Adsense Teste

sexta-feira, 25 de março de 2016

Via-Sacra: 13ª Estação: “Jesus é descido da Cruz” (S. João 19,32-35.38).


“Um dos soldados traspassou-Lhe o peito com uma lança e logo brotou sangue e água”.

A perfuração do peito de Jesus, de ferida tornou-se fresta, porta aberta para o coração de Deus. Aqui o seu amor infinito por nós deixa-se tomar como água que vivifica e bebida que invisivelmente sacia e faz renascer. Também nós nos aproximamos do corpo de Jesus descido da Cruz e sustentado pelos braços da Mãe. Aproximamo-nos «não caminhando, mas crendo, não com os passos do corpo, mas com a livre decisão do coração». Neste corpo inanimado, reconhecemo-nos como seus membros feridos e sofredores, mas guardados pelo abraço amoroso da Mãe. Mas reconhecemo-nos também nestes braços maternos, simultaneamente fortes e ternos. Os braços abertos da Igreja-Mãe lembram o altar que nos oferece o Corpo de Cristo e aí, nós, tornamo-nos Corpo místico de Cristo.

Ao nascermos vamos para o colo de nossa mãe, e quanto bem faz um colo cheio de amor. Quantas vezes desejamos um colo, um lugar onde podemos “morrer” as nossas angustias e dores, frustrações e decepções. Em todos esses momentos a minha fé me empurra para o colo de Maria, nossa mãe. E ela enxuga nossas feridas e coloca azeite, unção nas dores de nossas almas. Como é bom deitar no colo de uma mãe: A vossa proteção recorremos santa mãe de Deus, não desprezeis as nossas suplica em nossas necessidades, mais livrai-nos sempre de todos os perigos ó Virgem gloriosa e bendita.

«Ele era, na verdade, Filho de Deus».

Jesus morreu, o seu coração é trespassado pela lança do soldado romano e dele brotam sangue e água: misteriosa imagem do rio dos sacramentos, do Batismo e da Eucaristia, dos quais, em virtude do coração trespassado do Senhor, renasce incessantemente a Igreja. E não Lhe são quebradas as pernas, como aos outros dois crucificados; deste modo Ele aparece como o verdadeiro cordeiro pascal, ao qual nenhum osso deve ser quebrado (cf. Ex 12, 46). E agora que tudo suportou, vemos que Ele, apesar de toda a confusão dos corações, apesar do poder do ódio e da cobardia, não ficou sozinho. Os fiéis existem. Junto da cruz, estavam Maria, sua Mãe, a irmã de sua Mãe, Maria, Maria de Magdala e o discípulo que Ele amava. Agora chega também um homem rico, José de Arimatéia: o rico encontra modo de passar pela buraco de uma agulha, porque Deus lhe dá a graça. Sepulta Jesus no seu túmulo ainda intacto, num jardim: o cemitério onde fica sepultado Jesus transforma-se em jardim, no jardim donde fora expulso Adão quando se separara da plenitude da vida, do seu Criador. O túmulo no jardim faz-nos saber que o domínio da morte está para terminar. E chega também um membro do Sinédrio, Nicodemos, a quem Jesus tinha anunciado o mistério do renascimento pela água e pelo Espírito. Até no Sinédrio, que tinha decidido a sua morte, há alguém que acredita que conhece e reconhece Jesus após a sua morte. Sobre a hora do grande luto, da grande escuridão e do desespero, aparece misteriosamente a luz da esperança. O Deus escondido permanece em todo o caso o Deus vivo e próximo. O Senhor morto permanece em todo o caso o Senhor e nosso Salvador, mesmo na noite da morte. A Igreja de Jesus Cristo, a sua nova família, começa a formar-se.

Senhor descestes à escuridão da morte. Mas o vosso corpo é recolhido por mãos bondosas e envolvido num cândido lençol (Mt 27, 59). A fé não está completamente morta, não se pôs totalmente o sol. Quantas vezes parece que Vós estais a dormir. Como é fácil a nós, homens afastar-nos dizendo para nós mesmos:  Deus morreu. Fazei com que, na hora da escuridão, reconheçamos que em todo o caso Vós estais lá. Não nos deixeis sozinhos quando tendemos a desanimar. Ajudai-nos a não deixar-Vos sozinho. Daí-nos uma fidelidade que resista no desânimo e um amor que Vos acolha no momento mais extremo da vossa necessidade, como a vossa Mãe, que Vos abraçou de novo no seu regaço. Ajudai-nos, ajudai os pobres e os ricos, os simples e os sábios, a ver através dos seus medos e preconceitos e a oferecer-Vos a nossa capacidade, o nosso coração, o nosso tempo, preparando assim o jardim no qual possa dar-se a ressurreição.

Mergulhada na dor, Maria está junto da Cruz. E João, com Ela. Mas faz-se tarde, e os judeus insistem para que se tire o Senhor dali.

Depois de ter obtido de Pilatos a licença que a lei romana exige para sepultar os condenados, chega ao Calvário um senador chamado José, varão bom e justo, oriundo de Arimateia. Ele não tinha concordado com a condenação nem com a execução; ao contrário, era dos que esperavam o reino de Deus (Lc XXIII, 50-51). Com ele vem também Nicodemos, o mesmo que anteriormente tinha ido de noite encontrar-se com Jesus, trazendo uma mistura de mirra e aloés, de quase cem libras (Jo XIX, 39).

Não eram conhecidos, publicamente, como discípulos do Mestre; não se encontravam nos grandes milagres nem O acompanharam na Sua entrada triunfal, em Jerusalém. Agora, no momento mau, quando os outros fogem, não temem comprometer-se pelo seu Senhor.

Tomam os dois o corpo de Jesus e deixam-nO nos braços de Sua Santíssima Mãe. Renova-se a dor de Maria.

Para onde foi o teu Amado, ó mais formosa das mulheres? Para onde partiu quem tu amas, e procura-lo-emos contigo (Cant. V, 17)?

A Virgem Santíssima é nossa Mãe e não queremos, nem podemos, deixá-la sozinha. 

Veio salvar o mundo, e os Seus negam-nO ante Pilatos.

Ensinou-nos o caminho do bem, e arrastam-nO pela via do Calvário.

Deu exemplo em tudo, e preferem um ladrão homicida. Nasceu para perdoar, e, sem motivo, condenam-nO ao suplício.

Chegou por caminhos de paz, e declaram-Lhe guerra. Era a Luz, e entregam-nO ao poder das trevas. Trazia Amor, e pagam-lhe com ódio. Veio para ser Rei, e coroam-nO de espinhos.

Fez-Se servo para nos libertar do pecado, e cravam-nO na Cruz. Incarnou para nos dar a Vida, e nós recompensamo-lo com a morte.

Não compreendo o teu conceito de cristão.

Achas que é justo que o Senhor tenha morrido crucificado e tu te conformes com "ir andando"?

Esse "ir andando" é o caminho áspero e estreito de que Jesus falava?

Não admitas o desalento no teu apostolado.

Não fracassaste, como tão-pouco Cristo fracassou na Cruz. Ânimo!... Continua contracorrente, protegido pelo Coração Materno e Puríssimo da Senhora; Sancta Maria, refugium nostrum et virtus!, és o meu refúgio e a minha fortaleza.

Tranquilo. Sereno... Deus tem muito poucos amigos na Terra. Não desejes sair deste mundo. Não recuses o peso dos dias, ainda que, por vezes, se nos tornem muitos longos.

Se queres ser fiel, sê muito mariano.

A Nossa Mãe, desde a embaixada do Anjo até à sua agonia ao pé da Cruz, não teve outro coração nem outra vida que a de Jesus.

Recorre a Maria, com terna devoção de filho, e Ela alcançar-te-á essa lealdade e abnegação que desejas.

"Não valho nada, não posso nada, não tenho nada, não sou nada...”.

Mas Tu subiste à Cruz, para que eu possa apropriar-me dos Teus méritos infinitos. E ali recolho também - são meus, porque sou seu filho - os merecimentos da Mãe de Deus e os de S. José. E apodero-me das virtudes dos santos e de tantas almas entregues...

Depois, lanço um olhar à minha vida e digo: ai, meu Deus, isto é uma noite cheia de escuridão! Só, de vez em quando, brilham uns pontos luminosos, pela Tua grande misericórdia e pela minha pouca correspondência... Tudo isto Te ofereço, Senhor, não tenho outra coisa.


Oh! meu Bom Jesus, pelo mérito da Vossa Dolorosa Paixão quando Vos desceram da Cruz e pelos merecimentos de Vossa Mãe Santíssima e das almas reparadoras, peço-Vos a conversão dos pecadores, a salvação dos moribundos e o alívio das Almas do Purgatório.