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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Existe idade certa para ser coroinha?


Já ouviu alguém dizer que alguém é velho demais para estar num grupo de Coroinhas? Pois é. Muitos grupos tem regras de idade. O seu provavelmente tem alguma. Alguns só admitem crianças, outros apenas adolescentes. Outros, ainda, vendo o grupo de coroinhas como um “estágio intermediário”, acreditam que em determinada idade ou tempo de grupo, o coroinha deve buscar outra pastoral na paróquia, o que normalmente faz o jovem se afastar de vez da Igreja.

A primeira coisa que devemos dizer é que não existe regra universal para a idade dos coroinhas. Em nenhum documento oficial da Igreja se especifica uma idade “correta”. Nunca se diz que devem ser crianças, jovens ou adultos. É bem verdade que tradicionalmente os coroinhas sempre foram os “meninos do altar”, crianças e adolescentes. Apesar disso, nada impedia jovens e adultos de servir como coroinhas, respeitando, no entanto, um princípio muito importante: O princípio da divisão orgânica, isto é, cada um no seu próprio grupo. Já retornaremos a isso.

Este é Peter Reilly. Coroinha desde 1924, atualmente com 101 anos.
 

Adultos podem ser coroinhas?

Já vimos em nosso artigo sobre como surgiram os coroinhas que num passado distante, antes do surgimento dos seminários, os coroinhas eram os rapazes que estavam se preparando para serem padres. Eles vivam na paróquia e aprendiam do padre todas as funções, temporais e espirituais, que o padre desempenhava na igreja, sobretudo servir a Santa Missa. Depois que os seminários se formaram, os vocacionados passaram a viver em seminários, e as paróquias ficaram sem quem servisse a Missa. Então começaram a chamar leigos, crianças e adultos, para servir na Missa.

Às crianças a Igreja sempre deu prioridade. Claro. Porque o adulto leigo normalmente já discerniu sua vocação ao matrimônio ou ao laicato, enquanto a criança ainda está no início desse processo. Reconhecendo no serviço ao altar um grande impulsionador de vocações, esse estímulo para as crianças só fez crescer, formando os grupos de coroinhas, dos “meninos do altar”. No entanto, sempre adultos serviram a Missa, muitas vezes ao lado das crianças. A grande questão é que isso acontecia de maneira dividia, numa divisão orgânica, isto é, cada um tendo seu próprio grupo. Desse modo, aproveitava-se ambos. 

A proibição de coroinhas mais velhos

Em muitas paróquias se proíbem mais membros velhos, de modo tal que quando o coroinha completa certa idade, deve abandonar o grupo. Essa prática se disseminou em muitas paróquias sob um pretexto realmente lamentável: O de que o jovem deve ingressar em um “grupo ou pastoral da paróquia mais apropriado para a sua idade“. Isso é um absurdo, pois um bom grupo de coroinhas é excelente e extremamente apropriado para qualquer idade, se coordenado da maneira certa, como veremos adiante.

E o que acontece, muitas vezes, é que o coroinha, sendo obrigado a deixar seu posto, das duas uma: Sai também da paróquia ou vai para algum grupo, onde pode ou não dar certo, e se não der, se afasta de vez. Observar essa realidade pode ajudar a párocos e coordenadores a repensar essas restrições de idade, pois normalmente elas fazem muito mais mal que vem.

É claro que não pode ser bagunçado também. Não é apropriado que adultos e crianças fiquem no mesmo grupo e tenham todas muitas atividades juntos. E há vários motivos para isso, principalmente a questão da formação e a da espiritualidade, que devem ser diferentes para crianças e adultos, e a questão de influência e prevenção de escândalos – afinal, embora queiramos acreditar que todos os servidores do altar são boas pessoas, já temos consciência que isso nem sempre é verdade.

Nem só crianças, nem só jovens. Um bom grupo tem ambos. Pois, acompanhando os passos dos mais velhos, os mais novos os imitam e crescem mantendo viva a fama do serviço do altar e da luta pela santidade.
 
Qual o caminho, então? Proibir, simplesmente? Não. O melhor caminho para tratar dessa questão é, antes de tudo, ver a realidade da paróquia. Há paróquias em que há muitas crianças e os rapazes mais velhos naturalmente não se interessam pelo serviço do altar. Há outras em que há muitos rapazes mais velhos, e poucas crianças. É necessário antes de tudo ver a realidade e, sobre ela, traçar um plano para envolver todos os que desejam servir o altar e tenham capacidades físicas, mentais e espirituais para tal. Proporemos uma forma que, acreditamos, compreende a maior parte das paróquias.

Como resolver a questão de idade em seu grupo

Como vimos, não é interessante colocar crianças, jovens e adultos num mesmo grupo, fazendo tudo juntos. Precisamos fazer um esforço a mais para que cada subgrupo consiga atingir um bom desenvolvimento. Uma das maneiras mais eficientes de fazer isso é criando subgrupos dentro do grupo de servidores do altar, nos quais se estude, se reze e se desenvolva um trabalho apropriado para cada idade.

Isso é algo relativamente comum. As crianças ficam num “grupo de coroinhas “e os mais velhos, num “grupo de acólitos” – embora, na prática, não haja diferença entre ambos. Mas não basta separar, deve-se focar na realidade de cada grupo.

Coroinhas, ou servidores crianças

O grupo das crianças deve ter idade máxima por volta de 11 anos, no máximo. E é preciso que se obedeça esse limite, mesmo que isso signifique ficar longe dos amigos. Nesse grupo, deve-se focar na formação básica, na catequese e na formação litúrgica inicial. Deve-se primar pelo bom comportamento, pelo serviço, estudar a fé, rezar juntos, brincar e criar vínculos saudáveis. E, de modo particular, lutar para manter a inocência das crianças, hoje em dia algo cada vez mais raro.

As crianças devem, na maioria dos casos, ficar com responsabilidades menores na Missa. Mas isso não significa simplesmente deixá-las de canto e colocar ofícios simplórios sempre. A criança precisa de um estímulo especial, e precisa ter sempre oportunidade de crescer e se destacar. Aqui também deve-se recorrer a elementos próprios de uma didática mais infantil: Brincadeiras, jogos, pinturas, desenhos… Mas sempre de uma maneira sóbria, séria, e com motivos – nada de dinâmicas sem sentido!

Acólitos, ou servidores jovens e adultos

Esse grupo deve ser mais uma família de almas que um simples grupo de servidores. Estamos falando, normalmente, da época mais perigosa na vida de um cristão, a sua adolescência e juventude. Nessa época, os jovens são expostos a toda espécie de perigos para sua alma, e é preciso que um grupo trate disso com maturidade.

Embora nem todos sejam assim, a maioria dos grupos de jovens é um grupo bagunçado, infantil e sem nenhuma seriedade ou perspectiva. Com um grupo de coroinhas mais velhos não pode ser assim. Deve haver seriedade, devem haver ritos, deve haver ordem e hierarquia. Caso contrário, o objetivo de preservar os rapazes não será atingido. As formações também devem ser muito diferentes das crianças. Deve-se focar na catequese, também, mas adentrar em uma espiritualidade mais madura, para não manter no jovem aquela fé infantil e sentimentalista que hoje muitos tem. Uma boa forma de se chegar a esse ponto é estudar a vida dos santos, estudar a Moral, tratar das questões complexas que o jovem passa e ajudá-lo, através da oração e da formação, a superar essas dificuldades, sobretudo através de uma profunda devoção a Nossa Senhora e seu rosário, e uma inextinguível chama de amor ao Santíssimo Sacramento.

São João Berchmans, padroeiro dos servidores do altar, dizia: “Se eu não me torno santo enquanto sou jovem, eu nunca o serei”. Um grupo de coroinhas deve ajudar os jovens nessa difícil transição.
 
Os grupos de coroinhas sempre se destacaram como escolas de santidade, celeiro de vocações. Um antigo provérbio latino dizia: “Sancta Sanctis!”, isto é, “As coisas santas aos santos”. Cabe, em grande parte, a cada coordenador e pároco incentivar isso em seu grupo. De modo que tanto crianças quanto jovens e adultos possam aproveitar dele.
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Manual do Coroinha