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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Os católicos que participam na política deveriam suprimir sua fé?


Pessoas que promovem o laicismo nos Estados insistem que a religião deve permanecer no âmbito privado dos funcionários públicos e dos políticos. Isto é possível? Para o Procurador Geral da Nação da Colômbia, Alejandro Ordóñez, atuar assim evidenciaria uma “espécie de esquizofrenia social”.

Alejandro Ordóñez, católico e um dos mais assíduos defensores da vida, da família e da legalidade na Colômbia, em seu cargo suportou diversos ataques midiáticos, ao mesmo tempo que enfrentou diversas instituições do Estado como o Tribunal Constitucional.

Ordóñez serviu no cargo de Procurador Geral da Nação por dois períodos, desde 2009.

Em entrevista concedida ao Grupo ACI, Ordóñez assinalou: “Hoje vemos uma espécie de esquizofrenia social dos servidores públicos. É permitido que eles possam pensar o quiserem em privado, mas atuar diferente em público”.

“Há algo que atualmente sentimos falta em nossa sociedade, e isso é a coerência. A coerência que o católico deve ter entre sua vida privada e sua vida pública”, indicou.

Para o Procurador Geral da Nação, “nossa vida familiar e religiosa é claramente determinante em nossa vida pública”, pois de outra forma “estamos frente a um grave problema, pois terminamos fazendo coisas que não acreditamos e não pensamos”.

Ao atuar contra o que acreditamos que seja correto, “convertemo-nos em homens sem consciência ou atuando contra a nossa consciência”.

“É um dramático cenário moral que hoje a experiência nos demonstra os lamentáveis atos de corrupção em nosso Estado”.

Ordóñez sublinhou que “é evidente que se tivermos bons filhos, bons pais, bons esposos, com certeza teremos bons cidadãos e bons funcionários”.

“Mas se aceitarmos o divórcio entre as esferas privada e pública, onde se patrocine a desordem pessoal, encontraremo-nos com homens em conflito consigo mesmos que geralmente terminarão fazendo mau uso do público”.

Um bom católico é “garantia de um bom funcionário”

“Ser um bom católico é a garantia de ser um bom funcionário”, assegurou o Procurador, pois “as virtudes e normas morais lhe impedirão de servir-se ‘do’ público para, na verdade, servir ‘o’ público”.

“Como disse no discurso quando assumi pela segunda vez o cargo de Procurador, primeiramente eu perdoo todos os que me odeiam, perseguem e, também disse coloquialmente, fazem bullying, pelo simples fato das minhas crenças e opiniões”, assinalou.

“Em segundo lugar, devo dizer que para mim é uma grande honra, embora um mérito não merecido, ter sido promovido de soldado a general no campo de batalha, pois não duvido que há pessoas muito melhor preparadas e dotadas que eu para estas lutas, mas quanto eu gostaria que mostrassem seus rostos, que abandonassem as falsas prudências, os silêncios hostis”, disse.

“Davi contra Golias”

Ordóñez recordou que durante seu trabalho à frente da Procuradoria e ao receber os fortes ataques midiáticos, “houve vários momentos dolorosos e difíceis, sobretudo para a minha família”.

“Há momentos em que realmente nos sentimos como Davi contra Golias ou como um peixe que nada contra a corrente. Mas tivemos que passar por isso.

Entretanto, precisou, enquanto “os meios dominantes – bem poucos em número – se organizam com frequência quase que ao uníssono contra tudo o que diga ou faça o Procurador ou, em geral, contra tudo o que não seja ‘progre’”, a ele resulta “muito edificante o agradecimento, as felicitações e especialmente as orações de muitos cidadãos de todo o país”.

“Quando pretenderam deslegitimar meu cargo‘acusando-me’ algumas vezes de conservador e outras de reacionário, normalmente me lembro do pensador francês Georges Bernanos, que em seu texto ‘Liberdade para quê?’ explica: ‘ser reacionário quer dizer simplesmente estar vivo, pois só os cadáveres não reagem contra os vermes que o devoram. Essa é a tarefa dos reacionários, permanecer vivos, levar os germes da vida, dentro do corpo agonizante do estado’”.

Em seguida, Ordóñez lamentou a atual “intolerância aberta” contra “as posições de princípios”, o qual levou a que muitas pessoas que defendem os princípios da vida e da família “temam o linchamento midiático, que se converteu na ferramenta mais efetiva para promover as agendas radicais“.

A valentia vem do Senhor

O Procurador explicou que a valentia para enfrentar esta intolerância “vem de uma graça especial que Nosso Senhor concede àqueles que a pedem com fé”.

Por isso, Ordóñez agradeceu “as orações de milhões de compatriotas que expressam que diariamente estou presente em suas preces, porque sabem que eu defendo o que é verdadeiramente justo e bom para a sociedade”.

Além disso, indicou que a valentia “nasce da consciência de saber que de meus atos e omissões um dia não muito longe terei que prestar contas ao Criador”.
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ACI Digital