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terça-feira, 7 de junho de 2016

Inoportuno manifesto do Conselho Nacional do Laicato sobre o "momento político atual".


O Conselho Nacional do Laicato (CNL), em 1.º de junho de 2016, publicou na Internet um manifesto sobre o “momento político atual”.

O texto finda com a seguinte afirmação:

“Como representantes dos Cristãos Leigos e Leigas do Brasil, irmanados ao povo brasileiro que trabalha, luta e dignifica este país, alicerçados pelo Papa Francisco e seu testemunho profético, nos colocamos em estado permanente de atuação para que as ameaças ora apresentadas, não encontrem espaços para a sua efetivação em nosso meio.”

Representantes dos leigos? Por acaso os milhões de leigos das inúmeras dioceses deste país elegeram esse “conselho”? Outorgaram-lhe alguma procuração? É claro que não! Desta feita, a associação em apreço, embora referendada pela conferência episcopal, não goza de legitimidade para falar em nome dos leigos.

Qual é o papel do leigo na sociedade? Segundo o cânon 225, §2.º, compete ao leigo animar e aperfeiçoar a ordem temporal com o espírito do evangelho. O Documento n.º 105, publicado em 2016, fruto da 54.ª assembleia ordinária da CNBB, resgatou o que caracteriza a missão laical, consoante o ensinamento do Concílio: a secularidade. Trata-se de uma análise que, sobre valorizar as atividades intraeclesiais exercidas pelo leigo, enfatiza o aspecto secular e extraeclesial da vocação para a qual Deus chama o leigo, isto é, o elemento mais importante do quefazer salvífico do leigo consiste na ação transformadora do mundo à luz da Doutrina Social da Igreja.

No que tange ao conteúdo do indigitado manifesto, nota-se certa aversão ao debate democrático, porque os que não concordam com as ideias ali expendidas são imediatamente tachados de ultraconservadores e fundamentalistas religiosos. Observo, contudo, que um bom católico, leigo ou clérigo, é um conservador por excelência, porquanto preserva ou conserva o ensinamento de Jesus Cristo em meio às vicissitudes históricas. Foi conservando a doutrina de nosso Senhor que, por exemplo, a Rerum Novarum de Leão XIII e outras encíclicas conceituaram a função social da propriedade. A propósito, o pensamento de esquerda não é progressista; é revolucionário, vez que anela solapar o edifício social vigente e erguer outra realidade, sem Deus.

O manifesto do Conselho Nacional do Laicato não deveria lançar diatribes sobre o governo interino. Por quê? Simplesmente porque milhões de leigos apoiam o impeachment da presidenta. Outros milhões de leigos são contrários à destituição de Dilma Rousseff. Vale dizer: cuida-se de política partidária com temática opinável; cada qual deve seguir os ditames da consciência. Demais, como escrevi acima, os membros do CNL não são uma espécie de “deputados” dos leigos, autorizados a se posicionar em nome do laicato deste país.

Por fim, seria interessante saber o que os redatores do tal manifesto entendem por direitos dos “homo afetivos” (sic). A Igreja católica ensina que todo fiel, máxime o político, tem de se opor aos projetos de legalização do assim chamado “casamento gay” (Cf. “Considerações sobre os projetos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais”, Congregação para a Doutrina da Fé, 2003; “A Responsabilidade Cristã na Administração Pública”, p. 122, Paulus, Edson Luiz Sampel).

O CNL cumpriria bem sua função se articulasse os leigos das Igrejas particulares em projetos de evangelização da política, da economia, do trabalho etc. Desafortunadamente, o mencionado conselho parece prestar um desserviço ao povo de Deus, ao exarar uma nota que privilegia determinada visão político-partidária.
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ZENIT