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quinta-feira, 9 de junho de 2016

A dor do luto


A gente sente mesmo quando a dor não é nossa. Sente o aperto e a aflição daqueles que choram pelo seu ente querido. Pelo vendaval que vem e entra de repente levando aos poucos ou rapidamente alguém querido. Um amigo, um colega, um familiar ou um conhecido. Aquele vizinho que víamos passar na rua e nem sabíamos seu nome.

Tudo acontece sem escolher o dia e a hora. Chega e bate na porta deixando tudo escuro e o coração às lagrimas. Tentamos entender mesmo querendo não acreditar, parece um pesadelo irreal.

Tudo é confuso, a medicina, o abraço e as palavras dadas para confortar. Nada é favorável, nem o silencio e nem o grito, nada muda ou refaz o fôlego voltar. Sentimos como crianças perdidas, com medo, frágeis e queremos colo. Acolhemo-nos e analisamos tudo e todos e a música fúnebre nos toca.

O corpo sente, vem dor de cabeça, insônia, angústia, depressão e dores da alma. Tentamos refazer cada segundo e parece que a estrutura acaba ali, o fim é esse. As flores, tudo preparado para o funeral, e a despedida não são agradáveis e aceitáveis. Choramos, as coisas ficam sem significado e palavras não mudam nada.

Tudo fica cinza, horrível, a dor será a companhia de meses. Só Deus e o tempo aliviarão as feridas e aceitação de caminhar sem o outro. Mas jamais nos permitirá esquecer e apagar os momentos vivenciados. 

As controvérsias, as brincadeiras, as atrapalhadas e as lembranças. Momentos insignificantes que valeram a pena, simples dias de estar ao lado apenas. Sentiremos tanta falta dos momentos lembrados, aniversários, festas e fotos, mesmo depois de anos. Uma saudade que de tanto doer trará o choro. Mas a vida continuará e caminharemos com a eterna parte do outro. Aquilo que nos ensinou e nos direcionou, e o que vivemos juntos. As trocas, o amor, o presente, o sorriso, a dor, a fantasia, a mentira em meio às verdades.

E tudo que ficará será uma saudade amenizada e confortada por Deus. Uma vida para relatar em seus instantes em meio à vida que por nós passou. Com suas manias e jeito de ser único e insubstituível que se foi e sempre terá sua parte conosco.

Tudo sempre será lembrado e recordado, mas nunca será o final que quisemos. Mas a aceitação do tempo que marcou a partida e levou quem amamos. Que nos apunhalou e escolheu chegar e roubar o que jamais daríamos. Não quis nada em troca e apenas levou num piscar de olhos.

Parece ter levado por completo a voz, a frescura, os beijos e jeito que não veremos nunca mais. Para sempre será um carimbo escrito dentro de nós fazendo falta. Uma necessidade de ter e não poder, querer e não ser ouvido e atendido.

O dia passará e com a noite a dor diminuirá e às vezes um sino tocará para perturbar. Mas continuaremos de pé a fazer o que o outro faria por nós. Continuar e recomeçar, pois nem os nossos sonhos são tão importante como o outro que nos envolveu. Caminhar sem rumo e tocar a vida sem ter a presença do outro.

Despedir-se aos poucos e aceitar que o fim vem do mesmo modo que iniciou, do nada. No silêncio do enterro, lágrimas, soluço, dor como a dor de parto, mas no coração. Ao descer pó se transformará e ali ficará tudo, sem nada levar consigo.

E assim encerrará sua jornada e nos deixará com o sentimento de perda e recordações. E tudo para sempre será guardado como em um baú, no consciente, inconsciente e pré-consciente, tesouros imensuráveis de uma vida vivida plenamente!
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Pais, filhos e escola / Aleteia