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sábado, 2 de abril de 2016

"Enquanto Jesus lava os pés, Judas o vende por dinheiro", diz Papa


SANTA MISSA  IN COENA DOMINI

HOMILIA DO PAPA FRANCISCO

C.A.R.A. Auxilium
 Castelnuovo di Porto (Roma)
Quinta-feira Santa, 24 de março de 2016

Os gestos falam mais do que as imagens e as palavras. Os gestos. Há, nestas Palavra de Deus que lemos, dois gestos: Jesus que serve, que lava os pés. Ele, que era o chefe, lava os pés aos outros, aos seus, aos mais pequeninos. O segundo gesto: Judas que vai ter com os inimigos de Jesus, com aqueles que não querem a paz com Jesus, para receber o dinheiro com o qual o atraiçoou, as 30 moedas. Dois gestos. Também hoje há dois gestos: o primeiro é o desta tarde: todos nós, juntos, muçulmanos, hindus, católicos, coptas, evangélicos, mas irmãos, filhos do mesmo Deus, que desejamos viver em paz, integrados. O outro gesto é o de há três dias: um gesto de guerra, de destruição numa cidade da Europa, de gente que não quer viver em paz. Mas por detrás daquele gesto, como por detrás de Judas, havia outros. Por detrás de Judas estavam aqueles que deram o dinheiro para que Jesus fosse entregue. Por detrás daquele gesto de há três dias naquela capital europeia, estão os fabricantes, os traficantes de armas que querem o sangue, não a paz; querem a guerra, não a fraternidade.

Dois gestos iguais: por um lado Jesus lava os pés, enquanto Judas vende Jesus por dinheiro; e por um lado vós, todos juntos, diversas religiões, culturas diferentes, mas filhos do mesmo Pai, irmãos, enquanto aqueles miseráveis compram as armas para destruir a fraternidade. Hoje, neste momento, quando eu fizer o mesmo gesto de Jesus de lavar os pés a vós doze, todos nós estamos a fazer o gesto da fraternidade, e todos nós dizemos: «Somos diversos, somos diferentes, temos culturas e religiões diversas, mas somos irmãos e desejamos viver em paz». E este é o gesto que eu faço convosco. Cada um de nós tem uma história de vida, cada um de vós carrega uma história consigo: tantas cruzes, tantos sofrimentos, mas também tem um coração aberto que deseja a fraternidade. Cada um, na sua língua religiosa, reze ao Senhor para que esta fraternidade contagie o mundo, para que não haja as 30 moedas para matar o irmão, para que haja sempre a fraternidade e a bondade. Assim seja.

No final da missa, antes de saudar cada um dos hóspedes do Centro, o Santo padre proferiu as seguintes palavras.

Agora vos saudarei um por um, de coração. Agradeço-vos por este encontro. E recordemo-nos e mostremos que é bom viver juntos como irmãos, com culturas, religiões e tradições diferentes: todos somos irmãos! E isto tem um nome: paz e amor. Obrigado.
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Santa Sé