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terça-feira, 26 de julho de 2016

Deus: aos pecadores, a misericórdia; aos "justos", o desprezo.




“Ide e aprendei o que significam as palavras: Quero misericórdia e não sacrifícios. Porque não vim para chamar os justos, mas os pecadores” (Mateus 9,14).

Estamos celebrando o Ano da Misericórdia iniciado pelo Papa Francisco. Este ano, disse o Papa, é a oportunidade de fazermos “o que mais agrada a Deus”. “E o que mais agrada a Deus?”, pergunta e logo responde: “Perdoar os seus filhos, ter misericórdia deles, a fim de que esses possam, por sua vez, perdoar os irmãos, brilhando como tochas da misericórdia de Deus no mundo”. O Papa diz ainda que “é necessário considerar que, na raiz da falta de misericórdia, há sempre o amor próprio. No mundo, isso toma a forma da busca exclusiva dos próprios interesses, dos prazeres e honras unidos à vontade de acumular riquezas, enquanto na vida dos cristãos se reveste muitas vezes de hipocrisia e de mundanidade. Todas essas coisas são contrárias à misericórdia”. Por isso, o Papa recorda ainda que é necessário reconhecer-se pecador: “Senhor, eu sou um pecador; Senhor, eu sou uma pecadora: venha com a tua misericórdia”.

Nos evangelhos, Jesus critica duramente os religiosos da época e dirige palavras de compaixão e amor aos pecadores. Mas o que há nos religiosos que Cristo tanto despreza? A hipocrisia! Usar a religião para ocultar más ações é um pecado gravíssimo! Excluir as pessoas só porque não pertencem ao seu grupo religioso é um pecado muito grave, assim agiam os fariseus que excluíam socialmente os ditos “pecadores”, mas tinham uma vida totalmente contrária ao projeto de Deus. No evangelho de Mateus, Jesus os chama de “hipócritas, guias cegos, sepulcros caiados e serpentes” (Cf. Mt 23,13-36) pois “fecham o reino dos céus aos outros! Não entram e nem permitem que entrem os que desejam” (v. 13). É a respeito destes que gostam de parecer justos diante dos homens mas são injustos diante de Deus, que Jesus diz: “Façam e observem tudo o que vos disserem, mas não os imiteis nas ações, porque eles dizem e não fazem” (v.3).

Jesus despreza a hipocrisia, a pessoa se fazer pensar que é justa e autossuficiente a fim de desprezar o outro, como se fosse melhor que ele, sentindo-se superior. Na verdade, todos nós somos tentados a isso. Muitas vezes, o cargo que exercemos dentro da própria comunidade cristã, seja o de coordenador, de cantor, ou de qualquer ministério pastoral nos garante status a ponto de atrairmos com nossa arrogância e soberba a atenção que deve ser dada unicamente a Cristo. Portanto, se na sua comunidade, você exerce alguma função com a intenção de se mostrar, exibir ou aparecer, saiba que Cristo a isso despreza. Desça do trono e humildemente peça perdão ao Senhor que está disposto a acolhê-lo e perdoá-lo. Para receber o Seu perdão é necessário reconhecer-se pecador, arrepender-se e mudar de vida. Pois até para pedir perdão é necessário ser humilde. A esse respeito, o evangelho nos conta a seguinte história:

Subiram dois homens ao templo para orar. Um era fariseu; o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no seu interior desta forma: Graças te dou, ó Deus, que não sou como os demais homens: ladrões, injustos e adúlteros; nem como o publicano que está ali. Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros. O publicano, porém, mantendo-se à distância, não ousava sequer levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, tem piedade de mim, que sou pecador! Digo-vos: este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo o que se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado. (Lucas 18,9-14).

Reconhecer-se pecador! Eis a proposta de Jesus, eis o convite da Igreja no Ano da Misericórdia! Para ser humilde, é necessária uma conversão interior, que brota do coração. Não se trata de uma falsa humildade, aquela revestida de piedade externa. Por isso santa Faustina afirmou: "O demônio pode ocultar-se até sob o manto da humildade, mas não pode vestir o manto da obediência".

Sejamos obedientes ao Senhor, e antes que alguém diga que Deus ama o pecador mas abomina o pecado, sim, é verdade. Deus abomina o pecado, mas São Paulo nos diz que “onde abundou o pecado, a graça superabundou” (Rm 5,20). Portanto, grande exercício espiritual é, ao vermos um pecador, reconhecermo-nos ainda mais pecador. É muito difícil, mas converte o nosso coração orgulhoso. Como disse Santo Agostinho: “Sê menos do que és, reconhece o que és: Reconhece-te fraco, reconhece-te homem, reconhece-te pecador. Reconhece que Ele é quem justifica. Reconhece que estás manchado... não há outro caminho para buscar e encontrar a verdade do que aquele que foi traçado por Ele... e digo que o primeiro caminho é a humildade, o segundo a humildade, e o terceiro, a humildade”.



Gilberto B. Passos