quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Sigamos o caminho da verdade


Revistamo-nos de concórdia, humildade e castidade; afastemo-nos de toda a murmuração e maledicência e sejamos justos não com palavras mas com obras. Está escrito: Quem fala muito deverá também ouvir; ou julga o homem que é justo pela sua loquacidade? 

É necessário estarmos sempre dispostos a fazer o bem, pois tudo nos é dado por Deus. Ele nos previne dizendo: Eis que vem o Senhor e traz consigo a recompensa, para dar a cada um segundo as suas obras. Com estas palavras Ele exorta-nos a acreditarmos n’Ele de todo o coração, a não sermos preguiçosos mas diligentes em fazer o bem. Esteja sempre n’Ele a nossa glória e a nossa confiança; submetamo-nos à sua vontade e pensemos na grande multidão de Anjos que estão na sua presença, sempre prontos a cumprir a sua vontade. Diz a Escritura: Miríades e miríades de Anjos estavam na sua presença, milhares e milhares O serviam, e cantavam: Santo, Santo, Santo é o Senhor do Universo; toda a criação está cheia da sua glória. 

Reunamo-nos também nós no mesmo lugar, em perfeita concórdia de consciência, e aclamemo-l’O sem cessar numa só voz, a fim de participarmos nas suas grandes e gloriosas promessas. Diz também a Escritura: Nem os olhos viram, nem os ouvidos escutaram, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que O amam. 

Como são agradáveis, como são maravilhosos, irmãos caríssimos, os dons de Deus! A vida na imortalidade, o esplendor na justiça, a verdade na liberdade, a fé na confiança, a temperança na santidade: todas estas coisas se tornam acessíveis à nossa inteligência. Quais são então os bens preparados para aqueles que O esperam? Só o Santíssimo, o Criador e Pai dos séculos, conhece o seu número e beleza. 

Esforcemo-nos por ser contados entre o número daqueles que O esperam, para merecermos tomar parte nos dons prometidos. E como poderemos consegui-lo, amados irmãos? unindo pela fé a nossa alma a Deus, procurando com diligência o que é agradável e aceite a seus olhos, realizando o que está de acordo com a sua santa vontade, seguindo o caminho da verdade e rejeitando toda a forma de injustiça.


Da Carta de São Clemente I, papa, aos Coríntios
(Cap. 30, 3-4; 34, 2 – 35, 5: Funk 1, 99, 103-105) (Sec. I)