terça-feira, 15 de novembro de 2016

Eis o teu Rei, justo e salvador, que vem ao teu encontro


Digamos também nós a Cristo: Bendito o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel. Elevemos para Ele, em vez de ramos de palmeira, as suas últimas palavras na cruz. Sigamo-l’O festivamente, não agitando ramos de oliveira, mas honrando-O com a nossa caridade fraterna. Estendamos a seus pés, em vez de mantos, os desejos do nosso coração, a fim de que Ele dirija para nós os seus passos e estabeleça em nós a sua morada, aceite a oferta total de nós mesmos e permaneça sempre conosco. Digamos a Sião a mensagem profética: Tem confiança, filha de Sião, e não temas: Eis o teu Rei, que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta.

Vem ao teu encontro Aquele que está em toda a parte e tudo abrange com a sua presença; Ele vem para realizar em ti a salvação de todos os homens. Vem ao teu encontro Aquele que não veio chamar os justos mas os pecadores à penitência, para os tirar do erro dos seus pecados. Não temas. Deus está no meio de ti; jamais serás abalada.

Acolhe, elevando as mãos, Aquele que nas suas próprias mãos traçou as linhas das tuas muralhas. Recebe Aquele que nas palmas das suas mãos lançou os teus alicerces. Recebe Aquele que assumiu em Si tudo o que é nosso, menos o pecado, para nos dar tudo o que é seu. Alegra-te, Sião, cidade mãe; não temas. Celebra as tuas festas. Glorifica pela sua misericórdia Aquele que em ti veio até nós. Rejubila, filha de Jerusalém; canta e exulta. Levanta-te e resplandece – assim te aclamamos com a sagrada trombeta de Isaías – porque chegou a tua luz e brilha sobre ti a glória do Senhor.

Qual é esta luz? Aquela que ilumina todo o homem que vem a este mundo, aquela luz eterna, aquela luz intemporal e manifestada no tempo, aquela luz invisível por sua natureza e feita visível na carne, aquela luz que refulgiu aos pastores e guiou o caminho dos magos; aquela luz que estava no mundo desde o princípio, pela qual o mundo foi criado e que o mundo não reconheceu; aquela luz que veio para os seus e que os seus não receberam.

E qual é a glória do Senhor? É sem dúvida a cruz em que foi glorificado Jesus Cristo, o esplendor da glória do Pai, como Ele próprio disse quando se aproximava a sua paixão: Agora é glorificado o Filho do homem; Deus é glorificado n’Ele e O glorificará sem demora. Com estas palavras chama glória à sua exaltação na cruz. De fato a cruz é a glória de Cristo e a sua exaltação. Ele mesmo disse: Quando Eu for elevado sobre a terra atrairei todos a Mim.



Dos Sermões de Santo André de Creta, bispo

(Orat. 9. in ramos palmarum: PG 97, 1002)