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quinta-feira, 14 de julho de 2016

Missa: "O que mais importa é a posição do nosso coração", diz padre.


Sobre a polêmica de Card. Sarah e o "ad orientem" não quis falar nada porque já imaginava que seria este o desfecho.

Porém, cabe uma precisação importante, sobretudo depois da chuva de estupidezes que se disseram esses dias.

Uma coisa é a "posição do altar" e outra a "posição interior do celebrante". Esta última sempre é "versus Dei", como esclareceu uma resposta autêntica da Congregação para o Culto Divino do ano 2000 (Cf. prot. 2036/00/L), pois o padre reza a Deus, não ao povo, mas pelo povo e com o povo.

Quanto à "posição do altar", a Igreja SEMPRE teve as duas posições coexistindo em harmonia: "coram Deo" (de frente para Deus) ou "coram populo" (de frente para o povo). Nas Igrejas de estilo basilical, por exemplo, construía-se sempre o altar voltado para o povo, mas sempre "ad orientem"… Pois o ponto de referência sempre foi Deus, e NUNCA houve um conflito entre os dois estilos.

Contudo, nas últimas décadas, o problema se tornou praticamente ideológico, e criou-se uma dialética artificial entre as duas posições, sendo que ambas, como esclarece a mesma resposta da Congregação para o Culto Divino, permanecem plenamente válidas, e isso para as duas formas do rito romano.

Na referida resposta autêntica, a Igreja já esclareceu que a norma litúrgica se refere a que se "possa" celebrar facilmente "coram populo", mas não que isso se "deva" em todos os casos. Cabe aqui o discernimento pastoral na comunhão da Igreja.

Todavia, sejamos francos. Como a hipocrisia é grande em nossos dias!!! Há tempos se mandou alterar a fórmula da consagração para "pro multis", e ninguém fez nada, embora houvesse um prazo de dois anos, já esgotado há tempos. O próprio papa Francisco mandou que se moderasse mais o "abraço da paz", e praticamente ninguém viu nada se fazendo a respeito. Agora, o Card. Sarah fez uma intervenção, sem praticamente novidade alguma em termos legislativos, e cria-se uma celeuma dos diabos.

Se as sugestões fossem para dançar o maculelê na liturgia, mesmo que isso não fosse oficial, haveria não apenas acatamento imediato, mas se obrigariam todos os que não quisessem a fazê-lo sob pena de qualquer coisa… A liturgia, no final das contas, se tornou um festival de gostos, e o problema que o Card. Sarah aponta continua candente: não se trata da posição do altar, mas da nossa posição interior. A quem estamos buscando? A nós mesmos, nossa popularidade? Ou a Deus?

Nem falemos dos grotescos que voltaram àquela vergonhosa expressão de "celebrar de costas para o povo", digna de não-catequizados. Além de ser um desrespeito a todos os demais 22 ritos da Igreja Católica, que continuam celebrando assim como há milênios, é uma flagrante idiotice, à qual menciono apenas para registrar que ainda existem tamanhos mentecaptos.

Enfim, independente da posição do altar, o que se pode sanar pela presença da Cruz ao centro, como faz Papa Francisco (que também celebra "versus Dei" todos os anos, pelo menos na Capela Sistina, na festa do Batismo do Senhor, quando batiza os bebês), o que mais importa é a posição do nosso coração: celebramos para Deus. Ele é nosso alvo, nosso centro, nosso horizonte… E isso não apenas enobrece a ação litúrgica, mas santifica o povo que dela participa, pois este não veio à Santa Missa para conferir a performance do padre, mas para passar pelo novo e vivo caminho aberto pelo Sangue do Cordeiro, entrar pelo véu rasgado e contemplar o Trono da Graça, para encontrar salvação e auxílio oportuno.


Pe. José Eduardo