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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Anticristo e a apostasia geral

 

Entretanto, irmãos, vos suplicamos, pelo advento de Nosso Senhor Jesus Cristo, e de nossa união à Ele. Que não abandoneis rapidamente vossos sentimentos, nem os assusteis com supostas revelações, com certos discursos, ou com cartas que se suponham enviadas por nós, como se o dia do Senhor estivesse muito próximo. Não deixai-vos seduzir por nada e de nenhum modo, porque não virá este dia sem que primeiro haja acontecido a apostasia geral dos fiéis, e aparecido o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se oporá à Deus e se levantará contra tudo o que se diz Deus, ou se adora, até chegar a por seu assento no templo de Deus, dando-se a entender que é Deus. Não vos recordais que, quando estava entre vós, vos dizia estas coisas?- 2 Tessalonicenses 2,1-5

 

Diz São Paulo no geral: “que nada os engane de nenhum modo” (Lc 21; 1Co 15). A razão pela qual o Apóstolo tira do meio estas “pedras de tropeço”, é porque o prelado por nenhum motivo há de querer que valendo-se de mentiras se consigam alguns bens.


“A mais disso, somos convencidos de testemunhos falsos” (1Co 15,15). Assim mesmo porque a coisa crida era perigosa: que se aproximava a chegada do Senhor.


Primeiro, porque se daria ocasião a maior engano, já que haveriam alguns, depois de mortos os Apóstolos, que diriam serem eles o Cristo (Lc 21).


Por isso o Apóstolo não quis que houvesse lugar a dúvidas. Também porque o demônio pretende com frequência fazer-se passar por Cristo, como consta na Vida de São Martinho; e não quis que os Tessalonicenses passassem pelo mesmo.

Santo Agostinho põe outra razão: porque correria perigo a fé; pois algum diria: tardará em vir o Senhor, e então me prepararei para recebê-lo.


Outro: logo virá, agora vou-me preparar. Outro, enfim: não sei; e este está mais no justo, porque concorda com o que diz Cristo.


Mas o que vai mais errado é o que diz: logo, porque, passado o fim da pregação, os homens entrariam em desespero e creriam que fosse falso o que estava escrito.


Estabelece logo a verdade, ao dizer: “porque não virá este dia sem que primeiro haja acontecido a apostasia”; e mostra primeiro o que acontecerá à vinda Anticristo, que são duas coisas: uma anterior à sua vinda; outra, a sua mesma vinda.

 

Primeiro está a apostasia, que a Glosa explica de muitas maneiras, e primeiro da fé, que, segundo estava anunciado (Mt 24), todo o mundo receberia.


Este é, pois o sinal precursor, que – segundo Santo Agostinho – ainda não se cumpre; depois delehaverá muitos apóstatas (1Tm 4) “e pela inundação dos vícios se resfriará a caridade de muitos” (Mt 24,12).


Ou entenda-se a apostasia, ou separação, do Império Romano ao que todo o mundo estava submetido.


Segundo Santo Agostinho, figura sua era a figura de Daniel, em cujo capítulo dois se nomeiam quatro reinos, os quais terminariam no acontecimento da vinda de Cristo; e que isto era um sinal a propósito, porque a firmeza e estabilidade do Império Romano estava ordenada a que, debaixo de sua sombra e senhorio se ensinasse por todo o mundo a fé cristã.


Mas como pode ser isto, sendo já passados muitos séculos desde que os gentios se apartaram do Império Romano e, isso não obstante, não havia vindo ainda o Anticristo?

Digamos que o Império Romano ainda segue em pé, mas mudada sua condição de temporal em espiritual, como disse o Papa São Leão em um sermão sobre os Apóstolos.

Por conseguinte,
a separação do Império Romano há de entender-se, não só na ordem temporal, senão também na espiritual, e, a saber, da fé católica da Igreja Romana.

E isto é um sinal muito a propósito, porque, assim como Cristo veio quando o Império Romano assenhoreava sobre todas as nações, assim pelo contrário o sinal do Anticristo é a separação dele, ou apostasia.

 

 

São Tomás de Aquino

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O texto que apresentamos aos nossos leitores é parte de um comentário da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses feito pelo Doutor dos Santos e o mais Santo dos Doutores da Igreja, isto é, de Santo Tomás de Aquino. A tradução para a língua portuguesa foi feita por Rodrigo Santana através de um texto editado em castelhano disponível no site da Congregação para o Clero (http://www.clerus.org) e vertido do latim de Sancti Thomae Aquinatis Doctoris Angelici super Secundam Epístolam Sancti Pauli Apostoli ad Thessalonicenses expositio publicado por Petri Marietti em 1896. A versão da epístola comentada por Santo Tomás é a da Vulgata de São Jerônimo. Essa também foi a utilizada nesta tradução do comentário.

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Disponivel em: Aparição de La Salette