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domingo, 14 de agosto de 2016

Os cristãos e autoridade política

 
Imperador Carlos Magno

Nós estamos num período de definições de mulheres e homens que governarão os nossos municípios, assumindo cargos de prefeitas(os) e vereadoras(es). Elas e Eles serão chamados a coordenar as pessoas e estruturas com recursos do povo em geral  através de impostos. Desejamos boa missão superando os interesses pessoais e a corrupção. É importante perceber a autoridade em vista do bem comum que leve as pessoas até Deus. As autoridades nunca são fim, mas meios porque o fim é a glória de Deus através da autoridade. Os padres da Igreja, escritores da Igreja antiga, fizeram diversas admoestações a partir da Palavra de Cristo Jesus em relação à autoridade que mereciam sim, a consideração, a honra, a oração, mas jamais adoração, porque esta é dada só a Deus, o Criador da autoridade humana. 

1. Os cristãos honram o Imperador

Tertuliano, padre africano do terceiro século afirmou que os cristãos não são inimigos de ninguém, menos ainda do Imperador. Sabem que este foi constituído por Deus de modo que o honram, o amam e querem salvo com todo o Império romano até quando durará o mundo. Havia a idéia que o fim do Império era também o fim do mundo. Dessa forma rezava-se pelo Império romano, e pela Imperador. Essa veneração à autoridade por parte dos cristãos possui os seus limites: é um homem que vem depois de Deus, sendo a sua criatura, e que obteve de Deus tudo aquilo que é para ele estar naquele encargo. Esses pontos deveriam estar também na cabeça do imperador. Sendo superior a todos, no entanto é inferior somente a Deus; por isso nós rezamos por ele e para que ele respeite o Deus de toda a criação. O Padre africano dizia que os cristãos rezavam pela saúde do Imperador e a todos os súditos, suplicando-a Àquele que pode concedê-la. 

Tertuliano fala também do comportamento dos cristãos em relação á autoridade imperial. A honra é dada aos reis e aos imperadores na forma como eles merecem sendo criaturas, como fala o Apóstolo Paulo em relação aos magistrados, aos príncipes, às autoridades(cfr. Rm 13,1-2), distinguindo sempre que a adoração é dada só a Deus, porque Criador de todas as coisas e da própria autoridade humana que governa pessoas.

2. A pátria para os cristãos

Orígenes, padre alexandrino, do século terceiro, teve que contrariar Celso, autor pagão pois criticava a ação dos cristãos em relação ao Império, por esses não assumirem encargos no exército para defender a pátria. Saiba, diz o autor alexandrino que "a pátria é defendida pelos cristãos, não por serem vistos pelos homens e terem uma pequena glória. Nós elevamos orações a Deus para os nossos concidadãos, sejam eles das classes humildes, sejam eles governantes". Os cristãos se alegram pela pátria mais que as outras pessoas, porque eles admoestam a todos na piedade para com Deus em vista da fidelidade aos compromissos neste mundo tendo presente a palavra do Senhor: foste fiel na pequena cidade, venha participar da grande(cfr. Mt 25,21).

3. A adoração só é dada a Deus

A questão da adoração ao Imperador foi um dos pontos de maior rejeição dos cristãos em relação à autoridade constituída. O fato era que os pagãos viam no Imperador uma espécie de 'senhor' que mereceria até uma adoração. Teófilo de Antioquia afirmou que só a honra é dada ao Imperador, jamais a adoração. Por isso é que ele convidava os cristãos a rezar por ele. "Adorar, eu adoro apenas a Deus real e verdadeiramente Deus, pois sei que o Imperador foi criado por ele". Por isso alguém poderia perguntar: Mas por que Você não adora ao Imperador? O autor como todos os cristãos dirão com certeza que o imperador não foi constituído para ser adorado, mas para que se lhe tribute a legítima honra. Ele não é Deus, mas homem, não para ser adorado, mas para julgar com justiça e amor. O Senhor Deus lhe confiou uma administração e assim como ele próprio não deseja que sob o seu poder outros sejam chamados de imperador, pois o nome é particular seu, da mesma forma a ninguém é lícito adorar senão a Deus. A adoração só é dada a Deus. 

4. As autoridades governam com bondade e docilidade

São Jerônimo, padre do século quarto e quinto, dizia que as autoridades sejam dóceis na sua forma de governar as pessoas. Nesta mesma linha, São Gregório Magno, Papa dos séculos sexto e sétimo, afirmou que o governo do reino, seja feito com grande moderação. O reino andará firme se a glória humana não domina a alma. A forma de reinar sobre as pessoas, através de imperadores e governadores, se fará pelo serviço e não pelo orgulho. São Gregório de Nazianzo, padre do século quarto, tinha presente que o imperador e os governadores das províncias fossem cientes de suas atribuições de modo que fizessem com responsabilidades pelo poder que tinham sobre os outros, jamais fazendo as coisas de uma forma abusiva. Como todos deverão prestar contas a Deus, assim o poder exercido seja para o bem das pessoas, não para o seu mal. Ele também fala daqueles e daquelas que estavam a serviço das autoridades para que fossem fiéis a elas, mas sobretudo a Deus e em vista Dele, também aqueles nos quais foram confiados. Sendo as autoridades pessoas que possuem o governo das coisas, não o farão através do extermínio pela espada mas usando os meios para governar bem as pessoas, levando-as à vida em Cristo Jesus. 

Os Padres da Igreja, afirmaram a partir da Palavra de Deus, a autoridade constituída para que regessem bem, jamais usando de sua autoridade com o fim de lesar as pessoas e não dando a devida assistência aos mais necessitados da sociedade. A autoridade humana é sempre um serviço, uma criação do Deus sendo uma forma de dar ordem em tudo neste mundo, para que todos, povo e autoridade, possam participar um dia, à glória divina, do Deus Uno e Trino.



Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)