deus é o maior ente possível então Ele deve existir, porque do contrário não seria o maior ente possível. Em outras palavras, “a existência de Deus parece seguir necessariamente de sua definição. Pois seria contradição supor que Deus é, por um lado, Aquele do qual nada maior pode ser pensado e, por outro, que não exista” (Stokes 49).

O argumento anselmiano suscitou a resposta de um monge da Ordem de São Bento chamado Gaunilo, que replicou ser possível conceber a maior ilha imaginável e, concluir, seguindo Anselmo, que a existência desta ilha é necessária porque, de outro modo, não seria a maior ilha imaginável. Gaunilo denunciou o argumento do arcebispo de Cantuária por “permitir a existência de todos os tipos de objetos imaginários, sendo, portanto, falso” (49). Anselmo, em tréplica, defendeu-se dizendo que sua definição só se aplica a Deus e, portanto, não pode ser usada para outros seres ou objetos. O debate entre Anselmo e Gaunilo revelava que nada estava fora do alcance da investigação intelectual, incluindo a questão da existência divina; ele “assumia que era possível falar sobre Deus em termos ‘razoáveis’, que Deus poderia ser tratado como qualquer outro objeto de conhecimento..." (Watson 368).

Anselmo também tentou justificar racionalmente a Encarnação, ou seja, a idéia cristã central de que Deus se encarnou em um homem. O pecado original de Adão foi uma ofensa contra Deus e a escala da expiação tinha que ser congruente com a severidade da ofensa. O homem, um ser finito, não poderia por seus próprios esforços reparar o pecado infinito contra Deus e, portanto, precisava do auxílio ou intervenção divina. Kenny explica: “A satisfação só pode ser adequada se feita por alguém humano (e, portanto, herdeiro de Adão) e divino (capaz de uma compensação infinita). Logo a Encarnação de Deus é necessária para apagar o pecado original e redimir a humanidade” (121).

Nenhum ensaio sobre a tradição racional da Igreja Católica e o lugar da razão no Ocidente pode se esquivar do pensamento do filósofo e teólogo dominicano Santo Tomás de Aquino (1225-1274). Sua importância reside na audaciosa tentativa de fazer frente aos desafios do pensamento aristotélico à fé crista (especialmente a hipótese de um Universo eterno) e dissipar o receio que a filosofia de Aristóteles tinha causado em alguns ambientes eclesiásticos. Santo Tomás buscou reconciliar a razão e a fé, o cristianismo e Aristóteles, incorporando elementos aristotélicos na teologia cristã. Ele não só estabeleceu um terreno comum entre a fé e o Estagirita, mas também encontrou na lógica deste uma ferramenta útil para defender a doutrina cristã. Como seu mestre Santo Alberto Magno, o Aquinate admirava a filosofia de Aristóteles, que estimava ser “a maior realização da razão humana produzida sem o benefício da inspiração cristã" (Watson 330).

Como muitos teólogos de seu tempo, Santo Tomás defendia que a busca de conhecimento deveria livre e irrestrita. Cabe aos seres humanos a procura do saber aonde quer que este os conduza porque ele revela o desígnio de Deus e contribui para aumentar o conhecimento humano das coisas divinas (331). Há apenas três verdades que devem ser aceitas por não serem demonstráveis apenas com a razão: a criação do Universo, a Trindade e a função salvífica de Jesus em nosso favor (370). Qualquer outra verdade, entretanto, não deve ser simplesmente aceita, mas precisa ser demonstrada e provada racionalmente. Osborne argumenta que Santo Tomás se esforçou para “recolocar a razão como elemento digno e legítimo na natureza humana” (220). As conclusões obtidas pela razão humana nunca contradirão ou entrarão em conflito com a doutrina crista porque ambas, a razão e a doutrina, se originam da mesma fonte, Deus.

O filósofo dominicano também ressuscitou a antiga idéia grega de que o Universo é cheio de ordem e finalidade e que o homem é uma criatura racional. Deus é um criador racional e justo que fez a ordem racional do Universo e dotou o homem de razão. Explicando o pensamento do Aquinate, afirma Osborne: “Já que tanto a ordem no Universo como a razão na mente humana foram deliberadamente criadas por Deus, era uma empresa legítima, em verdade um dever cristão, usar o dom da razão para explorar o sentido da criação divina” (221).

Como evidência de seu compromisso com a razão, Santo Tomás procurou provar a existência de Deus usando argumentos racionais sem a ajuda da Revelação, em suas chamadas Cinco Vias (a última delas, o argumento teleológico, demonstra bem a influência de Aristóteles). Stokes descreveu as cinco vias, que apareceram na volumosa Suma Teológica, como “a tentativa mais clara e sucinta de provar a existência de Deus usando argumentos lógicos” (51). Essas cinco provas confirmam que Santo Tomás tinha a razão como ferramenta legítima para provar o que é inegavelmente o mais importante artigo de fé.

Além de Aquino, Pedro Aberlardo (1079-1142) é tido como um dos ícones do pensamento racional cristão e um dos mestres da lógica. Huff é da opinião que “é virtualmente impossível escolher algum trabalho relevante do renascimento do século XII em lei, lógica, ética, filosofia, razão e consciência, bem como a fundação das universidades, que não reserve um papel importante (e positivo) aos ensinamentos e escritos de Abelardo”, relembrado em primeiro lugar por sua formulação da lógica dialética para a resolução ou reconciliação de aparentes contradições que ele via em passagens bíblicas e declarações de autoridades eclesiásticas. O método dialético consistia das seguintes partes: (1) uma questio apontando as passagens contraditórias em um texto; (2) uma propositio detalhando razões e argumentos em favor disso; (3) uma opositio recolhendo as razões e argumentos favoráveis à opinião contrária; (4) uma solutio ou conclusio que resolve o conflito entre as propositio e oppositio (128). Abelardo também enfatizava a unidade da verdade e a harmonia de suas diversas manifestações, dizendo: “A verdade não pode se opor à verdade” (141). Sua fidelidade à razão e à lógica de nenhum modo o afastou de sua fé, como fica evidente em sua famosa sentença: “Não quero ser um filósofo se isto significar entrar em conflito com Paulo, nem ser um peripatético se isto me separar de Cristo" (141).

Atividade de tradução sem precedentes

Aqueles que porventura insistirem em chamar a Idade Média de período “obscuro” na história da Euroba estarão ignorando a magnífica atividade de tradução na Espanha que se seguiu à expulsão de seus ocupantes islâmicos. Indubitavelmente os muçulmanos medievais, com a ajuda de estudiosos cristãos nestorianos (por exemplo, Hunayn Ibn Ishaq, seu filho Ishaq e seu sobrinho, Hubyash, além de Abu-Bishr Matta Ibn Yunus, Yahya ibn Adi' o Lógico, Isa ibn Zur'a e tantos outros), preservaram textos gregos que haviam sido perdidos no Ocidente como resultado das invasões bárbaras e da desintegração do Império Romano do Ocidente. Também sábios muçulmanos tais como Ibn al-Haytham (pioneiro no método científico experimental), Kamal al-Din al-Farisi, Ibn Sina, Al-Razi, Nasir al-Din al-Tusi, Ibn al-Rushd, e diversos outros produziram excelentes trabalhos científicos e filosóficos. Após a libertação de alguns territórios espanhóis, estudiosos latinos acorreram a essas áreas e colaboraram com cristãos locais (conhecidos como moçárabes por terem adotado a cultura árabe) e judeus, traduzindo textos gregos e árabes. Na maior parte das vezes, judeus e cristãos moçárabes traduziram os textos árabes para o espanhol e seus colegas do interior do continente por sua vez faziam uma segunda tradução do espanhol para o latim (Watson 279-80). Esta frutuosa colaboração resultou na tradução da Óptica de Ibn al-Haytham, da Álgebra de Al-Khwarizmi, dos Elementos de Euclides, dos escritos médicos de Ibn Sina (Canon), Galeno e Hipócrates, bem como do Almagesto de Ptolomeu (Huff 181). Esta “atividade de tradução sem precedente”, “feito monumental de tradução”, eventualmente deu à luz na Europa ao corpus de Aristóteles e seus comentadores, além de outras obras gregas e árabes, “em menos de cem anos” (180).

Em Barcelona, o matemático e astrônomo italiano Platão de Tivoli colaborou com Savasorda (um matemático judeu, astrônomo e filósofo) na tradução de textos do árabe sobre astrologia e astronomia (Watson 279). O centro de tradução ficava em Toledo, onde o arcebispo Raimundo liderava uma grande atividade de tradução. Exemplos de cooperação produtiva entre estudiosos latinos e ibéricos incluem Gerardo de Cremona e Galippus (Ghaleb), Domingo Gundisalvo e o judeu Avendaud, também conhecido como Ibn Dawwud. Dois ingleses, Adelardo de Bath e Roberto de Chester, tiveram um papel importante nesta atividade, o primeiro traduzindo Euclides e Al-Khawarizmi, enquanto o segundo tornou-se notável por “produzir a primeira versão em latim do Corão e a primeira tradução da Álgebra de Al-Khawarizmi" (280). Desta atividade de tradução, “ao final do século XIII, o grosso da ciência árabe (e da grega, por conseguinte) tinha sido transmitido para a Europa” (280). A partir da Peninsula Ibérica, esse conhecimento passou para as cidades do sul da França e, de lá, para Liege (entre outros lugares) e, em seguida, para a Alemanha e a Inglaterra (280).

O renascimento dos séculos XII e XIII

A intensa atividade dos tradutores foi o estopim aceso para a explosão do Renascimento dos séculos XII e XIII, possibilitando o aparecimento de pensadores e cientistas católicos do porte de um Tomás de Aquino, Alberto Magno, Roberto Grosseteste, Jean Buridan, Guilherme de Conches, Thierry de Chartres, Pedro Abelardo, Hugo de São Vítor, Thomas Bradwardine, Witelo e muitos outros.

Seu pensamento se caracterizava pela crença de que (1) o Universo é uma esfera estruturada ou uma máquina que opera segundo padrões consistentes que podem ser discernidos e inteligidos. Em outras palavras, existe regularidade, ordem, harmonia e finalidade na natureza. Deus é a causa última e principal, mas existem causas secundárias distintas da causa divina que o homem é capaz de descobrir e entender. As leis da natureza não precisam da intervenção constante de Deus e são baseadas no princípio causa-efeito (causalidade natural). Deus é um criador amoroso, racional e belo que não interfere com as leis que estabeleceu. De fato, seria incoerente com a Sua natureza alterar essas leis ou criar aleatoriedade e arbitrariedade no Cosmos.

Hugo de São Vítor, por exemplo, percebia um ordenamento e uma unidade no Universo onde todas as partes estão de algum modo interconectadas: “A disposição com ordem das coisas de alto a baixo na trama deste Universo... é arranjada de tal maneira que, entre todas as coisas que existem, nada está desconectado ou separado por natureza, ou externamente” (Huff 99-100). Um ponto de vista mecanicista o guiava no estudo do Universo visível: “Assim como há duas obras, a obra da criação e a obra da restauração, existem dois mundos, o visível e o invisível. O mundo visível é esta máquina, este Universo, que vemos com nossos olhos corporais” (100). De sua parte, Adelardo de Barth saudava a “maravilhosa beleza racional do Universo" (Woods 87), enquanto Thierry de Chartres (d. 1150) assegurava que “o mundo parece ter causas para sua existência, e também precisa começar a existir em uma sequência temporal previsível. Esta existência e esta ordem podem ser demonstradas racionais " (Huff 100).

(2) Deus dotou o homem com faculdades racionais, e como criatura racional o homem tem a habilidade de decifrar as leis da natureza e desvendar os mistérios do Universo. Adelardo de Bath escreveu que “é por meio da razão que somos humanos”, acrescentando que “Embora o homem não seja armado pela natureza e nem capaz de voar, ele possui algo muito melhor e mais precioso – a razão. Pois ao possuir a faculdade racional ele ultrapassa as feras em tal grau que é capaz de dominá-las… Vê-se, portanto, o quanto o dom da razão ultrapassa o mero poder físico" (102).

O homem também possui uma faculdade moral inata ou capacidade de ação que o permite conhecer verdades morais, resolver dilemas éticos e diferenciar entre o bem e o mal sem a ajuda da Revelação (106-108). Além disso, o homem possui a capacidade racional de entender as Escrituras e decifrar seus mistérios sem apoio sobrenatural (102).

A visão católica de um Universo racionalmente ordenado e prenhe de sentido e do homem como criatura racional capaz de prever o comportamento da natureza encorajou os europeus medievais a se dedicarem a atividades empíricas, pavimentando o caminho para a Revolução Científica.

Também é notável que esta visão mecanicista do Universo deixa pouco espaço para o milagre. Contrastando com a visão distorcida de que o Catolicismo é nada mais que um amontoado de crenças supersticiosas e mitos completamente descolados da realidade, aqui temos filósofos católicos que professam ser os milagres não uma norma ou ocorrência natural, mas um desvio das leis fixas da natureza. Milagres acontecem, mas apenas tendo como pano de fundo a regularidade e a ordem. No caso de Adelardo de Bath, temos o seguinte testemunho: “precisamos prestar atenção aos limites do conhecimento humano, e apenas quando estes são rompidos devemos falar da ação direta de Deus” (87). Sobre a interpretação da Escritura, André de São Vítor ensinava que o exegeta “deve perceber isto: na exposição da Escritura, quando o evento não admitir uma explicação natural, então e somente então devemos afirmar um milagre” (Huff, “Science and Metaphysics in the Three Religions of the Book” 189).

(3) Um forte compromisso com a dúvida, a racionalidade e a busca incondicional e irrestrita pelo conhecimento, aprendizado e pela “verdade”. Hugo de São Vítor encorajava seus pupilos a “aprenderem tudo” porque “depois verão que nada é supérfluo” (Watson, 330). Também se diz que ele afirmou: “Aprendam voluntariamente de todos o que vocês não conhecem. A pessoa que busca aprender alguma coisa de todos será mais sábia que todos. A pessoa que recebe algo de todos acabará de todos a mais rica" (Papa Bento XVI 220). Pedro de Poitiers, chanceler da Universidade de Paris, chegou ao ponto de dizer que “embora certamente sejam verdadeiros, ainda assim é nosso dever duvidar dos artigos de fé, e procurar, e discutir” (Watson 367). O grande lógico Pedro Abelardo ensinava que a busca pela “verdade” se funda na dúvida: “Procuramos por meio da dúvida, e buscando percebemos a verdade" (366). João de Salisbury, bispo de Chartres, via a razão como central para a compreensão e o conhecimento: “Foi a mente por meio da razão capaz de ir além da experiência dos sentidos, tornando-a pelo intelecto inteligível, relacionando as coisas com sua causa divina e compreendendo-as na ordem da criação, alcançando finalmente um conhecimento verdadeiro, a sabedoria” (367).

(4) A harmonia entre as verdades reveladas e as verdades racionais, já que ambas, razão e fé, derivam da mesma fonte divina.

(5) A experimentação e a observação como base para a investigação do mundo físico: Roger Bacon, Alberto Magno e Roberto Grosseteste merecem ser considerados como precursores ou pioneiros do método científico no Ocidente. Esses três padres cientistas abraçaram um método experimental que priorizava os dados empíricos sobre o pensamento teorético. Bacon enfatizava que “o mais forte dos argumentos nada demonstra se suas conclusões não são verificadas pela experiência" (Woods 94). Ainda: “Sem o experimento, nada pode ser adequadamente conhecido. Um argumento prova teoricamente, mas não possui credibilidade necessária para remover toda a dúvida; nem a mente repousará na contemplação clara da verdade a não ser que a encontre por meio da experiência” (94). Ecoando os mesmos sentimentos, Alberto Magno afirmava que o objetivo da filosofia natural ou ciência “não é simplesmente aceitar o que outros disseram, isto é, o que é narrado pelas pessoas, mas investigar por conta própria as causas que estão a operar na natureza” (95). Na ciência, “apenas a experiência garante a certeza” (Watson 369).

Por uma questão de correção intelectual, acrescento que os três cientistas/teólogos cristãos mencionados no parágrafo anterior receberam a influência da tradição islâmica medieval de experimentação e observação. Huff aponta que “o mundo científico do Islam era rico em idéias experimentais... em óptica, astronomia e medicina” (218). Ibn al-Haytham e seu successor, Kamal al-Din al-Farisi, realizaram experimentos em óptica, enquanto o Cânon de Avicena, que influenciou a medicina na Europa por séculos, estabeleceu regras para testar medicamentos. Al-Razi recusava-se a aceitar afirmações sem validação ou verificação experimental e observacional. (216-18).

O método experimental dos cientistas católicos e islâmicos contrasta com a abordagem predominantemente teórica, contemplativa e abstrata dos antigos cientistas gregos e helênicos. A ciência grega se apoiava em teorias gerais ou universais, e casos particulares que desafiavam essas teorias eram ou deixados de lado ou forçados a se enquadrar nelas de algum modo. Uma teoria médica que “infernizaria a prática da medicina por mais de dois milênios" (Kriwaczek 199), alegava que toda enfermidade era o efeito de um desequilíbrio dos quatro humores corporais: sangue, bile negra, bile amarela e fleuma. Aristóteles afirmava que um objeto duas vezes mais pesado que outro cairia duas vezes mais rápido se os dois objetos fossem largados da mesma altura, permanecendo incontestado por séculos, embora um simples experimento fosse capaz de provar seu erro. Mesmo coletando dados experimentais em seus estudos de biologia, Aristóteles “insistia em acreditar que a filosofia natural poderia ser baseada apenas na investigação racional, em oposição ao método empírico estrito" (Woods 81). Na República, Platão se comprometia mais fortemente ainda com a abordagem puramente teórica e abstrata que Aristóteles: “Devemos considerar a astronomia como fazemos com a geometria, por meio de problemas e ignorando o que está no Céu, se tencionamos compreendê-la realmente " (Freeman xvii). Essa atitude grega em relação à ciência pode ter sido influenciada pela idéia platônica das Formas, ou seja, que as percepções dos sentidos não correspondem à realidade e só produzem opiniões; o que vemos com nossos olhos são apenas sombras ou imagens de suas formas ideais, que só podem ser alcançadas através da contemplação ou reflexão, e não por meio da observação.

Aristóteles também distinguiu entre dois tipos de conhecimento: "techne" e "episteme.” Techne é o conhecimento de padrões naturais repetitivos ou o conhecimento derivado da experiência, como por exemplo o fato de que o sol nasce todos os dias, as chuvas produzem chuva, etc. Já a episteme é o conhecimento que resulta da aplicação da razão em busca de uma explicação causal (conhecimento do “porque” ou “como” das coisas, conhecimento das causas, de como ou porque as nuvens se precipitam na chuva, de porque o sol nasce todos os dias, etc.). No mundo greco-romano, os estudiosos procuravam adquirir episteme e não techne (Osborne 285-6).

O estabelecimento das universidades

A fundação de universidades na Europa durante a Idade Média por si só basta para destruir o mito da “Idade das Trevas”. As primeiras universidades européias foram instituídas em Bolonha (1088), Paris (1090) e Oxford (1096). Posteriormente, várias outras surgiram, especialmente em cidades como Montpellier, Salamanca e Cambridge. Algumas delas ganharam fama pela sua instrução em determinadas áreas: a Universidade de Salerno era conhecida por seus estudos médicos, Paris por seu curso de teologia e lógica, Bolonha pelo direito civil e canônico (Irnerius e Graciano ensinaram lá) e Oxford pela excelência nas ciências naturais e em matemática.

O que surpreende nessas instituições de aprendizado é que elas incorporaram em seus currículos as ciências naturais e os recém-descobertos trabalhos dos gregos antigos e dos árabes, particularmente Aristóteles, Ibn al-Haytham, Euclides, Ptolomeu, entre outros. A ciência estava profundamente enraizada na educação universitária, e por isso Huff chega ao ponto de dizer que as universidades medievais lançaram “os fundamentos para o estudo da ciência moderna" (180). Em outras palavras, o estudo da ciência passou por um processo de institucionalização durante a Alta Idade Média, o que permitiu sua disseminação. Também é interessante notar que as universidades européias eram entidades legalmente autônomas que davam a seus estudantes e mestres proteção legal para desenvolver seus estudos sem perturbações. Elas criaram uma zona protegida e independente onde os eruditos e estudiosos podiam realizer suas investigações intelectuais e científicas. Como corporações, as universidades gozavam de muitos direitos e privilégios, tais como autonomia legal em relação à Igreja e aos governantes seculares e o poder de fazer suas próprias leis e administrar seus negócios sem interferência externa. Os mestres universitários possuíam, entre seus privilégios e prerrogativas, a isenção de deveres civis, da obrigação de pagar os impostos locais e o direito de ficar fora da jurisdição da cidade na qual sua universidade era sediada, além de receber proteção contra a ira eventual das massas populares (Huff 234).

Mais ainda me deixou perplex, no entanto, o fato de que o Papado, em muitos casos, desempenhou uma função fundamental no estabelecimento das universidades e na criação de um ambiente acadêmico livre. No tempo da Reforma, 81 universidades já tinham sido estabelecidas, 33 das quais receberam cartas de privilégios papais e 20 obtiveram isenções imperiais e pontifícias (Woods 48). Em 1254, o Papa Inocêncio IV concedeu à Universidade de Oxford o privilégio de graduar estudantes sem intervenções papais, imperiais ou reais. O Papa Gregório IX promulgou, em 1233, um documento garantindo a quem recebia o grau de mestre o direito de ensinar em qualquer parte do mundo, “encorajando a difusão do conhecimento e promovendo o ideal de uma comunidade internacional de estudiosos” (49). Dois anos antes, o mesmo papa publicara uma bula protegendo a autonomia legal e acadêmica da Universidade de Paris e dando a seus estudantes e professores de fazer greve se seus direitos fossem violados. O Papa Honório III agiu de modo parecido quando interveio para proteger a autonomia e independência dos mestres da Universidade de Bolonha. Em outros casos, os papas protegeram os estudantes universitários da fúria e do abuso dos habitantes locais dando-lhes os mesmos benefícios do clero. Isto significava que podiam ter seus casos julgados nas cortes eclesiásticas e não nas cortes seculares. Papas como Bonifácio VIII, Clemente V, Clemente VI e Gregório IX, segundo documentos históricos, pressionaram as universidades a pagarem os salários de seus professores (48-51). O Papa Inocêncio IV saudava as universidades como “rios de ciência que irrigam e fertilizam o solo da Igreja universal”, enquanto o Papa Alexandre IV (1254-1261) descrevia as universidades como “lanternas brilhando na casa de Deus" (65).

Vale ainda notar que o patrocínio da Igreja Católica às atividades científicas perdurou muito além do período medieval. Inúmeros padres católicos continuaram a oferecer contribuições científicas relevantes e, com frequência, seminais. Alguns exemplos: Nicolau Steno (1638–1686), tido como pai da Geologia; Athanasius Kircher (1602–1680), pai da Egiptologia; Roger Boscovich (1711 –1787), pai da moderna teoria atômica; Gregor Mendel (1822 –1884), fundador da ciência da genética; e Francesco Lana-Terzi (1631–1687), pai da aviação. Giovanni Battista Riccioli (1598 –1671) recebeu crédito por calculary a aceleração de corpos em queda enquanto Francesco Maria Grimaldi (1618 –1663) descobriu a difração da luz e mediu a altura das montanhas lunares e das nuvens. O padre Nicolas Zucchi é considerado o inventor do telescópio refletor, enquanto o padre James B. Macelwane (1883–1956) introduziu o primeiro livro-texto de Sismologia na América. Estas valiosas informações podem ser encontradas no livro altamente informativo e cuidadosamente preparado de Thomas Woods, Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental.

Não escrevi este ensaio para encobrir qualquer mancha na história da Igreja Católica. Não estou também alegando que a Igreja sempre foi infalível ou que seu registro histórico é imaculado. Minha intenção foi e é tão somente expressar admiração pelas prodigiosas realizações que o Catolicismo e a Igreja produziram e que são merecedoras de reconhecimento – um reconhecimento negado amiúde por causa de preconceitos e mitos solidamente estabelecidos.


Tamer Nashef

Trabalhos Citados

Freeman, Charles. The Closing of the Western Mind: The Rise of Faith and the Fall of Reason. New York: Vintage Books, 2002. Impresso.
Huff, Toby. The Rise of Early Modern Science: Islam, China and the West. 2nd edition. New York: Cambridge University Press, 2003. Impresso.
_________. 2000. “Science and Metaphysics in the Three Religions of the Book.” Intellectual Discourse 8, no. 2: 173-98. Impresso.
Kenny, Anthony. A Brief History of Western Philosophy. Oxford: Blackwell Publishers, 1998. Impresso.
Kriwaczek, Paul. Babylon, Mesopotamia and the Birth of Civilization. London: Atlantic Books, 2010. Impresso.
Osborne, Roger. Civilization: A New History of the Western World. New York: Pegasus Books, 2006. Impresso. Tradução no Brasil: Civilização: Uma Nova História do Mundo Ocidental, Editora Difel, 2016. Impresso.
Pope Benedict XIV. Great Christian Thinkers: From The Early Church Through The Middle Ages. London: Society for Promoting Christian Knowledge, 2011. Impresso.
Stokes, Phillip. Philosophy: 100 Essential Thinkers. New York: Enchanted Lion Books, 2005. Impresso.
Trombley, Stephen. A Short History of Western Thought. London: Atlantic Books, 2011. Impresso.
Watson, Peter. Ideas: A History of Thought and Invention, From Fire to Freud. New York: Harper Perennial, 2005. Impresso.
Woods E. Thomas. How the Catholic Church Built Western Civilization. Washington: Regnery History, 2012. Impresso. Tradução no Brasil: Como a Igreja Católica construiu a Civilização Ocidental, publicado pela Editora Quadrante, 2011. Impresso.
Zuccato, Marco. "Gerbert of Aurillac." Medieval Science, Technology, and Medicine: An Encyclopedia. Ed. Thomas F. Glick, Steven Livesey, Faith Wallis. New York: Routledge, 2005. 192-94. Impresso.
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Tradutores Cristãos