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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

EUA: Sacerdote acusado injustamente de abuso sexual ganha processo contra seus difamadores


Uma juíza federal nos Estados Unidos considerou que um grupo de vítimas de abusos sexuais declarou falsamente, “de forma negligente e com um temerário desprezo pela verdade”, contra um sacerdote da Arquidiocese de São Luis, nos Estados Unidos.

A juíza de distrito, Carol E. Jackson, assinalou que a influente organização Survivors Network of Those Abused by Priests (SNAP) não cumpriu com a ordem judicial de entregar detalhes acerca das pessoas que acusaram o Pe. Xiu Hui “Joseph” Jiang de abuso sexual. Isto fez com que fosse impossível realizar denúncias contra ele.

Jackson disse que o tribunal estabelece que as declarações de SNAP “eram falsas e que não iniciaram nenhuma investigação sobre a verdade ou falsidade destas afirmações públicas”.

Além disso, o tribunal sublinha que os acusados conspiraram para tentar condenar o Pe. Jiang por abuso sexual devido a “um ânimo discriminatório contra o demandante sobre a base da sua religião, vocação religiosa, raça e origem nacional”, segundo informou o jornal norte-americano ‘St. Louis Post-Dispatch’.

Com esta sentença, indicam, SNAP deverá assumir os “gastos razoáveis, que incluem os honorários dos advogados” do Pe. Jiang.

 Em 2014, o sacerdote foi acusado de abusar sexualmente de uma criança em um banheiro de uma escola católica em 2011 e 2012. Os promotores de São Luis retiraram as acusações no ano passado.

Pouco depois que as acusações foram retiradas, o Pe. Jiang apresentou uma denúncia por conspiração e difamação contra os pais da criança e os líderes do SNAP, David Clohessy e Barbara Dorris. Em sua ação judicial, também alegou que a polícia o perseguiu de forma errônea com base nos seus antecedentes religiosos e raciais.

Cabe destacar que as sanções da juíza se aplicam especificamente a SNAP.

No dia 27 de junho, o juiz ordenou que esta organização deveria proporcionar informação detalhada sobre aqueles que fizeram as acusações contra o Pe. Jiang, incluindo e-mails, mensagens de texto e informação de contato.

O grupo argumentou que sua informação estava protegida por um “centro de privilégio por crise de violação”.

A juíza sustentou que tal privilégio não existe e que SNAP fez “afirmações repetidas de um privilégio inexistente” quando poderia ter proposto alternativas, como a redação protegida dos nomes das vítimas ou entregar informação exclusivamente dirigida aos advogados.

Por sua parte, SNAP afirmou que entregou “centenas de páginas” de documentos redigidos aos advogados do sacerdote.

A organização também se negou a cumprir a ordem da juíza Jackson de entregar todos os registros de doações que recebeu por parte da empresa de advogados Chackes, Carlson & Gorovosky, que se dedica a estes casos. Clohessey disse que a empresa entregou doações a SNAP entre 2005 e 2012, mas que não sabe por que os advogados do sacerdote querem esta informação.

Clohessey assinalou que SNAP se preocupava com “a capacidade das vítimas e supostas vítimas de reportar os abusadores e estar protegidas”. Disse ao ‘Post-Dispatch’ que este processo pretendia “assegurar-se de que uma suposta vítima, testemunha ou denunciante permanecesse em silêncio”.

O Pe. Jiang tinha sido acusado de tocar indevidamente uma adolescente que frequentava a Basílica de São Luis, onde atua há algum tempo. As acusações de perigo para as crianças e manipulação de testemunhas foram retiradas em 2013.
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ACI Digital