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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Um triunfo com critérios diferentes


675. Antes do Advento de Cristo, a Igreja deve passar por uma provação final que abalará a fé de muitos crentes. A perseguição que acompanha a peregrinação dela na terra desvendará o "mistério de iniquidade" sob a forma de uma impostura religiosa que há de trazer aos homens uma solução aparente a seus problemas, à custa da apostasia da verdade. A impostura religiosa suprema é a do Anticristo, isto é, a de um pseudomessianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e deSeu Messias que veio na carne.

É verdade que a Igreja sempre caminhará na história como uma pobre peregrina. É a herança que lhe cabe, até a manifestação da glória de Cristo, quando os rastros do mistério da iniquidade serão aniquilados da história para sempre.

Mas é verdade também que antes da Manifestação gloriosa do Senhor, a apostasia (abandono em massa da fé) e o ódio a Cristo e à Sua Igreja recrudescerão. Esse ódio está ligado à impostura anticrística de que fala o Catecismo.

O Anticristo não é necessariamente um indivíduo, mas um sistema, uma ideologia um modo de pensar e de viver. É impressionante o realismo e lucidez do Catecismo ao descrever a impostura do “pseudomessianismo em que o homem glorifica a si mesmo em lugar de Deus e de Seu Messias que veio na carne”.

O verdadeiro Messias veio na carne, isto é, na humildade, no abaixamento, na impotência, contra tudo aquilo que é esquema do mundo. E nesse Messias pobre e humilde que Deus manifestará Sua Glória final e destruirá a demoníaca pretensão humana de ser seu próprio deus. Estejamos atentos porque atualmente vemos de modo muito forte os traços dessa luta... Sem alarmismos messiânicos, os cristãos devem ser, no entanto, muito atentos aos sinais dos tempos...
 

676. Esta impostura anticrística já se esboça no mundo toda vez que se pretende realizar na história a esperança messiânica que só pode realiza-se para além dela, por meio do juízo escatológico: mesmo em sua forma mitigada, a Igreja rejeitou esta falsificação do Reino vindouro sob o nome de milenarismo, sobretudo sob a forma política de um messianismo secularizado, "intrinsecamente perverso".

A Igreja não aceita nenhuma ilusão de uma sociedade perfeita neste mundo. Em nome dela, quantos sistemas políticos perversos já assassinaram milhões de seres humanos? Pensemos no nazismo, no marxismo-leninismo, no fascismo, no maoísmo chinês, no insano marxismo do Camboja, no sanguinário regime cubano, etc...

Mas, é necessário também atenção a teologias inspiradas nessas ideologias, como foi o caso da teologia da libertação latino-americana, com seus pressupostos inaceitáveis para a fé... Atenção, que isto é fatal: Toda ilusão de construir uma sociedade perfeita aqui é “intrinsecamente perversa” porque é uma maldita falsificação do Reino de Deus.


O cristão sempre deverá ser solidário em relação aos pobres e sofredores do mundo, deverá sempre comprometer-se com a promoção da justiça e da paz, deverá sempre procurar a melhoria das estruturas políticas, sociais e econômicas, mas sem as motivações e ilusões ideológicas seja de um paganismo consumista e ateu, seja de teologias secularizadas e comprometidas com projetos totalmente estranhos e até contrários ao Evangelho...


677. A Igreja só entrará na Glória do Reino por meio desta derradeira Páscoa, em que seguirá seu Senhor em Sua Morte e Ressurreição. Portanto, o Reino não se realizará por um triunfo histórico da Igreja segundo um progresso ascendente, mas por uma vitória de Deus sobre o desencadeamento último do mal, que fará Sua Esposa descer do Céu. O triunfo de Deus sobre a revolta do mal assumirá a forma do Juízo Final depois do derradeiro abalo cósmico deste mundo que passa.

A Igreja deve ter todo cuidado de não se iludir com os elogios e glórias deste mundo. A Igreja ser elogiada pelo mundo em geral é péssimo sinal! Infelizmente, nem sempre ela soube escapar desse perigo do fascínio da glória temporal...

Somente quando ela tem bem presente que o Reino não é deste mundo e não se realizará senão na participação na cruz do seu Senhor é que ela será forte de verdade e livre de verdade.

A Igreja, Esposa do Cordeiro, deve estar pronta para dar testemunho do seu Senhor na perseguição, na humilhação e no opróbrio, sabendo que, ao fim, alcançará o triunfo não por seus próprios méritos e poder, mas graças ao seu Senhor que, pela força de Sua cruz e ressurreição, manifestará Sua vitória e Seu triunfo no final dos tempos.

Nesta esperança devemos viver e, tendo em vista esta certeza, deve a Igreja pautar sua existência e seu caminho.

Nunca poderemos olvidar: o critério do Juízo, o critério do Reino é o Cristo morto e ressuscitado!


Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares, PE