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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Demolição de Igreja Católica causa tumulto e confusão na França.





Este templo, dedicado a Santa Rita, em Paris, não pertencia propriamente à Igreja Católica. No final do século XIX o terreno foi comprado por uma Associação e a igreja foi construída no início do século XX. Depois de um tempo fechada (sem uso pela comunidade católica), a capela foi alugada pelos proprietários para a Igreja Católica Galicana de Paris (igreja nacional cismática, como aqui no Brasil temos a Igreja Brasileira). A Igreja Santa Rita se tornou famosa pelo fato de o arcebispo galicano Mons. Phelippe realizar bênção de animais na igreja (cães, gatos e até camelos). Apesar disso, a igreja galicana não estava honrando o pagamento dos aluguéis. Os proprietários decidiram vender o prédio. Conseguiram todas as autorizações. A comunidade galicana resistiu, mas entrou em acordo e saiu do prédio. Antes da demolição, grupos de pressão política passaram a usar a campanha contra a demolição da capela como bandeira política. Fizeram convites a igrejas ortodoxas e outras tantas, mas nenhuma se interessou pelo edifício. Até que encontraram um grupo de católicos ligados ao tradicionalismo que aceitaram participar da campanha de protestos. Assim, passaram a ser celebradas missas na Capela. Os padres e fiéis que estavam na Igreja sabiam que haveria a desocupação.




A Igreja de Santa Rita está ou não 
em comunhão com Roma?



Transcrevemos abaixo parte do comentário do professor Carlos Ramalhete na matéria: Sacrilégio em Paris: A história não é o que parece!

 
A polêmica


O primeiro ponto crucial para que se entenda a situação é que as igrejas francesas foram todas “desapropriadas” (ou, antes, roubadas) pela Revolução Francesa (cuja data magna é o 14 de julho; guarde isto). Assim, quem distribui aquelas belíssimas construções, alugando-as, cedendo-as gratuitamente ou vendendo-as, é o governo ou algum proprietário particular. A Igreja Católica, na melhor das hipóteses, é inquilina nas próprias igrejas que construiu.


A igreja de Santa Rita foi construída no início do Século XX por uma associação privada anglicana, visando a princípio alugá-la como igreja. Isso funcionou durante algumas décadas, mas depois a edificação passou um bom tempo vazia por falta de interessados. O prédio, então, foi alugado a uma seita semelhante à nossa “Igreja Católica Apostólica Brasileira”, a “Igreja Católica Galicana de Paris”, com “padres” casados e ordens provavelmente inválidas. Os galicanos conseguiram atrair bastante público ao tornar-se a “igreja dos bichinhos”, com um dia de bênção dos animais, um discurso ecológico, cachorrinhos de colo bem vindos às celebrações, além de “missas” midiáticas de todo tipo (“Missa do Michael Jackson”, “Missa dos Motoqueiros”, etc.), ironicamente sempre celebradas na Forma Extraordinária. 

 

Mas mesmo assim o aluguel que eles pagavam não estava valendo a pena para a associação dona da igreja, que pediu aos órgãos de Estado encarregados da proteção ao patrimônio histórico autorização para vender e demolir a igreja. A autorização foi dada em 2010, e em 2011 a “igreja dos bichinhos” foi vendida para um empreendedor interessado em fazer um estacionamento e habitações populares.

Aviso no site da igreja Santa Rita: "A Igreja de Santa Rita após 15 de março estará fechada para o Culto para demolição".
 

Os galicanos fingiram que não ouviram e continuaram lá, com políticos de todos os partidos discutindo se a igreja poderia ou não ser demolida, até que um grupo político (o “Movimento 14 de Julho”) resolveu comprar a briga, ou talvez fazer da igreja um símbolo seu. Trata-se de um movimento no mínimo bizarro, que tentou reunir gente suficiente nas ruas em 14 de julho de 2015 para fazer um golpe de Estado, mas não conseguiu reunir mais que 500 pessoas.

 

Os galicanos fizeram a besteira de deixar os malucos entrarem, e eles foram aos poucos expulsando os galicanos da igreja, até que quando chegou uma ordem judicial de evacuação, no final de 2014, os galicanos saíram de vez e os deixaram sozinhos lá. Em 2015 as portas da igreja foram muradas, mas os maluquinhos, a essa altura já apoiados por vários movimentos populistas de vários tipos, derrubaram as paredes e entraram novamente na igreja. Com o fracasso do golpe de Estado deles em 2015, contudo, eles passaram adiante a igreja (sempre ocupada ilegalmente para o direito civil e inexistente para o direito canônico) a uma associação preservacionista servida pelo padre Tanoüarn (o “abbé de Tanoüarn”, uma figura interessantíssima: era lefebvrista, e foi durante anos “vigário” (de quem, não se sabe) da igreja de São Nicolau, que o governo francês, para ira das autoridades eclesiásticas católicas, deu para uso aos lefebvristas. Brigou com os lefebvristas, voltou à plena comunhão com a Santa Sé, fundou o IBP, teve o comando do IBP puxado de debaixo de suas pernas num processo canônico curiosíssimo, e hoje em dia dedica-se mais à política, ao ensino e à escrita.



A luta legal, enquanto isso, era para tentar impedir a demolição por conta de algum detalhe no desenho dos arcos da igreja, que seria único o bastante para garantir tombamento. Outro argumento era a presença de amianto no prédio, que poderia tornar perigosa a demolição. É um prédio do começo do século passado, afinal, o que em Paris quer dizer um prédio novíssimo. Ambas as alegações não deram em nada, e a associação que vendera a igreja para demolição conseguiu, finalmente, outra ordem judicial de desocupação.



A desocupação



A Polícia cumpriu ordem judicial de desocupação da igreja de Santa Rita, enquanto o Padre Guillaume de Tanoüarn, do Instituto do Bom Pastor (IBP), celebrava a Santa Missa. O padre Jean-François Billot, também do IBP, foi agredido e retirado à força.



Segundo o Padre de Tanoüarn, em entrevista ao Le Figaro, “esta igreja foi construída em 1905 por um grupo de anglicanos que se diziam católicos, e que tinham por objetivo anunciar o fim do mundo entre os cristãos. Esse grupo espiritual, não tendo herdeiros, decidiu alugar essa igreja aos auto-proclamados galicanos, católicos dissidentes que não pagavam o aluguel. A associação [proprietária da igreja] então decidiu vender a um empreendedor. A comunidade católica, sentindo-se abandonada, pediu-me para vir celebrar a missa, o que fiz. No momento da expulsão, tínhamos duas missas cheias celebradas a cada domingo na igreja de Santa Rita”. 

O padre católico romano atendia aos fiéis na igreja de Santa Rita desde novembro do ano passado onde celebrava uma missa todos os domingos às 16h. Conforme o portal de informação francês Riposte Catholique, que diz, inclusive, que esta igreja não tem caráter histórico especial e que até o ano passado (2015), pertenceu à comunidade Gallicane de Paris, cujo site informa que a igreja está “fechada” para demolição.



No site Riposte Catholique, o padre católico romano Tanoüarn dá, inclusive, alguns detalhes deste novo local de culto:



“Eu celebro nas últimas semanas - quando se ama, não se contam! Mas cheguei um pouco depois da batalha, uma vez que a igreja era para ser destruída. O desenvolvedor que obteve uma promessa de venda queria a destruição por uma empresa de demolição que continua forte. Este é o prefeito XV, Philippe Goujon, o que impediu o nome da lei, a demolição de ter lugar. Por quanto tempo? Eu não sei. A melhor maneira de defender uma igreja é torná-la viva. E recebi um pedido da comunidade cristã de St. Rita XV, associação de jovens católicos que não podia suportar a perspectiva da destruição de uma igreja no centro de Paris, numa altura em que o nós construímos muitas mesquitas, e por razões puramente financeiras, como se o primado espiritual não existisse em nossa sociedade e em uma cidade chamada "cidade da luz", nossa amada capital. Por quanto tempo? Isso vai depender da motivação dos habitantes dos parisienses XV e até mesmo em geral, que vieram para o momento simplesmente pelo boca-a-boca. Isso também vai depender de uma campanha de angariação de fundos que esperamos para março-abril de 2016, o que permitiria a associação para salvar a igreja através da compra de seu atual proprietário. Em tudo isso, eu, pessoalmente, quero-me ao serviço de um edifício em perigo e uma comunidade católica que foi criada espontaneamente e que, após a saída de Gallicans e querem salvar Santa Rita”.

 

Segundo o sacerdote católico, um dos fundadores, em 2006, do Instituto do Bom Pastor, entidade de Direito Pontifício, não houve profanação das espécies sagradas. De acordo com De Tanoüarn, “a destruição programada da igreja de Santa Rita levanta a questão sobre todas as igrejas vazias na França. Elas devem ser reconhecidas como lugares sagrados e protegidas mesmo se elas não são ‘rentáveis’”.



Em resumo, o templo da igreja de Santa Rita não pertence à Igreja Católica Romana porém, no momento de sua desocupação, padres e fieis católicos romanos ligados ao tradicionalismo que foram expulsos pois o templo não estava mais sendo usado por cismáticos e heréticos.

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Medium / Fratres In Unum / Jornal Le Figaro / Riposte Catholique / Eglise Sainte Rita