sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Progredindo sempre para a plenitude de Cristo


Os que foram dignos de se tornarem filhos de Deus, de renascerem pelo Espírito Santo e receberem em si a Cristo que os ilumina e lhes dá uma vida nova, são conduzidos pelo Espírito de muitos e diversos modos e dirigidos pela graça em grande paz de espírito. 

Umas vezes, imersos em grande tristeza e compaixão pelo gênero humano, rezam incessantemente por todos os homens com lágrimas e lamentações, em virtude do seu grande amor espiritual para com a humanidade. Outras vezes, são inflamados pelo Espírito com tão intensa alegria e amor, que, se fosse possível, levariam todos os homens no coração, sem qualquer distinção entre bons e maus. 

Umas vezes, abatidos por um sentimento de profunda humildade, consideram-se como os mais abjetos e desprezíveis de todos os homens. Outras vezes, são reconfortados pela alegria inefável do Espírito. 

Umas vezes, como herói destemido que, revestindo-se da armadura real e lançando-se ao combate, luta com valentia e vence os inimigos, assim o homem espiritual, tomando as armas celestes do Espírito, empreende a batalha contra os inimigos e os submete a seus pés. Outras vezes, a alma descansa em grande silêncio, tranquilidade e paz, saboreando interiormente as delícias e o sossego inefável do Espírito. 

Umas vezes, recebe do Espírito graças especiais de inteligência, sabedoria e conhecimento inefáveis, superiores a tudo o que humanamente se pode dizer ou exprimir. Outras vezes, como qualquer homem, nada de especial experimenta. 

Deste modo, a graça conduz a alma através de vários e diversos estados ou situações, exercitando-a de muitas maneiras e conformando-a com a vontade de Deus, com o fim de a tornar perfeita, irrepreensível e sem mancha diante do Pai celeste. 

Oremos também nós ao Senhor, pedindo-Lhe com grande amor e confiança que nos conceda a graça celeste do dom do Espírito, para que o mesmo Espírito nos governe e conduza ao cumprimento perfeito da vontade divina e nos reanime na sua paz, de modo que, mediante a sua direção, exercitação e moção espiritual, mereçamos chegar à perfeita plenitude de Cristo, como diz o Apóstolo: Para que sejais cumulados de toda a plenitude de Cristo.



Das homilias de um autor espiritual do século IV (Hom. 18, 7-11: PG 34, 639-642)