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sábado, 19 de março de 2016

Via-Sacra: 7ª Estação: “Jesus cai pela segunda vez” (Lamentações 3,1-2.9.16).



  
Cristo padeceu por vós, deixando-vos o exemplo, para que sigais os seus passos.

Jesus cai de novo sob o peso da Cruz. Sobre o madeiro da nossa salvação pesam não só as enfermidades da natureza humana, mas também as adversidades da vida. Jesus carregou o peso da perseguição contra a Igreja de ontem e de hoje, a perseguição que mata os cristãos em nome de um deus alheio ao amor e a que mina a sua dignidade com «lábios mentirosos e palavras arrogantes». Jesus carregou o peso da perseguição contra Pedro, aquela contra a voz clara da «verdade que interpela e liberta o coração». Jesus, com a sua Cruz, carregou o peso da perseguição contra o seus servos e discípulos, contra aqueles que respondem ao ódio com o amor, à violência com a mansidão. Com a sua Cruz, Jesus carregou o peso daquele exagerado «amor de nós mesmos que chega ao desprezo de Deus» e espezinha o irmão. Tudo carregou voluntariamente, tudo sofreu «com a sua paciência, para dar uma lição à nossa paciência».

“Eu sou o homem que conheceu a miséria sob a vara do seu furor”.

A tradição da tríplice queda de Jesus sob o peso da cruz recorda a queda de Adão – o ser humano caído que somos nós – e o mistério da associação de Jesus à nossa queda. Na história, a queda do homem assume sempre novas formas. Na sua primeira carta, S. João fala duma tríplice queda do homem: a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos e a soberba da vida. Assim interpreta ele a queda do homem e da humanidade, no horizonte dos vícios do seu tempo com todos os seus excessos e depravações. Mas, olhando a história mais recente, podemos também pensar como a cristandade, cansada da fé, abandonou o Senhor: as grandes ideologias, com a banalização do homem que já não crê em nada e se deixa simplesmente ir à deriva, construíram um novo paganismo, um paganismo pior que o antigo, o qual, desejoso de marginalizar definitivamente Deus, acabou por perder o homem. Eis o homem que jaz no pó. O Senhor carrega este peso e cai… Cai para poder chegar até nós; Ele olha-nos para que em nós volte a palpitar o coração; cai para nos levantar.

Senhor Jesus Cristo, carregastes o nosso peso e continuais a carregar-nos. É o nosso peso que Vos faz cair. Mas sois Vós a levantar-nos, porque, sozinhos, não conseguimos levantar-nos do pó. Livrai-nos do poder da concupiscência. Em vez do coração de pedra, dai-nos novamente um coração de carne, um coração capaz de ver. Destruí o poder das ideologias, para os homens poderem reconhecer que estão permeadas de mentiras. Não permitais que o muro do materialismo se torne intransponível. Fazei que Vos ouçamos de novo. Tornai-nos sóbrios e vigilantes para podermos resistir às forças do mal, e ajudai-nos a reconhecer as necessidades interiores e exteriores dos outros, e a socorrê-las. Erguei-nos, para podermos levantar os outros. Concedei-nos esperança no meio de toda esta escuridão, para podermos ser portadores de esperança no mundo.

Já fora da muralha, o corpo de Jesus volta a abater-se por causa da fraqueza, caindo pela segunda vez, entre a gritaria da multidão e os empurrões dos soldados.

A debilidade do corpo e a amargura da alma fizeram com que Jesus caísse novamente. Todos os pecados dos homens - os meus também - pesam sobre a Sua Humanidade Santíssima.

Foi Ele quem tomou sobre Si as nossas enfermidades e carregou com as nossas dores; e nós tivémo-Lo por castigado, ferido por Deus e humilhado. Mas foi trespassado pelas nossas iniquidades e torturado pelos nossos pecados; o castigo que nos devia trazer a paz caiu sobre Ele, e nós fomos curados nas Suas chagas (Is LIII, 4-5).

Desfalece Jesus, mas a Sua queda levanta-nos, a Sua morte ressuscita-nos.

À nossa reincidência no mal, corresponde Jesus com a Sua insistência em redimir-nos, com abundância de perdão. E, para que ninguém desespere, volta a levantar-Se fatigadamente abraçado à Cruz.

Que os tropeços e derrotas não nos afastem, nunca mais, d'Ele. Como a criança débil se lança compungida nos braços vigorosos do seu pai, tu e eu agarrar-nos-emos ao jugo de Jesus. Só essa contrição e essa humildade transformarão a nossa fraqueza humana em fortaleza divina. 

Cai Jesus sob o peso do madeiro...

Nós, pela atração das coisas da terra.

Prefere vir-se abaixo a largar a Cruz. Assim sana Cristo o desamor que nos derruba.

Esse desalento, porquê? Pelas tuas misérias? Pelas tuas derrotas, às vezes contínuas? Por uma queda grande, grande, que não esperavas?

Sê simples. Abre o coração. Olha que não está tudo perdido. Ainda podes continuar, e com mais amor, com mais carinho, com mais fortaleza.

Refugia-te na filiação divina: Deus é teu Pai amantíssimo. Esta é a tua segurança, o ancoradouro onde lançar a âncora, aconteça o que acontecer na superfície deste mar da vida. E encontrarás alegria, força, optimismo, vitória!

Disseste-me: - Padre, estou a passar um mau bocado.

E respondi-te ao ouvido: leva sobre os teus ombros uma partezinha dessa cruz, só uma parte pequena. E, se nem sequer assim aguentares com ela, ... deixa-a toda inteira sobre os ombros fortes de Cristo. E a partir de agora, repete comigo: Senhor, meu Deus: nas Tuas mãos abandono o passado e o presente e o futuro, o pequeno e o grande, o pouco e o muito, o temporal e o eterno.

E fica tranquilo.

Nalgumas ocasiões perguntei a mim mesmo qual seria o martírio maior

O de quem recebe a morte pela fé, às mãos dos inimigos de Deus; ou o de quem gasta os seus anos trabalhando, sem outra intenção que servir a Igreja e as almas, e envelhece sorrindo e passa inadvertido...

Para mim, o martírio sem espetáculo é mais heróico... Esse é o teu caminho.

Para seguir o Senhor, para intimar com Ele, temos de nos espezinhar pela humildade, como se pisam as uvas no lagar.

Se calcamos a nossa miséria - que isso somos -, então Ele instala-se à vontade na alma. Como em Betânia, fala-nos e falamos-Lhe, em conversa confiada de amigo.


Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão quando novamente caístes e pelos merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do Purgatório.