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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Como surgiram os coroinhas


O surgimento do ofício do coroinha está intima e inseparavelmente ligado à vida sacerdotal. Por isto, precisamos compreender um pouco como é a dinâmica do sacerdócio para podermos entender a história dos coroinhas.

Os dois tipos de sacerdote

Hoje, um rapaz que busca cumprir a vocação sacerdotal deve, em primeiro lugar, discernir sua vocação. Se será um sacerdote secular ou regular, isto é, se será diocesano ou religioso.

O sacerdote secular, comumente conhecido como diocesano, está sempre incardinado em uma diocese e atende as necessidades da diocese em que reside. Não segue uma regra de vida como os religiosos: Não vive em comunidade, não professa votos de pobreza e obediência às regras de alguma ordem e deve obediência ao seu bispo. A palavra secular vem de século, indicando que este sacerdote vive “no mundo” – embora não seja do mundo.

O sacerdote regular, por outro lado, segue uma regra de alguma ordem religiosa, como os carmelitas, beneditinos, franciscanos, vicentinos, etc. Esta regra inclui viver uma vida em comunidade, isto é, viver em um convento ou mosteiro com os outros religiosos da mesma ordem, atender a algumas regras e, sobretudo, viver uma vida de pobreza, castidade e obediência. O sacerdote religioso é antes religioso que sacerdote, ou seja, sua primeira vocação é seguir a regra da ordem a qual professou os votos, e então ser sacerdote. A palavra regular vem da palavra latina regula, que quer dizer regra, indicando que este sacerdote segue uma regra.

 


A formação dos sacerdotes e a origem do Coroinha

Até o Sacrossanto Concílio de Trento (Sec. XVI), não existiam seminários como hoje conhecemos. Um jovem que desejava ser sacerdote teria que escolher entre ser clérigo secular ou regular, como vimos acima. Caso escolhesse se tornar regular, ele deveria se apresentar ao superior da Ordem escolhida, e seguir os passos indicados pela Regra de Vida daquela Ordem.

Caso desejasse, por outro lado, ser sacerdote secular, ele deveria se apresentar ao seu pároco, e uma vez admitido era formado pessoalmente por ele, passando a viver nas dependências da paróquia, “aprendendo a ser padre” na teoria e na prática. Ele ajudava o sacerdote nas suas funções, sobretudo litúrgicas, e quando o pároco julgava que o vocacionado estava pronto, pedia ao bispo que o desse as ordens, e assim prosseguia seu estudo até ser ordenado sacerdote.

A caminhada sacerdotal: Iniciava-se com a tonsura e seguia nos sete degraus do sacerdócio: Ostiário, Leitor, Exorcista, Acólito, Subdiácono, Diácono e Sacerdote
 
Este sistema era muito efetivo durante a Cristandade, pois dava ao vocacionado uma vivência da realidade paroquial desde o primeiro dia e o “avanço” na sua formação cobria todas as funções clericais. Veremos isto em um artigo futuro. O problema é que, com a Revolução Protestante e a verdadeira multidão de heresias que atacaram a Igreja após o pérfido Lutero, este modo de formação começou a passar por alguns problemas, por exemplo:

·  Em alguns casos, o sacerdote não era muito bem formado, o que o tornaria mais fraco na luta contra as heresias e na instrução do povo.

·  Não havia uma supervisão do bispo, que poderia ordenar um vocacionado sem bem conhecê-lo.

·  Sacerdotes ocultamente hereges poderiam facilmente destruir várias paróquias, simplesmente passando a heresia aos novos vocacionados, que acreditavam estar sendo bem formados.

·  Faltava uma “unidade” no ensino de uma diocese, e o estudo da Filosofia Escolástica, a Teologia, a Gramática, Liturgia e das Sagradas Escrituras era feito sem uma metodologia e supervisão únicas.

Sem dúvida, a criação dos seminários foi uma das coisas mais importantes do Concílio de Trento, mas isto teve um efeito interessante.

Como acabamos de ver, os vocacionados ao sacerdócio moravam na paróquia e participavam ativamente da vida paroquial, em diversas funções, entre as quais se destaca a função de servir o altar e ajudar na liturgia. Aqui já vemos o papel do coroinha, desde o início da Igreja. O coroinha sempre foi um menino que ajudava nos serviços Litúrgicos na Igreja, normalmente com a intenção de discernir sua vocação ao sacerdórcio.

Quando foram fundados os seminários, estes vocacionados, ao invés de morarem nas paróquias, foram todos viverem juntos para a formação. Isto deixou, de certo modo, as paróquias sem ter quem ajudasse nas funções litúrgicas e em outras funções.  Existia uma regra que proibia o sacerdote de rezar a Missa sem ter quem o respondesse no altar, então esta função era delegada a qualquer leigo, homem, na paróquia.

No entanto, o salutar costume de tomar os jovens e as crianças que sentiam a vocação sacerdotal sempre persistiu. Daqui mesmo vem o nome coroinha: O menino do coro, que ajudava o padre na Missa, respondia e fazia as várias funções que o coroinha tinha na Missa. Por isto se diz que o grupo de coroinhas é um celeiro de vocações. Porque dos coroinhas saiam a maioria dos rapazes que ia para o sacerdócio. E isto a Igreja sempre valorizou muitíssimo.

Tanto é que no Redemptionis Sacramentum, n. 47 se diz:

É muito louvável que se conserve o benemérito costume de que meninos ou jovens, denominados normalmente assistentes (coroinhas), estejam presentes e realizem um serviço junto ao altar, similar aos acólitos, mas recebam uma catequese conveniente, adaptada à sua capacidade, sobre esta tarefa. Não se pode esquecer que do conjunto destas crianças, ao longo dos séculos, tem surgido um número considerável de ministros consagrados.

Isto nos deve reanimar a busca pela nossa vocação. Sempre foi próprio dos grupos de coroinhas o discernimento da vocação sacerdotal. De um grupo de coroinhas deve sair ou bons padres ou bons pais, que entretanto usarão do grupo para crescerem na fé e encontrarem sua vocação.
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Manual do Coroinha