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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Coroinha pode acompanhar a Missa pelo “Folheto”?

 

Linguagem da Missa

Como o leitor bem sabe, até a reforma litúrgica que ocorreu na década de 1960, a Missa ordinária, isso é, o rito que se celebrava cotidianamente pelos Padres ocidentais era o que hoje conhecemos como Missa Tridentina, ou Missa de São Pio V, ou ainda Forma Extraordinária do Rito Romano (antiga forma ordinária).

Esse belíssimo rito, riquíssimo em espiritualidade e em louvor a Deus, utilizava-se do latim, em quase sua totalidade, sendo por séculos essa Missa a responsável por santificar  as centenas de grandes Santos que conhecemos. Esses Santos, com certeza absoluta, adquiriam os bens espiritais extraindo-os do Sacrifício da Missa.

Bem, os frutos espirituais podem ser alcançados em uma Missa de muitas maneiras, como por exemplo, meditando nos gestos da Sagrada Liturgia, meditando o Santo Rosário, preparando a alma do começo ao fim da Missa para a Santa Comunhão, etc. Podemos acrescentar mais um item a essa lista, que não é essencial, já que pode ser substituído por algum dos outros, mas dele também algumas pessoas podem extrair muitos frutos, sobretudo aquelas pessoas de Missa diária: trata-se de meditar nos textos da Santa Missa (as leituras, o Evangelho e as orações).

Para que as pessoas pudessem acompanhar o texto da Missa que se celebrava em Latim, traduzido para a sua língua, o “Movimento Litúrgico” criou o chamado Missal Cotidiano. Desse modo, as pessoas que quisessem acompanhar a leitura do dia, assim como as orações móveis e o ordinário da Missa, teriam ali um subsídio muito válido e bem-feito.

Nessa situação facilmente percebemos que acompanhar a Missa Tridentina pelo pequeno Missal Cotidiano é algo bom se dentro da devida ordem e guiado por um espirito verdadeiramente católico. Contudo, esse uso é dispensável e de maneira alguma podemos dizer que ele seja necessário. Antes de sua invenção vieram muitos Santos que certamente entendiam bem o significado profundo da Missa e deixavam-se a si mesmos conhecer os textos sagrados em seus estudos e na escuta dos sermões.

Missa Nova

Contudo, a atual forma ordinária do Rito Romano, a chamada Missa Nova ou Missa de Paulo VI, usualmente se celebra na língua popular (por exemplo no Brasil, o Português). Sendo evidente que todas as pessoas compreendem o que está sendo lido (ainda que seja desnecessário como já foi dito).

Tendo se tornado obsoleto o uso do Missal Cotiano para esse novo rito, as paróquias deixaram-no de lado e adotaram a distribuição do conhecido “Boletim de Missa” ou “Folheto de Missa”, que consiste simplesmente em uma especie de folheto com as leituras e orações da Missa, feito individualmente para cada Missa e geralmente só para os Domingos e algumas festas.

Sabemos que para retirar frutos espirituais da Santa Missa não é necessário o conhecimento dos textos, mas também sabemos que na Missa Nova, querendo ou não escutaremos as leituras na língua do país onde estamos. Sendo assim, parece um tanto fora de contexto seguir o rito lendo exatamente o que se ouve (É patente que existem exceções).

O folheto possui ainda a desvantagem da desordem, que se justifica pelo fato de ele não possuir qualquer valor materialmente importante e por isso é deixado de lado pelas pessoas nos bancos das Igrejas, sempre dando trabalho a alguém.

Para o Coroinha

Até aqui, falamos das desvantagens e vantagens da leitura dos textos por parte dos leigos durante o rito da Missa, mas falando agora especificamente aos coroinhas (já que muitos orgulhosos não toleram ser chamados de Coroinhas, o mesmo se aplica aos Acólitos e “Cerimoniários”), é conveniente e exemplar que  ao menos os servidores do altar NÃO utilizem o folheto. 

É totalmente prejudicial ao Coroinha o “folhetinho” e o é por três razões simples:

1 – A desordem

A postura exigida para o serviço no altar não comporta uma folha de papel entre as mãos quando de pé, nem em momento algum. Visualmente fica feio e vergonhoso quando todos os coroinhas estão segurando o tal folheto. É feio de ver e não favorece nem a simetria e nem a sincronia.

2 – A desatenção

Talvez um dos maiores problemas seja o fato de que o papel tira o foco da infinita importância da Missa, que é deveras o Sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo atualizado de forma incruenta. Imagine o quanto daquele Sangue Preciosíssimo de nosso Deus escorreu de suas mãos, pelos seus braços e caíram no chão do Monte Calvário. Ah se tivesse estado lá naquele dia, para vê-Lo ao menos na sua humanidade. Mas ele perpetuou o mesmo sacrifício na Eucaristia, agora esconde sua divindade e sua humanidade no pão, que é consagrado na Santa Missa e se torna verdadeiramente Corpo. E  você ignora isso para ficar olhando para um papel. Contemple o infinitamente admirável sofrimento de Cristo que aconteceu só por você e tenha atenção ao que é realmente importante.

3 – A oração

Se o leitor teve uma boa formação sabe que a principal função do coroinha é ser turiferário nas solenidades, não é mesmo? Certamente não. A função primordial do coroinha é a oração, reparando a Deus durante a Missa pelos seus pecados e os pecados dos outros. Como fazer isso lendo algo que não é necessário e pode ser simplesmente ouvido?

Além disso, é falsa a afirmação de que todos devem ler a Oração Eucarística, pelo fato de que “até o padre é obrigado a ler”. Não podemos confundir as coisas, as funções do Sacerdote são exclusivas dele, e é ele quem celebra a Missa da qual o povo só possui a capacidade de assistir.

Nesse prisma, parece razoável que ao menos o Coroinha não utilize o boletim NUNCA. Todos podem conferir antes da Missa algum detalhe que possa haver de diferente, como qual será a oração Eucarística ou qual o Prefácio, ou qualquer coisa do gênero, mas nunca entrar na Igreja com o folheto, para assim manter a maior beleza e concentração no Culto Divino.
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Manual do Coroinha