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quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Para não cair nos ardis do Anticristo



 

O Anticristo seduzirá aos que não tem caridade; por isso há que pedir à Deus que se digne chamar-nos e não permita que nos apartemos da verdade.


Por isso Deus lhes enviará ou permitirá que obre neles o artifício do erro, com que creiam na mentira, para que sejam condenados todos os que não creram na verdade, mas que se comprazeram na maldade. Mas nós devemos sempre dar graças à Deus por vós, irmãos amados de Deus, por Deus havê-los escolhido por primícias de salvação, mediante a santificação do espírito e a verdadeira fé que lhes foi dada; na qual os chamou assim mesmo por meio de nosso Evangelho, para fazê-los chegar a glória de Nosso Senhor Jesus Cristo. Que assim, meus irmãos, ficai firmes e mantenham as tradições que haveis recebido, ora por meio da pregação, ora por carta nossa. E Nosso Senhor Jesus Cristo, e Deus, nosso Pai, que nos amou, e deu eterno consolo, e boa esperança pela graça, alente vossos corações e os confirme em toda obra e palavra boa. - 2 Tessalonicenses 2,10-16


Ao dizer logo: “mas nós”, mostra porque os fiéis de Cristo se verão livres; da graças por eles e relembra a memória dos benefícios divinos, pelos quais se veem livres desses males.

Diz pois assim: eles serão enganados, mas “nós devemos dar graças” (Rm 1). E recorda dois benefícios divinos, à saber, a eleição de Deus, que é eterna, e a vocação, que é temporal.


Disse pois: “porque nos elegeu” a nós, os Apóstolos, “e a vós”, os fiéis (Ef 1; Jo 15). Toca em três pontos na matéria da eleição, à saber, na ordem dos eleitos, no fim da eleição e no meio de conseguir o fim.

 

Todos os santos tem sido eleitos desde o princípio do mundo (Deut. 33); mas as primícias de modo especial são os Apóstolos (Rm 8).


Por isso diz: “primícias da fé”. Assim mesmo o fim da eleição é a salvação eterna, como diz: “para a salvação” (1Tm 2).

E isto se leva à efeito primeiro, da parte de Deus, por meio da graça santificante; donde diz: “mediante a santificação do espírito”; segundo, da parte nossa, com o consentimento de nossa vontade por meio da fé; por isso acrescenta: “e na verdade da fé”.

“à qual os chamou”. Põe o segundo benefício, que é a vocação temporal de Cristo, que segue-se à eleição (Rm 8).


E sobre esta vocação repara na parábola do que fez a grande ceia (Lc 14) “por meio de nosso Evangelho” pregado por mim. Mas a qual ceia nos convida? “para fazer-nos chegar a glória”, isto é, para que alcancemos a glória de Cristo.


Logo, quando diz: “assim que, meu irmãos”, os admoestam a manterem-se firmes na verdade e interpõe a oração para este fim.


E faz o primeiro, porque nossas obras dependem de nossa vontade, e o segundo, porque é necessário o auxílio da graça.


E primeiro admoesta-os a estarem firmes (Gl 5); ensina logo o modo de está-lo:
“e mantenham as tradições”, isto é, os ensinamentos que receberam de seus maiores; porque os que se recebem dos menores algumas vezes não tem de ser observados, à saber, quando se opõe aos ensinamentos da fé (Mt 15); mas sim quando dizem respeito aos mandamentos divinos, “que haveis aprendido”.

 

“Recomendavam aos fiéis a observância das tradições e decretos acordados pelos Apóstolos e os presbíteros que residiam em Jerusalém” (At 16,4).


E estas tradições de duas maneiras lhes deram à conhecer: umas com palavras; donde diz: “ora por meio da pregação”; outras por escritos; por isso acrescenta: “ora por carta nossa”.


Donde se põe de manifesto que haviam muitas coisas na Igreja não escritas, que os Apóstolos ensinaram e, por conseguinte, hão que se observar; pois muitas coisas - disse Dionísio -, a juízo dos Apóstolos, eram melhor ocultá-las.


Por isso disse o Apóstolo: “quanto ao mais já o disporei quando lá chegar” (1Co 10). - “E Nosso Senhor Jesus Cristo e Deus nosso Pai...”:


Pondo esta frase, como se dissesse: estas são minhas recomendações, mas de nada serve sem o auxílio divino.


Por isso põe primeiro um duplo benefício de Deus: o amor que nos tem e pelo qual nos concede outras coisas; por isso diz: “nos amou”; e a consolação espiritual: “e deu eterno consolo” (2Co 1; Is 40).


E diz consolo eterno, à saber, contra todos os males iminentes e futuros. Por isso estamos na expectação de “uma boa esperança”, isto é, desses bens eternos que infalivelmente nos estão prometidos (1Pe. 1).


E isto “pela graça”, pela qual esperamos conseguir a vida eterna (Rm 6).


Pede para eles uma exortação, que é uma admoestação encaminhada a mover o ânimo a que queiram; e esta pode fazê-la o homem exteriormente; mas não seria eficaz, se interiormente não o alentasse o espírito de Deus; donde disse: “alente vossos corações”, isto é, o mova.


“Eu a levarei à solidão e falar-lhe-ei ao coração” (Os 2). Assim mesmo pede a confirmação; por isso diz: “e os confirme” (Sl. 67); como se dissesse: nos alente com sua graça para que queiramos, e nos confirme para que eficazmente queiramos.


E isto “em toda obra e palavra boa”. A obra leva a dianteira da palavra, porque Jesus começou primeiro a obrar e depois ensinou.

 

 

 

São Tomás de Aquino

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O texto que apresentamos aos nossos leitores é parte de um comentário da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses feito pelo Doutor dos Santos e o mais Santo dos Doutores da Igreja, isto é, de Santo Tomás de Aquino. A tradução para a língua portuguesa foi feita por Rodrigo Santana através de um texto editado em castelhano disponível no site da Congregação para o Clero (http://www.clerus.org) e vertido do latim de Sancti Thomae Aquinatis Doctoris Angelici super Secundam Epístolam Sancti Pauli Apostoli ad Thessalonicenses expositio publicado por Petri Marietti em 1896. A versão da epístola comentada por Santo Tomás é a da Vulgata de São Jerônimo. Essa também foi a utilizada nesta tradução do comentário.


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Disponivel em: Aparição de La Salette