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sexta-feira, 6 de maio de 2016

A Letônia e a Semana de Oração pela Unidade Cristã 2016

 
Para nos ajudar a orar, todos os anos o CMI convida um país para conduzir as meditações de toda oikouméne, conferindo à SOUC um caráter plural e multiétnico. Em 2016, nos unimos aos/às Irmãos/ãs da Letônia, uma nação com pouco mais de dois milhões de habitantes, localizada no Leste Europeu e com uma rica história de diversidade cultural e lutas por afirmação da identidade e dos direitos de seu povo. A preparação do texto se deu por uma comissão composta, majoritariamente, por católicos, luteranos, ortodoxos e batistas, reunidos em Riga, capital da Letônia.

O mais antigo batistério da Letônia remonta a São Meinhard (século XII) e hoje se situa bem no centro da catedral luterana de Riga, a capital do país. O local do batistério fala com eloquência do vínculo entre batismo e pregação, assim como do chamado a proclamar os altos feitos do Senhor, dirigidos a todos os batizados. Este chamado constitui o tema da SOUC 2016. Ele foi inspirado em dois versículos da primeira Carta de São Pedro, escolhidos, meditados e partilhados por membros de diversas Igrejas e organizações ecumênicas da Letônia.

CONHECENDO A LETÔNIA

A Letônia é como uma “ponte” entre as tradições católicas, protestantes e ortodoxas. Com mais frequência, e num número crescente de lugares, os/as cristãos/as de diferentes tradições se encontram para rezar juntos e para dar um testemunho conjunto. Esse “ecumenismo vivo” provém de experiências de cantos e orações em comum dos/ãs cristãos/ãs daquele país, que encontraram o caminho da unidade no processo de independência e redemocratização da nação, nos anos 1990.

O material para a SOUC deste ano reflete a diversidade religiosa daquele povo e seus inúmeros esforços no caminho para unidade, nos quais também está implicado o empenho pela paz e pela justiça na sociedade.

Neste sentido, a Letônia nos anima para que a Semana de Oração pela Unidade Cristã fortaleça a prece pela unidade e que ela encontre ressonância e ecoe na vida de todas as pessoas, especialmente daqueles/as que tocam o âmago da misericórdia de Deus, os/as pobres. Há muitos Irmãos/ãs nossos/as que sofrem diretamente a contradição das divisões provocadas e mantidas por uma sociedade desigual, excludente e em crescente intolerância religiosa. Que nossa oração comum seja um testemunho vivo de que o diálogo e o amor fraterno são os caminhos para a paz!

 
Imigração ontem e hoje: “De Perseguidos em nome da Fé a Imigrantes” – a migração letã no Brasil

Um artigo do historiador Marcos Anderson Tedesco traz o estudo da migração de uma família de letos para o Brasil. Instalados no estado de Santa Catarina, essa migração deu-se pela perseguição religiosa no Império Russo. Muitas famílias saíram da Letônia em busca de paz, em um lugar que pudessem expressar sua confissão religiosa. O historiador ressalta que quando a Rússia conquistou a Letônia, o povo ficou submisso aos Czares. Eram desrespeitados em sua língua, religião, cultura e tradições. A liberdade religiosa era totalmente desrespeitada. Só era aceita a prática da ortodoxia russa.

As religiões como o Judaísmo, Cristianismo (catolicismo e protestantismo) e o Islã foram oprimidas. O uso da violência contra essas práticas religiosas tornou-se realidade. O interesse russo era impor uma só língua e uma só prática religiosa. As melhores oportunidades de emprego eram permitidas somente aos russos, sendo que aos outros, a possibilidade era de atividades humilhantes. Os russos se consideravam os últimos defensores da fé cristã.

No final do séc. XIX e primeira década do séc. XX muitos letões vieram para o Brasil. Estabeleceram-se no estado de Santa Catarina. A partir de 1893 foram constituídas entre Blumenau e Joinville seis colônias de imigrantes letões, batistas em sua maioria. As colônias situavam-se em Alto Guarani, conhecida como Massaranduba, Jacú-Açu, Linha Telegráfica, Bruedertal, Ponta Comprida e Zimmermann. A cidade mais antiga é Massaranduba, data de 1893, e iniciou-se com a vinda de cinco famílias de imigrantes. Era a quinta letã do Brasil. Saídos de Novgorod, dois anos após, mais treze famílias instalaram-se nessa colônia. Nesse tempo, alguns letões viviam nos estados de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul. Em 1900, fugidos da Rússia, chegaram ao Brasil importantes pastores batistas, entre eles Anss Araium, Jacob Inkis e Pedro Graudin.

Assinala o professor que até 1909, Pedro Graudin era pastor da Igreja Batista da localidade de Jacu-Açu (atual Guaramirim), mas sua experiência se deu quando recebeu o dom da glossolalia e de profetizar, sem saber que eram dons. O fenômeno era desconhecido pela comunidade que, assustados, proibiram a entrada do pastor no templo. O pastor então, por alguns meses, passou assistir os cultos do lado de fora do templo, com o tempo, ele foi expulso da igreja.

Mais tarde, o pastor Pedro Graudin começou a celebrar os cultos em sua casa. As pessoas começaram a participar, causando uma divisão na Igreja Batista.

Em 1931, o Pastor André Bernardino, que tinha contato com os missionários suecos e fundadores da Assembleia de Deus, Daniel Berg e Gunnar Vingren, e mais dois outros irmãos, visitaram os Graudin. Por ocasião da visita foi realizado um culto que durou quase três dias. O Pastor André Bernardino e os dois outros irmãos voltaram para Itajaí maravilhados com essa experiência. Mais tarde, o Pastor André Bernardino casou-se com a filha de Pedro, Dzidra Graudin.

Segundo relato de Dzidra Graudin, a perseguição religiosa foi a responsável pela vinda de Pedro Graudin ao Brasil. O sentimento religioso e a fé moveram essas famílias de imigrantes durante toda a vida. A fé era, portanto, fundamental em suas vidas.

Conclui o professor Marcos Anderson Tedesco, que o relato das memórias, nos faz compreender quem somos. Rememorar é encontrar o sentido e a força para continuar!
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CONIC