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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Afiliada da Planned Parenthood no Brasil manipula o Papa Francisco para promover o aborto


Uma organização abortista brasileira, filial da multinacional Planned Parenthood, lançou nas redes sociais uma singular campanha, que torna o Papa Francisco um aliado na luta pelo assassinato de bebês em gestação, colocando-o como um exemplo para transformar o aborto em "um crime sem punição".

Uma imagem do pontífice sorrindo acompanhada pela frase  "Mulheres que abortam: são milhares no Brasil; todas perdoadas pelo Papa Francisco"  está sendo intensamente divulgada no Facebook, Twitter e em grupos de WhatsApp desde o final de novembro.

A frase induz a pensar que o Santo Padre modificou a doutrina e a disciplina da Igreja sobre o aborto  ou que forneceu algum tipo de perdão automático a quem tenha praticado o aborto.

A frase é falsa. É uma manipulação grosseira do parágrafo 12 da Carta Apostólica Misericordia et misera, publicada no último 20 de novembro, na qual o Papa estende por tempo indefinido a faculdade que havia concedido temporariamente aos sacerdotes de perdoar em confissão o pecado do aborto. 

Na Igreja Católica o aborto causa excomunhão imediata  e o penitente, arrependido e recorrendo ao sacramento da confissão,  só poderia ser perdoado por um bispo . Agora, para que "nenhum obstáculo se imponha entre o pedido de reconciliação e o perdão de Deus" qualquer sacerdote pode absolver quem está arrependido.

Pode-se pensar que a campanha brasileira é apenas um erro infeliz, que é comum, por exemplo, em um comunicado de imprensa inculto quanto ao momento de divulgar notícias da Igreja.

No entanto, juntamente com o "banner" foi divulgado um artigo da antropóloga Débora Diniz intitulado  "Papa Francisco e o perdão do aborto".

Originalmente publicado no jornal on-line  Huffington Post, o texto, embora breve, é cheio de mentiras e grandes erros. Começa por afirmar especificamente que "não há mais excomunhão para a mulher que aborta, há perdão, disse o Papa Francisco". 


A autora acredita que a partir de agora, em obediência ao do Pontífice,  os cristãos não deverão "ameaçar a mulher com as penas do inferno"  nem com a expulsão da Igreja Católica, e que os confessores devem "abster-se de punir" dispensando um "perdão incondicional".

Ela indica que "o sofrimento do aborto é o resultado da clandestinidade", e não a culpa por matar o próprio filho no ventre, e sublinhou que "é necessário que todas elas saibam: o pecado do aborto agora é perdoável".

E transmite uma mensagem clara:  "aborta, antes você não poderia ser perdoada e agora sim, o Papa te compreende".

O texto afirma que para o Código de Direito Canônico - que é definido como um conjunto de regras que orientam a prática religiosa dos católicos -, o aborto é uma falta imperdoável  mas que agora é perdoado por um "gesto simples, justo e generoso" do Papa.

Este gesto, conclui, é um exemplo a ser seguido pelos legisladores e juízes: "são milhões de mulheres que vão à confissão e recebem o perdão, o próximo passo é que o nosso sistema legal se inspire no Papa Francisco e também faça do aborto um crime sem punição".

Os erros são grosseiros e dificilmente pode pensar-se que não haja má-fé ao dizer que até agora o aborto era uma "falta imperdoável" na Igreja. A escritora, Débora Diniz, é uma pessoa com instrução acadêmica superior, com doutorados, formada em uma família cristã, ativista e líder feminista.

A autora omite intencionalmente que o mesmo parágrafo do documento pontifício mencionado no artigo, Francisco também disse "quero enfatizar com toda a minha força que o aborto é um pecado grave, porque termina uma vida humana inocente."

A organização que divulga todas estas mentiras não é qualquer grupo amador. Trata-se da ANIS - Instituto de Bioética,  organização que recebe recursos pesados das fundações Ford e MacArthur  e é uma das três representantes institucionais da Planned Parenthood no Brasil.

A ANIS, que articula de forma sistemática no país as agendas abortista e de Gênero, conseguiu que em 2012 o aborto em caso de anencefalia diagnosticada no bebê em gestação fosse discutido e descriminalizado no Supremo Tribunal Federal.

Agora, é uma das três situações em que o crime do aborto não é penalizado (as outras duas são quando há risco para a vida da mãe e quando houve estupro) em um sistema jurídico como o brasileiro que reconhece o direito à vida e salvaguarda o direito dos nascituros.

Recentemente a ANIS tentou recorrer um caminho semelhante para aprovar o aborto para as mulheres que estão infectadas com o vírus da Zika, independentemente de que o bebê seja saudável ou tenha malformações.

"Aqui a questão não é o feto. A mulher pode ter Zika, mas não possuir qualquer anomalia no feto. O problema é a pressão psicológica que sofre. Obrigada a manter a gravidez nesta situação é uma violência,  é como ser submetida a um estupro ou a um longo período de tortura,"explica Débora Diniz.

Se o Supremo apoiar o pedido da ANIS, pedindo por meio da Associação Nacional dos Defensores Públicos, o aborto poderá ser praticado no Brasil em qualquer mês de gravidez  quando qualquer mulher argumentar que está sofrendo intenso sofrimento psicológico.

Neste contexto foi lançada a campanha "Francisco abortista". Não por acaso foi difundida uma semana antes do Supremo abordar a petição da ANIS sobre o "aborto-zika". Por isso pede que "o sistema jurídico se inspire no Papa Francisco e também faça do aborto um crime sem punição".

O julgamento, que seria realizado em 7 de dezembro passado, foi adiado e ainda não possui data definida. A ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha, presidente do Supremo, disse que ficou surpresa com a reação "grande e um tanto inesperada" da população que se mobilizou para expressar sua rejeição ao aborto em casos de Zika.

Aparentemente, a campanha de aborto que manipula as palavras e os gestos do Papa Francisco, como os brasileiros dizem, "não colou".
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InfoCatólica
(Tradução nossa).