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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Da gruta de Belém ao Calvário


Todos nós temos uma missão nesta terra. Quando Deus nos criou, Ele em sua infinita bondade, nos deu uma vocação particular. Uns são chamados ao sacerdócio, outros ao matrimônio, outros, porém, à vida consagrada. Em cada estado de vida o Senhor também faz chamados especiais (particulares) para cada pessoa. São Padre Pio foi sacerdote, porém, como padre, teve um chamado maior, particular, que foi viver cinquenta anos sentindo as dores dos estigmas. Este também construiu um hospital. Santa Faustina foi uma freira, mas teve o chamado particular de difundir a devoção à Divina Misericórdia no mundo. Todos nós somos chamados a algo. O Senhor nos confia a alguma coisa. O Senhor nos deu uma missão. Devemos cumpri-la.

Por isso, ao contemplarmos o Menino Jesus no presépio, lembremos que ali está uma missão, ali há um desígnio do Pai. A encarnação do Verbo não foi à toa. Jesus Cristo, Filho de Deus, tinha uma missão. Olhemos para o Menino Jesus na manjedoura, sob o olhar e a proteção da Virgem Maria e de S. José, e contemplemos este amor de Deus que se faz verdadeiro homem para que sejamos glorificados no Céu. O Verbo se fez carne e habitou entre nós. Mas porquê? Porque Deus é amor, e o amor não podia ser contido no Céu, este amor teve que invadir nossa realidade, mesmo que nossos primeiros pais por um momento tenham “expulsado” o amor da Terra. Este Amor veio e se tornou um conosco, para que nós, que outrora queríamos ser “deuses”, pudéssemos, pela Misericórdia de Cristo, participar da Glória do Pai eternamente.

Sabendo, então, que a missão de Cristo era tirar-nos da miséria do pecado, da escravidão do demônio, olhemos para este belo Menino Deus, e lembremos do fim de sua vida terrena. Não podemos separar a manjedoura do patíbulo da Cruz. Ele se fez carne no ventre puríssimo e imaculado de Nossa Senhora, foi colocado em uma manejedoura e não em um berço de ouro; tudo isso porque ele estaria em um trono, não de glória, mas no trono da Santa Cruz. O trono de glória Cristo recebera após Sua ressurreição. Em sua gloriosa ressurreição e ascenção, Cristo nos levou com ele. Mas para isso, Ele teve que sofrer, ser triturado nas mãos dos pagãos, e, elevado no madeiro da Cruz no monte Calvário, lavar o mundo com Seu preciosíssimo sangue. Eis que o ofendido se torna um com os ofensores, e lava com seu próprio sangue a imundície produzida pelos outros. Eis que o amor veio nos amar. Eis que na pobreza da manjedoura está Aquele que nos libertará da pobreza espiritual do pecado, e nos levará para a glória da Santíssima Trindade. 

É dito que – se não me engano nas visões da Beata Ana Catarina Emerich – quando Jesus nasceu, a Virgem Maria sofria interiormente ao segurar o Menino em seus braços, pegando em suas mãozinhas, em seus pézinhos, e ali saber que seriam perfurados. Sim, a Virgem Maria tinha um conhecimento da Palavra de Deus, e Isaias falava do sofrimento de Cristo. Ó, quem poderá compreender a mistura de êxtase e sofrimento da Virgem Maria!?

Imitando Maria, devemos nós também olhar Jesus menino e ver suas mãozinhas, seus pezinhos e lembrar que Ele se encarnou, nasceu no Natal, para morrer no madeiro da Cruz; para ressuscitar ao Terceiro dia, voltando para a glória nos levando com Ele. Que alegria daqueles que já repousaram no Senhor e estão na glória! Mas alegra-te vós que estais lendo este texto! O Emanuel (Deus conosco – Jesus Cristo) se fez carne, nasceu e morreu na Cruz por você, e ao ressuscitar, abriu as portas do Céu para ti! Seja fiel e perseverante! Cristo triunfará! Ele nos levará para o Céu. Aguentemos firmes no Senhor, e todos os dias da nossa vida será um novo Natal, ou seja, um nascimento de Cristo no nosso coração nos ensinando a santidade de vida, nos ensinando a nos alimentarmos de Sua Misericórdia.

Esta realidade de Natal e Paixão é tão real, que hoje, 26/12, a Igreja celebra a memória do martírio de Santo Estêvão. Ontem, 25, foi Natal (claro que a alegria do Natal se estende), e hoje, celebramos primeiro mártir que deu a vida por amor a Cristo; deu a vida por pregar a palavra de Deus. Se Cristo nasceu verdadeiramente em nossos corações, devemos contemplar essa realidade: nascemos para dar a nossa vida ao Pai. Cristo deu a Sua vida na Cruz ao Pai para que fôssemos salvos. Nós também, a exemplo de Estêvão, se cremos que no Natal celebramos a encarnação do Verbo (Deus), devemos estar dispostos a dar a nossa vida pelo anúncio do Evangelho. Doa a quem doer. Viver pra morrer. Viver por Cristo, morrer por Ele. Como não dar a vida por Aquele que deu a vida por mim? Como não “encarnar” atitudes de verdadeiro discípulo daquele que, sendo Deus, se fez homem e assumiu uma condição de extrema pobreza por mim? Ó, seríamos muito ingratos.

Na narração evangélica do nascimento de Jesus, vemos que ninguém estava lá para adorá-Lo a não ser Maria Santíssima e S. José. Eis que surge os santos anjos para adorar e cantar glória. Mas o mais interessante é que os anjos saem a anunciar. Em Lucas 2,8-20 encontramos a narração do anúncio dos santos anjos aos pastores. Os anjos vão anunciar para aqueles simples pastores de ovelhas que eis que surgiu uma grande Boa-Nova, eis que o Verbo se fez carne. Deus está conosco! Os anjos anunciam e os pastores vão lá adorar Jesus nos braços da Virgem Maria. Os anjos poderiam ter ido anunciar para o sumo sacerdote, para os escribas, para os mais bem conceituados e falsos religiosos judáicos da época. Mas os anjos foram anunciar Jesus para os mais simples, para os pastores de ovelhas. E lá estes adoraram. Meus irmãos, vivemos em uma sociedade que mais uma vez “expulsou” Deus de suas vidas e conheceu o fruto da decadência. Por isso, ao contemplar o Jesus Menino na Manjedoura, lembremos que Deus, desde quando fomos formados no seio de nossas mães, nos confiou uma missão: servos anjos da anunciação! Sim, os anjos anunciaram essa boa-nova após Maria dar à luz. Os Apóstolos e discípulos de Jesus foram estes anjos e fizeram a Primeira evangelização convertendo o povo pagão. Agora somos nós que, ao vivermos num mudo “re-paganizado” devemos fazer este anúncio da nova evangelização. Nós percebemos o quanto o mundo está se tornando pagão quando observamos que, num dia de festa cristã, como o Natal o Semana Santa, por exemplo, deveríamos, a exemplo do carnaval, fazer oração de reparação. Penitência! Penitência! Penitêcia! - bradava o anjo no 3° segredo de Fátima. E seguindo o conselho do Céu, oremos e reparemos para que em cada dia, Cristo possa nascer nos corações daqueles que ainda não O conhecem. Eis que devemos ir aos pobres (que são quem não conhecem a Deus) e anunciar que há dois mil anos o Verbo se fez carne e habitou entre nós; amou-nos tanto que padeceu sob pôncio pilatos, foi crucificado morto e sepultado, mas que ao terceiro dia ressuscitou! Eis que Ele está conosco todos os dias até o fim dos séculos. Eis que Ele está de coração aberto, de braços aberto, com a porta do Céu aberta para nos receber. Ide! Ide! Ide e fazei discípulos! Ide e fazeis novos apóstolos dos últimos tempos.

Não queiramos ser falsos anjos que só falam de Jesus para quem já está na Igreja. Ou pior, não sejamos falsos religiosos como aqueles que rejeitaram o Senhor. Sejamos imitadores destes anjos que foram naqueles mais insignificantes, segundo a cultura da época, e façamos nós também o mesmo. Adentremos nas cadeias, nas bocas de fumo, vamos até as pessoas que estão se prostituindo e falemos: Eis que tenho uma boa nova: Jesus Cristo verdadeiro Deus que nos dá a verdadeira felicidade.

Como faremos isso? Principalmente pela oração! Oremos. Nossa oração chega onde os nossos pés de missionários não chegam. Mas, se Deus te chama, ide e pregai o Evangelho a TODA CRIATURA. Ide, faça um santo e abençoado apostolado sob a proteção de Nossa Senhora.

Que o Menino Deus nasça nos nossos corações e nos façam santos, e nos dê a graça de anunciar esta Boa-Nova para quem não O conhece, para que Ele nasça também nestes corações que, por fraqueza, hoje não o conhecem. Não sejamos negligentes! Afinal, se muitos profanam as festas santas com práticas mundanas (festas profanas, etc.) é porque nós não temos evangelizado as pessoas. Sim, não temos dado verdadeiro testemunho de vida, nem temos feito aquilo que está ao nosso alcance para anunciar o verdadeiro Deus que é Jesus Cristo. Sim, sejamos fiéis naquilo que Deus nos confia, e não naquilo que as pessoas querem de nós. Sejamos santos. Sejamos aquilo que Deus quer. “Que se faça somente a vontade de Deus!” (1Macabeus 3,60)


Salve Maria Imaculada, nossa Co-Redentora e Mãe! Que Viva Cristo Rei!


Anderson Carlos Bezerra