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terça-feira, 28 de junho de 2016

Papa Francisco: “Acredito que as intenções de Lutero não tenham sido erradas”. Luteranos acolhem as palavras do Papa "com alegria e fraternidade”.

 
“Alegria e fraternidade são os sentimentos com que acolhemos as palavras do Papa, que confirmam o valor do diálogo ecumênico entre a Igreja Luterana e a Igreja Católica Romana. Esperamos que este diálogo cresça sempre mais a nível mundial e aqui na Itália”, declarou Heiner Bludau, decano da Comunidade Luterana italiana.

As palavras do decano referem-se ao que o Papa falou durante a coletiva de imprensa de ontem, durante a viagem de regresso da Armênia. Ao jornalista que lhe perguntava se, na véspera do 500º aniversário da Reforma Protestante, não fosse hora de retirar a excomunhão de Lutero, o Pontífice respondeu:

“Acredito que as intenções de Lutero não tenham sido erradas, era um reformador, talvez alguns métodos não foram corretos, mas naquele tempo, se lemos a história do Pastor – um alemão luterano que se converteu e se fez católico – vemos que a Igreja não era precisamente um modelo a imitar: havia corrupção, mundanismo, apego à riqueza e ao poder. E por isso ele protestou, era inteligente e deu um passo adiante justificando porquê o fazia. Hoje protestantes e católicos estamos de acordo na doutrina da justificação: neste ponto tão importante não havia errado. Ele fez um remédio para a Igreja, depois esse remédio se consolidou em um estado de coisas, em uma disciplina, em um modo de fazer, de crer, e depois estava Zwinglio, Calvino e detrás deles haviam os princípios, “cuius regio eius religio”. Temos que colocar-nos na história daquele tempo, não é fácil entender. Depois as coisas seguiram adiante, aquele documento sobre a justificação é um dos mais ricos. Existem divisões, mas dependem também das Igrejas. Em Buenos Aires haviam duas igrejas luteranas e pensavam de forma diferente, também na Igreja luterana não existe unidade. A diversidade é o que talvez nos fez tanto mal a todos e hoje procuramos o caminho para encontrar-nos depois de 500 anos. Eu acho que o primeiro que devemos fazer é rezar juntos. Depois devemos trabalhar pelos pobres, os refugiados, tantas pessoas sofrendo, e, por fim, que os teólogos estudem juntos procurando… Este é um caminho longo. Certa vez disse brincando: eu sei quando será o dia da unidade plena, o dia depois da vinda do Senhor. Não sabemos quando o Espírito Santo fará esta graça. Mas, enquanto isso, devemos trabalhar juntos pela paz”.

Bludau, em seguida, recordou a visita do Santo Padre à Christuskirche luterana de Roma, que teve lugar em novembro passado, na qual repetiu o gesto de abertura já realizado pelos seus antecessores”, testemunhando “o valor da nossa relação ecumênica, da qual diálogo e oração são duas dimensões essenciais”.

Em conclusão, o decano expressou o desejo de que “esta relação seja posteriormente aprofundada em 2017 em vista do Jubileu da Reforma, a ser vivido juntos como uma verdadeira e própria festa de Cristo, na convicção de que os elementos em comum entre as nossas Igrejas sejam decididamente mais importantes do que as diferenças ainda existentes”.
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ZENIT