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quinta-feira, 17 de março de 2016

Via-Sacra: 5ª Estação: “Jesus é ajudado por Simão Cireneu a levar a Cruz” (S. Mateus 27,32; 16,24).




“Negue-se a si mesmo, pegue a sua cruz e siga-Me”.

Neste encontro, no máximo do seu sofrimento humano e moral Jesus encontra o auxilio de um desconhecido. Parece que Ele não teria mais força para carregar a Cruz até o Calvário, Jesus que carrega a cruz para salvar a humanidade por um homem é ajudado. Quantas vezes em nossa vida parece que não vamos aquentar, a cruz é pesada demais. É nesta hora que o próprio Jesus se torna o nosso Cirineu e toma sobre si as nossas dores. Coloca em nosso caminho alguém especial que nos ajuda a carregar a cruz.

“Requisitaram-no, para levar a cruz de Jesus”.

Simão de Cirene regressa do trabalho, vai a caminho de casa quando se cruza com aquele triste cortejo de condenados – para ele talvez fosse um espetáculo habitual. Os soldados valem-se do seu direito de coação e colocam a cruz às costas dele, robusto homem do campo. Que aborrecimento não deverá ter sentido ao ver-se inesperadamente envolvido no destino daqueles condenados! Faz o que deve fazer, mas certamente com grande relutância. E, todavia o evangelista Marcos nomeia, juntamente com ele, também os seus filhos, que evidentemente eram conhecidos como cristãos como membros daquela comunidade (Mc 15, 21). Do encontro involuntário, brotou a fé. Acompanhando Jesus e compartilhando o peso da cruz, o Cireneu compreendeu que era uma graça poder caminhar juntamente com este Crucificado e assisti-Lo. O mistério de Jesus que sofre calado tocou-lhe o coração. Jesus, cujo amor divino era o único que podia, e pode redimir a humanidade inteira, quer que compartilhemos a sua cruz para completar o que ainda falta aos seus sofrimentos (Col 1, 24). Sempre que, bondosamente, vamos ao encontro de alguém que sofre alguém que é perseguido e inerme, partilhando o seu sofrimento ajudamos a levar a própria cruz de Jesus. E assim obtemos salvação, e nós mesmos podemos contribuir para a salvação do mundo.

Senhor abristes a Simão de Cirene os olhos e o coração, dando-lhe, na partilha da cruz, a graça da fé. Ajudai-nos a assistir o nosso próximo que sofre, ainda que este chamamento resultasse em contradição com os nossos projetos e as nossas simpatias. Concedei-nos reconhecer que é uma graça poder partilhar a cruz dos outros e experimentar que dessa forma estamos a caminhar convosco. Fazei-nos reconhecer com alegria que é precisamente pela partilha do vosso sofrimento e dos sofrimentos deste mundo que nos tornamos ministros da salvação, podendo assim ajudar a construir o vosso corpo, a Igreja.

Jesus está extenuado. O seu passo é cada vez mais cambaleante, e a soldadesca tem pressa de acabar; de modo que, quando saem da cidade pela porta Judiciária, intimam um homem que vinha duma granja, chamado Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo, e obrigam-no a levar a Cruz de Jesus (cfr. Mc XV, 21).

No conjunto da Paixão, é bem pouco o que significa esta ajuda. Mas a Jesus basta-Lhe um sorriso, uma palavra, um gesto, um pouco de amor, para derramar copiosamente a Sua graça sobre a alma do amigo. Anos mais tarde, os filhos de Simão, já cristãos, serão conhecidos e estimados pelos seus irmãos na fé. Tudo começou por um encontro inesperado com a Cruz.

Apresentei-Me aos que não perguntavam por Mim, encontraram-Me os que não Me procuravam (Is LXV, 1).

Às vezes, a Cruz aparece sem que a procuremos: é Cristo que pergunta por nós. E se, porventura, ante essa Cruz inesperada, e talvez por isso mais obscura, o coração mostrasse repugnância... não lhe dês consolações. E, se as pedir, cheio de uma nobre compaixão, diz-lhe devagar, em confidência: coração, coração na Cruz, coração na Cruz! 

Queres saber como agradecer ao Senhor o que fez por nós?...

Com amor! Não há outro caminho. Amor com amor se paga. Mas a certeza do carinho é dada pelo sacrifício. Portanto, ânimo: nega-te e toma a Sua Cruz. Então terás a certeza de Lhe devolver amor por Amor.

Não é tarde nem tudo está perdido...

Ainda que te pareça. Ainda que o repitam mil vozes agoirentas. Ainda que te assediem olhares de troça e incredulidade... Chegaste numa boa altura para carregar com a Cruz: a Redenção está a fazer-se - agora! -, e Jesus tem necessidade de muitos cireneus.

Para ver feliz a pessoa que ama, um coração nobre não vacila ante o sacrifício.

Para aliviar um rosto doente, uma alma grande vence a repugnância e dá-se sem reticências... E Deus merece menos que um bocado de carne, que um punhado de barro?

Aprende a mortificar os teus caprichos. Aceita a contrariedade sem exageros, sem espaventos, sem... histerismos. E tornarás mais leve a Cruz de Jesus.

Hoje a salvação entrou nesta casa, porque este também é filho de Abraão.

Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que tinha perecido (Lc XIX, 9-10).

Zaqueu, Simão de Cirene, Dimas, o centurião...

Agora já sabes porque o Senhor te procurou. Agradece-Lho!... Mas opere et veritate, com obras e de verdade.

Como amar deveras a Cruz Santa de Jesus?...

Deseja-a!... Pede forças ao Senhor para implantá-la em todos os corações e de uma ponta a outra deste mundo! E depois... desagrava-O com alegria; procura amá-Lo, também com o bater de todos os corações que ainda O não amam.


Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão quando o Cireneu Vos auxiliou e pelos merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do Purgatório.