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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Homilética: Festa da Cátedra de São Pedro (22 de fevereiro): "Pedro tu és pedra, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja".


A 22 de fevereiro os antigos romanos honravam a memória dos mortos e comiam junto de suas tumbas, ao redor de sua “cátedra” (cadeira reservada ao defunto para significar que estava presente no banquete). A partir do século IV, os cristãos começaram a honrar uma “cátedra” muito mais espiritual: a de Pedro, chefe da Igreja de Roma.

Comentário dos textos bíblicos

Leitura: 1Pd 5,1-4

A exortação de 3,1-9 continua aqui, seguindo um esquema semelhante: anciãos, jovens, todos. “Anciãos”, em lugar de significar idade (correlativo de jovens), passa a significar a função. Antes de despedir-se, Pedro, o ancião e responsável, aconselha seus colegas anciãos e responsáveis. Podem se ler esses versículos como testamento espiritual de Pedro. Exibe primeiro seus títulos: testemunha da Paixão (que assimilou em sua espiritualidade, ainda que lhe tenha custado tanto compreende-la) e participante na esperança da glória.

Depois propõe seus conselhos com seu procedimento favorito de antíteses: “não isso, mas aquilo”. Três antíteses que sintetizam o programa de um pastor. O aspecto negativo serve para sublinhar o oposto positivo; mas também poderia aludir a abusos reais ou possíveis entre os responsáveis. A imagem do pastor era e se tornou tradicional: Jesus Cristo é o “Arquipastor” (pastor supremo ou chefe dos pastores). 

Mateus 16,13-19

Este trecho não é relevante só para a Igreja Católica, é-o intrinsecamente. Assinala no evangelho de Mateus uma curva de grande importância. Compõe-se de duas partes: a confissão de Pedro, porta-voz dos Doze, sobre o messianismo de Jesus (v. 13-16.20) e, inserida nela, a promessa do primado, feita pode Jesus a Pedro (v. 17-19). Cronologicamente, as duas coisas não parecem coincidir. Com efeito, a passagem seguinte (16,21-27) não alude à confissão da divindade de Jesus. O motivo de haver Mateus unido as duas partes está em sua teologia. A ruptura com Israel é já agora definitiva: Israel não é mais a planta de Deus (15,13); deve o discípulo abandoná-la; deixai-os (15,14); o próprio Jesus abandona-o (16,4b). É, porém, inconcebível um messias sem um povo (uma qahal), e Jesus anuncia-o fundado sobre a rocha que, visivelmente, após sua partida, será Pedro, a quem dá as chaves.


Diante de Jesus é necessário tomar posição. Entre a crescente hostilidade dos chefes e a incompreensão da multidão, para se concentrar na formação dos discípulos, particularmente dos Doze, Jesus levanta uma “questão de confiança”. Pedro, em nome dos outros, faz uma positiva profissão de fé: “Jesus é o Cristo, o Filho de Deus”. De fato - diz Jesus- foi o Pai que lho revelou. Por isso Cristo edificará sua Igreja sobre Pedro. Mas devia ser aceito como “Messias-Servo sofredor”, e Pedro aqui se lhe opõe com a veemência de um pensamento puramente humano: torna-se “pedra de tropeço”. Por isso Jesus rezará por sua “conversão”, a fim de que possa confirmar os “irmãos” (Lc 22,31s). Tudo isso vale para nós: Devemos declarar-nos abertamente por Cristo Salvador; pertencer a Cristo na Igreja construída sobre a rocha; deixar-nos confirmar na fé por Pedro que tem de Cristo poder e missão para isso; chorar com Pedro a infidelidade passada.
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Missal Cotidiano / Bíblia do Peregrino