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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Possível acordo entre Vaticano e governo chinês




O Arcebispo de Hong Kong (China), Cardeal John Tong, publicou recentemente um artigo no qual deixa entrever a possibilidade de um acordo entre o governo comunista e a Santa Sé, o qual reconheceria a autoridade do Papa para nomear bispos, sem considerá-lo “uma ingerência nos assuntos internos da China”.

O texto foi publicado no dia 4 de agosto em chinês, inglês e italiano, no qual o Cardeal de 77 anos refletiu sobre as relações entre o regime chinês e a Santa Sé, desde que os comunistas tomaram o poder em 1949 e expulsaram o Núncio Apostólico em 1951, até a atualidade; um período no qual “a unidade entre a Igreja católica na China e a Igreja universal foi se tornando cada vez mais difícil”.

Nesse sentido, mencionou a situação dos bispos ilegítimos (aqueles que não foram nomeados pelo Papa); e dos “subterrâneos” (nomeados pela Santa Sé e que, portanto, não pertencem à Associação Patriótica, ou seja, “igreja oficial” controlada pelo governo).

Além disso, o Cardeal Tong refletiu a respeito da situação dos prelados presos e da Conferência dos bispos na China, que não é reconhecida pelo Vaticano, pois exclui os bispos nomeados pelo Papa.

Apesar disto, o Arcebispo, também diretor do Centro de Estudos Holy Spirit de Hong Kong, afirmou que agora as coisas estão mudando e “felizmente, depois de ter trabalhado muitos anos no problema, a Igreja Católica ganhou gradualmente a consideração do governo chinês, o qual atualmente está disposto a chegar a um acordo com a Santa Sé sobre a questão da nomeação dos bispos na Igreja católica na China e na busca de um plano reciprocamente aceitável”.

Por meio do acordo, buscam “não afetar a unidade da Igreja Católica nem os direitos essenciais do Pontífice Romano de nomear os bispos” e “não permitir que o direito do Papa de nomear os bispos seja considerado uma ingerência nos assuntos internos da China”, afirmou.

Do mesmo modo, tenta responder a quem acredita que este acordo poderia “ir contra os princípios da Igreja” e contradizer a carta de Bento XVI aos católicos chineses de 2007. “Embora os termos concretos do acordo recíproco não tenham sido publicados, consideramos que o Papa Francisco, como protetor da unidade e da comunhão da Igreja universal, não aceitará um acordo que cause danos à Igreja Católica na China e à Igreja universal”, expressou.

Entretanto, ante as críticas dentro e fora do país, o Arcebispo foi entrevistado pela revista “América”.

Segundo Vatican Insider, a revista perguntou ao Cardeal por que não se referiu à Associação Patriótica da China que exerce o controle por conta do governo chinês. O Cardeal respondeu que “o fundamento lógico e a perspectiva da Associação estão implícitos no artigo. Em sua carta de 2007, Papa Bento XVI também não mencionou a Associação no texto, mas fazia uma referência explicita a ela no pé de página, número 36”.

Nesse sentido, o Cardeal acrescentou que seu artigo tenta dar uma resposta, principalmente a todos os sacerdotes chineses, acerca de quatro perguntas para “evitar incompreensões”.

As quatro perguntas são: Por que a Santa Sé insiste no diálogo em vez de confrontar o governo chinês? O que significa a comunhão entre Igrejas particulares e a Igreja universal? A partir de quais critérios nomeiam os bispos nas Igrejas locais da China Continental? Qual é o papel da Conferência dos bispos na Igreja Católica da China? E qual a sua relação com cada diocese?

Além disso, indicou que seu artigo começou a ser escrito no dia 24 de maio, na Jornada Mundial de Oração para a Igreja na China, com o objetivo de ajudar a “promover o diálogo entre a Igreja na China e a Igreja universal e entre a China e a Santa Sé”. Em seguida, esclareceu que este representa seu “ponto de vista” e é o resultado de suas reflexões depois de 36 anos de investigação sobre a China e sobre as relações entre o governo e o Vaticano.

A Igreja Católica na China

Segundo um artigo do teólogo e investigador Thomas D. Williams, calcula-se que 6 milhões de cidadãos chineses pertencem à Igreja Católica e que não se identificam como membros das igrejas reconhecidas e controladas pelo Partido Comunista.

Os sacerdotes clandestinos, que costumam celebrar Missas em casas e que se negam a cumprir com o regime para manter sua fidelidade à Igreja, em algumas ocasiões, são capturados e torturados nos programas de “reeducação” ou simplesmente desaparecem.

Pelo menos cinco sacerdotes “desapareceram” na China somente no mês de abril. Um sexto foi encontrado morto.

O Partido Comunista da China é a maior organização explicitamente ateia no mundo, com 85 milhões de membros oficiais, enquanto os cristãos no país representam uma minoria de 100 milhões, em uma população total de 1.350 milhões de pessoas.

O cristianismo está crescendo tão rápido na China que alguns assinalam que poderia ser a nação com mais cristãos daqui a 15 anos. Atualmente, o maior crescimento acontece fora na Igreja clandestina fiel a Roma, a qual não é controlada pelo Estado.
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ACI Digital