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domingo, 28 de agosto de 2016

Porta Santa móvel percorre as Ilhas Salomão


A diocese de Gizo pensou nas pessoas que vivem mais afastadas e que, por isso, não podem peregrinar até a catedral para passarem pela Porta Santa. Então, se o povo não pode ir até a Porta Santa, é ela quem vai até o povo. "Dessa forma, se leva o perdão e a reconciliação", disse Dom Luciano Capelli à Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (ACN). Aparentemente, é apenas uma porta simples com cerca de dois metros de altura, feita de madeira de tom castanho claro. Poderia ser a porta da frente de qualquer casa. No entanto, a grande diferença é que esta é uma Porta Santa. "Foi feita por jovens aprendizes da escola local", disse o bispo de origem italiana.

Todavia, a porta não pode mover-se por si só. Foi feito um barco de madeira, o modo de transporte mais comum aqui, para levá-la de um lugar para o outro. “Nós adentramos o Oceano Pacífico, num barco de seis metros de comprimento, e percorremos quilômetros em mar aberto.” Apesar dos participantes estarem maravilhados, a viagem não foi nada fácil." Às vezes chovia, por vezes as ondas eram muito altas, ou o vento muito forte ..."

Cada aldeia saudou a Porta Santa com uma cerimônia especial com flores, danças, trajes típicos e como os "guerreiros, os defensores das tribos". "Com rostos pintados de branco, usando saias e flores secas, eles fizeram uma especial coreografia que representa a oficial cerimônia de boas-vindas", explicou o missionário salesiano na entrevista. "No entanto, apesar de todo o folclore, percebemos que uma atmosfera solene prevaleceu. Os fiéis estavam bem conscientes da importância do momento".

A celebração litúrgica então chancelou o significado do Jubileu. Ela foi seguida por uma vigília de oração, com oportunidade de confissão e um diálogo entre pessoas e grupos – até então – rivais, que foram convidados a se perdoarem. "Estas são áreas remotas sem juízes ou advogados... O povo delega a justiça, realizando uma 'celebração do acordo'", acrescentou Dom Capelli. O bispo afirmou que, nesta região, o trabalho de evangelização da Igreja, com o significado do perdão e da reconciliação, tem papel fundamental.

Nós agradecemos do fundo de nossos corações, Papa Francisco!

A iniciativa da Porta Santa móvel durou mais de dois meses e percorreu cerca de 20 aldeias. "A participação na celebração litúrgica nunca foi tão grande." A Porta Santa permaneceu em cada aldeia por dois ou três dias. "Foi muito comovente ver os jovens ajudar os idosos que já não conseguem passar sozinhos pela Porta Santa da Misericórdia", disse Dom Luciano. Todas as pessoas de Gizo agradecem ao Papa Francisco por esta experiência. Eles escreveram uma carta ao Santo Padre que o Bispo Capelli pessoalmente a entregou em Roma, onde agradeciam: “Obrigado por proclamar o Ano Santo, que tanto tem ajudado a fortalecer as comunidades católicas locais. Obrigado por nos deixar sentir a comunhão com Roma e com o mundo.”

"A peregrinação da Porta Santa desencadeou um movimento de solidariedade forte entre as paróquias", afirmou o Bispo de Gizo. "Esse foi um lindo trabalho em equipe." As pessoas vivem isoladas umas das outras em toda a região. Mas "elas se reuniram para orar, cantar e para partilhar (...) É maravilhoso quando as pessoas são capazes de perdoar e começar de novo".

O bispo que voa

A diocese de Gizo, que é dirigida por Dom Capelli desde 2007, é composta por mais de 40 ilhas que se encontram espalhadas num raio de 300 quilômetros. Mais de 10 idiomas diferentes são falados na região. A diversidade e a distância têm sido com frequência motivo de preocupação para o missionário salesiano. Por estar consciente da importância da sua proximidade com as pessoas, incentivando-as a seguir o Evangelho, ele comprou um avião ultraleve, aos 60 anos de idade. O meio de transporte permite-lhe chegar aos lugares mais remotos da região.

Tempo bastante instável, umidade constante, falta de recursos, más conexões, pobreza... os problemas enfrentados pela diocese de Gizo não são poucos. O padrão de vida é baixo; as pessoas subsistem principalmente da pesca e da agricultura.

A Ajuda à Igreja que Sofre tem apoiado a diocese de Gizo por anos com vários projetos, entre eles o apoio na formação de seminaristas e muitos outros.
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ACN Brasil